24/08/2010

O "caso Queiroz"

O "caso Queiroz" dispensa apresentações. Deu suspensão para um mês e novo processo disciplinar baseado das declarações do ainda seleccionador nacional ao jornal "O Expresso".

A minha dedução é que, após o Mundial 2010 na África do Sul, se conjecturaram esforços no seio da Federação Portuguesa de Futebol (F.P.F.) para "correr" com o homem de lá para fora. Como qualquer apreciador de bom futebol, a prestação portuguesa também me deixou um grande amargo de boca, porém, se avaliarmos os factos friamente e, tendo em consideração a história nacional em competições internacionais, ser eliminados nos oitavos-de-final pela actual Espanha não é nenhum escândalo.

O que vem a seguir a isso é bem pior do que qualquer convocatória que conte com jogadores como o Ricardo Costa ou o Zé Castro. Parece-me bem evidente que a actuação dos dirigentes da F.P.F. é de um amadorismo extremo e que, de momento, defende tudo menos a estabilidade que a Selecção Nacional necessita para realizar uma boa fase de apuramento para o Europeu de 2012.

Em última instância, quem sai a perder com esta trapalhada toda é o grupo de jogadores que, quer queiramos ou não, vai representar o nosso país em nova campanha internacional. Enquanto tivermos pessoas a lutar por "sacudir-a-água-do-capote-quando-as-coisas-correm-menos-bem", nunca teremos uma Selecção à altura das nossas ambições.

Reforma na F.P.F. precisa-se!

01/08/2010

Power Balance

Parece que é moda utilizar uma pulseira, designada Power Balance, que ajuda a melhorar o rendimento desportivo e o bem-estar físico e psicológico. Tentei perceber o significado científico da coisa e, regra geral, somente encontrei impressões altamente subjectivas como "melhora o equilíbrio e a confiança", "as pessoas conseguem dormir melhor" ou "promove o aumento da flexibilidade".


Numa pesquisa mais aprofundada, confirmei o meu raciocínio sobre o adereço, pois as investigações científicas realizadas, a mais recente em Maio pelo Instituto Politécnico de Madrid, revelaram que os efeitos da pulseira não foram significativos ao nível do equilíbrio do corpo. Na perspectiva de Frederico Varandas, especialista em Medicina Desportiva, estas pulseiras são como as do reumático (Tucson), não constituindo uma forma de doping precisamente porque manifestam falhas nos fundamentos científicos que a suportam.

Ainda assim, é indiscutível o efeito psicológico - efeito placebo - que podem apresentar na realização de algumas actividades físicas, desportivas e quotidianas. Portanto, não há evidências que confirmem que os 38 Euros que pedem pela pulseira traduzam, inequivocamente, um bem adquirido.

Receitas simples para problemas complexos merecem sempre que nós desconfiemos dos resultados miraculosamente anunciados.

23/07/2010

Não é preciso ser daltónico...

A nova bola oficial - Jabulani - da Liga Portuguesa é, como sabem, cor de laranja. Antes do evento começar já se negoceia a alteração da cor do móbil para tons mais claros, pois, alegadamente, um grupo de indivíduos daltónicos se insurgiu contra a eventualidade de assistir aos jogos sem discernir a posição do "esférico".

Dos (poucos) jogos que observei, não só tive imensa dificuldade para acompanhar a progressão da bola no campo, como também me apercebi que não era o único a constatar tal imbróglio.

Das duas, uma: ou vi as partidas na companhia de sujeitos que, tal como eu, são daltónicos; ou então a cor da bola é um erro crasso de "marketing" pela Adidas e, sobretudo, pelos agentes desportivos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Pergunto-me como é possível não se ter testado um factor tão básico quanto é a qualidade da imagem para o telespectador. Ao fim e ao cabo, não são os telespectadores que consomem e pagam grande parte da indústria do futebol de alto rendimento? Em épocas em que se vendem transmissões HD ou em 3D, isto ainda me parece mais inadmissível.

Convém que se espere pelo inverno para introduir a Jabulani laranja nas terras mais altas. Até lá, metam a bolinha branca que o povo agradece.

11/07/2010

A tristeza de uns é a felicidade dos outros...

Foto: Iniesta comemora o golo da vitória espanhola (fonte: A BOLA).

Parabéns à Espanha pela conquista do Campeonato do Mundo da África do Sul (2010). Venceram bem; foram os melhores. Xavi e Iniesta? Uma alegria ver estes senhores a jogar futebol. Tão simples, bonito e eficaz.

"Rodriguinhos", para quê?

09/07/2010

A Sobrevalorização da Estatura no Futebol

Anualmente, quantos miúdos não são postos de lado no futebol só porque são pequenos? Apesar de sabermos que o talento desportivo não se associa estritamente às dimensões corporais das crianças/jovens, creio que os processos de detecção/selecção ainda valorizam, excessivamente, a variável estatura. Não é de agora, é uma tendência que se arrasta há décadas.

Contrapondo os argumentos de que os jogadores mais altos são mais fortes e, eventualmente, melhores do que os outros, eis a lista dos 10 nomeados para o troféu "Bola de Ouro" no Mundial 2010, na África do Sul.

A estatura média dos nomeados para melhor jogador da competição é cerca de 1 metro e 77 centímetros, ou seja, um número que não nos permite sequer valorizar as dimensões corporais dos jogadores. Curiosamente, os jogadores mais criativos da lista até são os que possuem menor estatura.

Recomendação para o treinador:

Há muitas variáveis que influem na detecção/selecção de talentos desportivos. A estatura não é, nem de perto, nem de longe, a mais decisiva para que um jogador possa exibir um rendimento superior em situação competitiva. Assim, é importante que se deixe de sobrevalorizar este aspecto, em detrimento de outros como a capacidade de "leitura do jogo", o domínio de habilidades motoras específicas, ou o interesse e a motivação manifestados para a prática da modalidade.