04/04/2013

O microciclo padrão no escalão de Infantis (Sub-13): Uma proposta metodológica


NOTA PRÉVIA: O presente texto foi publicado no número mais recente da Revista AF Algarve (n.º 72, Fevereiro / Março 2013).

Imagem: Capa da Revista AF Algarve, n.º 72, Fevereiro / Março 2013 (download pdf aqui). 
 
A Relevância do Microciclo nos Modelos de Periodização Atuais no Futebol
Nos jogos desportivos coletivos, onde se inclui o futebol, o tipo de periodização do treino não é idêntico ao comummente observado nos desportos individuais. Há algumas décadas atrás, era vulgar projetar e implementar estruturas de planeamento fortemente assentes no desenvolvimento das capacidades condicionais (i.e., força, velocidade, resistência e flexibilidade) no treino de modalidades coletivas. Tratando-se de desportos com estruturas de rendimento complexas, acabou por se perceber que os modelos de periodização clássicos eram bastante limitados. Por isso, a teoria e a metodologia do treino têm vindo a evoluir no sentido de dar resposta às necessidades, cada vez mais específicas e exigentes, desta tipologia de desportos, designadamente no que concerne ao alto rendimento. 

Particularmente no futebol, a lógica de ajustar a periodização ao calendário competitivo enfatizou o microciclo como estrutura fundamental de planeamento ao longo da época desportiva (Seirul-lo Vargas, 2001). A sua definição surge em função da distribuição cíclica dos jogos (competição), permitindo organizar e assegurar a coerência dos processos/conteúdos de treino numa determinada sequência de sessões, embora corresponda normalmente a uma semana de preparação. Nos modelos de periodização mais recentes, com destaque para a Periodização Tática, o desenvolvimento do “jogar” é concretizado mediante o estabelecimento de um microciclo padrão. Esta microestrutura é padronizada, contudo, os seus conteúdos não são estanques, nem tão pouco devem ser repetidos de forma rotineira. Segundo Guilherme Oliveira, citado por Silva (2008), o padrão semanal é basilar para a organização do processo, porém, após o jogo, é feita uma análise e elaborado um conjunto de objetivos a atingir na semana seguinte (dinâmica aquisitiva do “jogar”), pelo que os conteúdos e os meios de treino podem ser muito diversificados. A competição assume um papel determinante na configuração do padrão semanal, na medida em que se constitui como o meio mais fidedigno de identificar se o que o treinador pretende está ou não a ser conseguido, se as ideias estão ou não a ser transmitidas corretamente. 

Periodizar o Treino de Crianças/Jovens: Algumas Considerações
Não é novidade que o treino de jovens não se pauta pelos mesmos critérios da prática desportiva adulta. Apesar disso, a realidade mostra-nos um elevado grau de generalização dos modelos de periodização nos diferentes níveis de rendimento, inclusivamente nas diversas etapas de formação no futebol. Por exemplo, a Periodização Tática, que tem vindo a ganhar imensos seguidores na modalidade, tem sido aplicada indiscriminadamente tanto a equipas de elite, como a nível sénior no distrital e, disparatadamente, no treino com crianças/jovens com menos de 13 anos de idade.  

Vítor Frade, conhecido como o mentor da Periodização Tática, admite que este modelo de periodização deve ser introduzido somente a partir da fase de especialização, ou seja, do escalão de Iniciados (Sub-15) (Fonseca & Garganta, 2006). Esta ideia adquire significado uma vez que este modelo de periodização apresenta uma orientação conceptual e metodológica no sentido do alto rendimento. Portanto, não é o processo de formação de jovens na modalidade que está em causa, mas sim a organização da forma desportiva dos jogadores (o individual) e da equipa (o coletivo), no quadro de ações e comportamentos inerentes ao modelo de jogo pretendido pelo treinador. 

