12/02/2010

A paixão pelo jogo

Muitos são aqueles que gostam de futebol, mas poucos são os que verdadeiramente se apaixonam pelo jogo. A paixão pelo jogo traduz-se não apenas na forma de estar na modalidade, como também fora dela.

Exemplo disso, foi o que um aluno da Escola EB 2,3 de Monchique, também ele jogador da equipa Sub-13 do Juventude Desportiva Monchiquense, escreveu numa aula de Língua Portuguesa. Passo a citar:


VIVER O FUTEBOL

Nasci para a bolar jogar,
O Futebol é a minha vida!
Um lindo sonho sonhado
É um golo bem marcado.

Ouço o "mister" com atenção
Para na baliza acertar,
Bate forte o coração,
Tento um bom golo marcar.

Gooolo! Gooolo!
Que bela palavra mágica!
De feliz, fico tão tolo,
Que faço figura trágica!

E se o golo festejar,
Devo sempre recordar,
Que para bem saber jogar,
Tenho de me empenhar.

Para ser bom jogador,
Devo ter habilidade,
Mas para ser de valor,
Tenho de ter humildade.


Nota: Publicado com o consentimento do autor José Mário Nunes Conceição.

03/02/2010

"Carolice" ou "chulagem"?

O clube cá da terra - JD Monchiquense - vai, arrisco-me a dizer, de "vento em pompa" no que ao futebol diz respeito. Contrariando o despovoamento que o concelho de Monchique tem vindo a sofrer, a direcção do clube e os seus colaboradores (delegados, adjuntos e treinadores) conseguiram formar, na presente época 2009/2010, seis equipas competitivas (Escolas B/Sub-10, Escolas A/Sub-11, Infantis/Sub-13, Iniciados/Sub-15, Juvenis/Sub-17 (futsal) e Séniores) e uma equipas de veteranos.



Nunca na história do clube, fundado em 14-11-1963, houve tantas crianças, jovens e adultos envolvidos no fenómeno desportivo local. Porém, como em qualquer pequena terra que se preze, surgem sempre inúmeras más línguas. De entre os rumores e os boatos que se ouvem em surdina, tal não foi o meu espanto quando me contaram que se diz que os colaboradores só estão no clube porque recebem balúrdios (entenda-se por balúrdios mensalidades a rondar os 200 Euros).

Ora, qualquer pessoa mais atenta em Monchique sabe que, infelizmente, o JDM atravessa graves dificuldades financeiras. A política da actual direcção tem sido pautada por duas linhas orientadoras: (a) reduzir o passivo e (b) apostar nos escalões de formação. É natural que o pouco dinheiro que há seja canalizado para cumprir estes intentos, embora fiquem sempre outras despesas básicas por saldar. Face a esta conjectura, não só os colaboradores não recebem há algum tempo, como as respectivas remunerações nada têm a ver com os "balúrdios" acima mencionados.

A ilação que se pode tirar destas "bocas" infundadas é que a "carolice" e a boa vontade das pessoas têm um preço a pagar e esse, indubitavelmente, é nefasto para quem não quer mais senão contribuir para a formação cívica e o desenvolvimento desportivo de todos aqueles que aprendem, evoluem e jogam no "nosso" Monchiquense.

11/01/2010

Insólito (ou talvez não!)

A CAN Angola 2010 iniciou-se ontem com o jogo Angola 4 - 4 Mali. Por si só, o número de golos marcados na partida não é muito vulgar, porém a marcha do marcador foi ainda mais hilariante. A selecção da casa, orientada pelo português Manuel José, esteve a vencer (4-0) até ao minuto 79. Pois foi! Deixou-se empatar em pouco mais do que 11 minutos.


Esta enorme decepção para o povo angolano e para todos aqueles que, como eu, torcem por Angola nesta competição, levanta uma questão essencial: Quando em vantagem no marcador, qual a melhor forma de manter/segurar um resultado positivo?

