Posteriormente, surge a etapa aprender a treinar. Stafford (2005) associa esta etapa às idades 8-11 anos (raparigas) e 9-12 anos (rapazes). É uma fase dominada pela aprendizagem de habilidades motoras específicas das modalidades – as acções técnicas nas modalidades individuais ou acções táctico-técnicas nos JDC (jogos reduzidos/condicionados, princípios específicos do jogo) – porém, de igual modo, componentes coordenativas multilaterais, de forma a aperfeiçoar os pré-requisitos do rendimento psico-cognitivo e neuromuscular. É nesta etapa que devem ser introduzidas as habilidades motoras e as capacidades inerentes à(s) actividade(s) preferida(s), sucedendo em ambientes de prática que suscitem prazer e fomentem a descoberta guiada. Deve ser encarada como a principal etapa de aprendizagem, na medida em que engloba fases sensíveis, críticas mesmo, na qual ocorre uma acelerada adaptação ao processo de treino. Está, portanto, inerente a aquisição de habilidades motoras básicas e comuns a diversos desportos, ainda que, de acordo com Stafford (2005), se verifique uma redução do número de actividades/desportos praticados, sendo recomendada a prática de três actividades distintas. A ênfase deve situar-se no aprender a treinar e a praticar e não no resultado do desempenho da criança, ainda que o elemento “competição” também deva ser introduzido (rácio treino-competição de 80:20).
Segundo Stafford (2005), a próxima etapa (aprender a treinar) sucede nos rapazes entre os 12 e os 16 anos e nas raparigas entre os 11 e os 15 anos. O autor alega que esta etapa cobre um período peculiarmente sensível para o desenvolvimento físico e de habilidades técnicas e tácticas. Para além disso, esta pode ser considerada a principal fase para o desenvolvimento da condição física, nomeadamente da resistência aeróbia e da força, sendo o Pico de Velocidade em Altura (PVA) um ponto de referência a tomar sempre em consideração. Nos JDC, é nesta etapa que o conteúdo do treino se centra no desenvolvimento e consolidação de acções técnicas ou habilidades específicas de um desporto, constituindo também a etapa inicial de preparação táctica, naturalmente, em níveis básicos e intermédios. Stafford (2005) admite que esta etapa possa durar entre três a cinco anos, ocorrendo um aumento progressivo do treino específico em relação ao treino geral e da importância relativa da competição no processo de formação da criança/jovem (rácio treino-competição de 60:40).
O modelo LTAD contempla, seguidamente, a etapa treinar para competir, envolvendo rapazes entre os 16 e os 18 anos e raparigas entre os 15 e os 17 anos de idade. Trata-se de uma etapa que deve fornecer aos potenciais atletas oportunidades de se prepararem conveniente para a situação de competição. A monitorização dos efeitos do treino e da competição afigura-se como indispensável, pois é determinante identificar qualidades e limitações individuais que proporcionam, em última instância, a optimização do desenvolvimento do atleta. No âmbito dos JDC, é incluída a preparação técnica, táctica e física específica do desporto, implicando a preparação táctica numa posição específica (especialização), a aplicação dos princípios específicos e gerais dos processos ofensivos e defensivos, o planeamento e avaliação da competição e a observação e adaptação às equipas adversárias. É nesta etapa que a competição começa a ganhar preponderância no processo de formação, com um rácio treino-competição de 40:60 (Stafford, 2005).
O modelo LTAD engloba ainda uma etapa final em relação à preparação de atleta com capacidade para atingir níveis elevados de rendimento: a etapa treinar para ganhar. Embora seja variável de modalidade para modalidade, Stafford (2005) sugere que ocorre a partir dos 18 anos para rapazes e a partir dos 17 anos para raparigas. No cômputo geral, procura-se maximizar a performance, “picos” de forma, assumindo que as capacidades relevantes para o desempenho já foram desenvolvidas. No que concerne aos JDC verifica-se, ao nível da táctica, um desenvolvimento efectivo de estratégias competitivas, o “jogar” em função dos pontos fortes e fracos do adversário, e a modelação dos aspectos de performance em situação de treino.
Por último, a etapa de retenção, cujo principal objectivo passa por reter atletas em fim de carreira na esfera desportiva, atribuindo-lhes papéis distintos (dirigentes, treinadores, funcionários, sócios, etc.). Apesar de todas as etapas que constituem o modelo LTAD serem relevantes, as três primeiras são de vital importância na globalidade do processo, daí serem consideradas como as etapas de formação de base.