Treinar com intensidades elevadas desde o período preparatório da época não faz muito sentido no treino com crianças/jovens. Nos escalões de formação de base, a aprendizagem nas dimensões técnica e tática não é um processo imediato, requerendo mais o volume que a intensidade, no intuito de aperfeiçoar ações técnicas, desenvolver a capacidade de raciocínio tático, evitando, por outro lado, o insucesso que conduz à saturação, desistência e abandono do processo de treino e competição (Stafford, 2005). Outra questão essencial na formação do jovem praticamente é a relação estabelecida entre os princípios da multilateralidade e da especificidade. Ambos são importantes, porém, a sua importância relativa varia ao longo do processo; o treinador deve procurar consagrar cumulativamente o papel destes dois princípios no decurso de cada etapa de formação. Adotando a Periodização Tática, toma-se a especificidade como princípio orientador do treino, havendo pouco tempo para o trabalho de caráter geral ou multilateral. O treino em especificidade, que não é o “sempre em contacto com a bola”, como erradamente alguns treinadores referem, pode não ser uma condição exclusiva nos escalões de formação de base. O jogo deve ser o principal meio para promover a aprendizagem da modalidade, no entanto, o trabalho de cariz multilateral, ainda que reduzido ou moderado, pode ser benéfico a longo prazo ao pressupor um desenvolvimento equilibrado das capacidades condicionais e coordenativas nas designadas fases sensíveis ou intervalos ótimos de treinabilidade (Stafford, 2005; Martin et al., 2008).  

Por sua vez, é fulcral adequar os conteúdos a transmitir às características das crianças/jovens. A aprendizagem na dimensão tática é especialmente constrangida pelo desenvolvimento cognitivo e percetivo-motor dos jovens, devendo cingir-se, até ao escalão de Infantis (Sub-13), a pouco mais que aos princípios específicos (ofensivos e defensivos) e à noção estratégico-tática de jogar em triângulos, operacionalizados através de jogos reduzidos e/ou condicionados e formas jogadas. Importa dotar os mais jovens de simples regras de ação para solucionar problemas resultantes do contexto situacional do jogo e não propiciar, como na Periodização Tática, uma aquisição progressiva de princípios e subprincípios, conducentes a uma dinâmica organizada do “jogar” da equipa, em pleno respeito pelo modelo de jogo. Pretende-se que os jovens aprendam a pensar e a tomar decisões de forma autónoma, libertos de fatores extrínsecos que condicionem a manifestação do seu potencial individual, sejam eles o modelo de jogo a cumprir ou a obediência de instruções provenientes do treinador. 

Proposta Metodológica para o Escalão de Infantis (Sub-13)
Conforme visto anteriormente, a adoção de um modelo de periodização nos escalões de formação de base deve reger-se por pressupostos distintos dos que norteiam a prática adulta amadora ou de alto rendimento. Ainda assim, é possível encontrar ideias suscetíveis de serem adaptadas na periodização do treino com crianças/jovens. A figura 1 exibe uma proposta de microciclo padrão, estruturalmente baseado no paradigma da Periodização Tática, mas com conteúdos e respetiva organização adaptados ao escalão de Infantis (12-13 anos).

Figura 1. Proposta de microciclo padrão para o escalão de Infantis (Sub-13) com três treinos semanais (p.f., clique em cima da figura para ampliar). 
  
Esta proposta engloba três sessões semanais, cada uma com uma duração total entre os 75 e os 90 minutos. O domingo, a terça e a sexta-feira não constam na figura, sendo considerados dias de recuperação passiva, embora esta configuração possa, naturalmente, ser ajustada. De acordo com Rowland (2005), as crianças e os jovens pré-adolescentes tendem a recuperar mais rapidamente que os adultos, tanto em exercícios de intensidade elevada, como noutros de menor intensidade, devido a diferenças observadas nalguns parâmetros fisiológicos, o que leva a supor que os dias de repouso permitem a recuperação praticamente total para o treino ou competição seguinte.  