Obviamente que não há receitas ou fórmulas mágicas. Depende de muitos factores (e.g., qualidade da equipa adversária, fadiga, capacidade de decisão e execução, controlo emocional dos jogadores, leitura do jogo, experiências passadas e pensamento do treinador, plano estratégico-táctico empregue, entre muitos outros). No entanto, em Portugal fomenta-se aquilo que eu designo de "mentalidade da retranca", isto é, quando em vantagem, tira-se um avançado e coloca-se um defesa central ou um médio de características mais defensivas, defende-se no sector mais recuado e concede-se toda a iniciativa de jogo à equipa contrária. Simplesmente, ao possibilitar que a formação adversária construa jogo e aumente o número de sequências ofensivas, está-se concomitantemente a aumentar a probabilidade de sofrer um golo.

Circula por aí uma "velha máxima" que reza que "a melhor defesa é o ataque". Eu reformularia e diria que "a melhor defesa é o ataque criteriosamente gerido", ou seja, que não implica apenas procurar desalmadamente o golo, mas que manifeste algumas cautelas com possíveis relançamentos do processo ofensivo oponente. O mister Manuel José no final do jogo mostrou-se profundamente desiludido porque pediu aos jogadores que trocassem a bola de pé para pé nos últimos minutos e estes não o conseguiram fazer. Pelo aquilo que me deu a perceber, não só não mantiveram a posse de bola, como não atacaram, como ainda não saíram do seu sector defensivo. Embora a intenção do treinador fosse a manutenção da posse de bola (só ao alcance de equipas de altíssimo nível competitivo), o comportamento colectivo da selecção angolana serviu os interesses da "mentalidade da retranca". Por vezes resulta; ontem não foi o caso.

Por isso, digo e afirmo: insólito, ou talvez não!

06/01/2010

2010

Caros leitores,

Na preguiça de o fazer mais cedo, quero desejar-vos um magnífico ano de 2010. Acrescento ainda que tenho um "feeling" que vão ser 12 meses muito proveitosos para Portugal. Não sei porquê, mas torço sinceramente para que assim seja.

Apesar das dificuldades em que o país está mergulhado, devemos ser optimistas e olhar o futuro com a força e a determinação suficientes para mudar o que está menos bem.

Siga, porque para a frente é que está o caminho.

19/12/2009

Leis da Física aplicadas ao Futebol

Quem está minimamente familiarizado com o futebol conhece algumas pérolas jornalísticas de comentadores, analistas ou pseudo-analistas. Por força da estação do ano em que estamos emerge frequentemente uma apreciação impregnada de vulgaridade e de incorrecção.

No calor do jogo é uma delícia constatar que "(...) quando a bola toca no relvado [molhado] ganha velocidade". O que faria Newton se ouvisse esta afirmação?

Em primeiro lugar, a bola (em trajectória aérea) está sujeita à acção da força gravítica (direcção vertical; sentido de cima para baixo), pelo que se "ganhar velocidade" será sempre em trajectória descendente. Porém, quando a bola toca no relvado gera-se uma força natural resultante do contacto mecânico entre os dois corpos (bola e solo): o atrito. O atrito depende das características das partículas que compõem as superfícies em contacto, da força normal entre os dois corpos (i.e., força que tende a fazer com que uma superfície penetre na outra) e da massa do(s) corpo(s). A fricção inerente ao atrito determina que haja a dissipação de energia sob a forma de energia térmica, ou seja, a bola ao tocar no relvado, esteja molhado ou não, tende sempre a perder energia cinética e a diminuir a sua velocidade.

Deste modo, podemos concluir que a bola quando toca no relvado molhado não ganha velocidade, mas, devido à alteração das características das superfícies de contacto, perde menos velocidade ou sofre uma menor desaceleração. Não sei de fará, empiricamente, muito sentido, mas estou convicto que esta explicação desmistifica a erroneidade patente num comentário estranhamente usual.