Relativamente às dimensões do treino, a sua importância relativa (%) procura dar resposta às necessidades básicas de treino multilateral e específico nestas idades. Ainda que Stafford (2005) proponha uma relação de 40/60, o microciclo proposto privilegia mais o princípio da especificidade, sendo a proporção igual ou superior a 35/65. Este escalão etário constitui uma etapa fundamental para a aprendizagem, pelo que na dimensão tático-técnica o treinador deve estimular a autonomia decisional dos jovens praticantes, sem grandes restrições estratégico-táticas, mediante duas abordagens: a descoberta guiada e a resolução de problemas contextuais do jogo. Adaptando os procedimentos da Periodização Tática, a evolução semanal nesta dimensão comporta três níveis:  

·      Dia 1 (fração intermédia do “aprender a jogar”): espaço e número de jogadores reduzidos; condicionantes/constrangimentos ao nível do número de passes, toques sobre a bola ou circulação da mesma por determinados corredores; diversidade de alvos; superioridade/inferioridade numérica (Gr+2v4+Gr); paragens pontuais para instruções/feedbacks sobre conceitos táticos simples; privilegiar a manutenção da posse de bola; princípios específicos do jogo ofensivo.

·      Dia 2 (grande fração do “aprender a jogar”): espaço e número de jogadores pouco reduzidos; igualdade numérica (Gr+5v5+Gr); condicionantes ligeiras ou inexistentes; poucas paragens; resolução de problemas de situações similares à competição; enfoque na organização setorial; referência aos princípios específicos do jogo defensivo.

·      Dia 3 (pequena fração do “aprender a jogar”): jogos mais reduzidos (3v3; Gr+2v2+Gr); condicionantes inexistentes, para libertar a criança/jovem de restrições tático-técnicas na sessão anterior ao jogo; elevada velocidade de decisão e execução; situações muito descontínuas; incidir prioridade na finalização; proporcionar combinações táticas; promover a aprendizagem de situações de bola parada (pontapés de canto, pontapés livres e lançamentos laterais); focalizar um ou outro princípio específico. 

No que concerne às capacidades condicionais e coordenativas, no Dia 1 a maior importância relativa é atribuída à força (geral e/ou específica), através de jogos lúdicos (“carrinho de mão”, “tração à corda”, “cavalitas”), estafetas (“pé coxinho”, “saltos a pés juntos”, “condução de bola com tração”, etc.) e circuitos (incluir exercícios com o próprio peso corporal, saltar barreiras/à corda) e, posteriormente, à flexibilidade (exercícios dinâmicos na fase preparatória). No Dia 2 o enfoque é dado à resistência e, em menor grau, à coordenação motora, promovendo-se o trabalho de habilidades motoras gerais e específicas em situações de jogo lúdico (apanhada), jogo pré-desportivo ou circuitos multiatividades. Por último, no Dia 3 privilegia-se o treino das diversas formas de manifestação da velocidade (geral e específica, cíclica e acíclica), por estarmos já no que Stafford (2005) menciona como intervalo ótimo de treinabilidade.  

Muito mais haveria para escrever sobre esta proposta. Outras decerto terão o seu mérito. É importante que reflitamos sobre a temática e que se partilhem experiências. Como avançar no sentido de definir modelos de organização do treino conducentes a um desenvolvimento mais equilibrado e efetivo dos jovens e que garantam níveis de rendimento cada vez mais elevados no futuro? E mesmo que poucos atinjam o alto rendimento, não é admissível negligenciarmos procedimentos que, a longo prazo, funcionem como elementos estruturantes da formação desportiva e cívica daqueles que, futebol à parte, constituirão o futuro da nossa sociedade: as crianças e os jovens. 

Referências
Fonseca, H., & Garganta, J. (2006). Futebol de rua: Um beco com saída. Do jogo espontâneo à prática deliberada. Lisboa: Visão e Contextos.
Martin, D., Carl, K., & Lehnertz, K. (2008). Manual de teoria do treinamento esportivo. São Paulo: Phorte Editora.
Rowland, T. W. (2005). Children’s exercise physiology (2nd Edition). Champaign, IL: Human Kinetics.
Seirul-lo Vargas, F. (2001). Nuestra entrevista del mes: entrevista de metodologia y planificación. Revista Training Fútbol, 65, I-XI.
Silva, M. (2008). O desenvolvimento do jogar, segundo a Periodização Táctica. Pontevedra: MCSports. 
Stafford, I. (2005). Coaching for long-term athlete development: To improve participation and performance in sport. Leeds: Sports Coach UK.

29/03/2013

Journal of Human Kinetics (Vol. 36)

Algures entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, o professor João Barreiros teve o condão de despertar a minha curiosidade para a investigação. Nas suas aulas de Metodologia de Investigação Científica, frisou que fazer um estudo para permanecer na biblioteca da faculdade, junto a tantas outras teses de mestrado e doutoramento, seria um investimento desperdiçado, em termos de recursos temporais, financeiros e humanos. O garante de qualidade e o respetivo retorno viriam com a publicação numa revista científica nacional ou, se possível, internacional. Naquele momento, das palavras do professor depreendeu-se um desafio a todos os alunos. Um bom desafio, pensei. 

Por ser a primeiro trabalho do género, demorou imenso a concluí-lo. Longe de ser um mar de rosas, fomos superando as sucessivas adversidades com que nos deparámos. Refiro-me na primeira pessoa do plural, porque foi um processo coletivo; estou certo que sozinho não teria sido possível. Entre submissões fracassadas, revisões, críticas, por vezes injustas, sugestões e reformulações, o conteúdo foi progressivamente melhorando. Fomos colhendo alguns frutos pelo caminho: um poster no World Congress on Science and Football (Japão, 2011), dois resumos nos Books of Abstracts do World Congress on Science and Football (2011) e do 16th Annual Congress of the European College of Sport Science (Liverpool, 2011) e um capítulo no livro Science and Football VII (2013). 

Agora, finalmente, é publicado o artigo integral no Journal of Human Kinetics. A cereja no topo do bolo, presente no volume 36 (março de 2013), secção III – “Sports Training”, deste periódico. Um paper que partilho com os coautores António Paulo Ferreira e Anna Volossovitch, professores da Faculdade de Motricidade Humana – Universidade Técnica de Lisboa, e cujo contributo foi inexcedível e precioso, durante mais de três anos. Como vem sendo habitual, assinalo a ocasião no Linha de Passe, deixando-vos o resumo (abstract) do artigo "Offensive sequences in youth soccer: Effects of experience and small-sided games" e o link através do qual poderão aceder, gratuitamente, à versão oficial da revista (ver referência).
 

Abstract 
The present study aimed to analyze the interaction and main effects of deliberate practice experience and small-sided game format (3 vs. 3 and 6 vs. 6 plus goalkeepers) on the offensive performance of young soccer players. Twenty-eight U-15 male players were divided into 2 groups according to their deliberate practice experience in soccer (i.e., years of experience in federation soccer): Non-Experienced (age: 12.84 ± 0.63 years) and Experienced (age: 12.91 ± 0.59 years; experience: 3.93 ± 1.00 years). The experimental protocol consisted of 3 independent sessions separated by one-week intervals. In each session both groups performed each small-sided game during 10 minutes interspersed with 5 minutes of passive recovery. To characterize the recorded offensive sequences we used the Offensive Sequences Characterization System, which includes performance indicators previous applied in other studies. No interaction effects on the offensive performance were found between both factors. Non-parametric MANOVA revealed that the factor “experience level” had a significant effect (p<0.05) on performance indicators that characterize the development of offensive sequences, especially in 6 vs. 6 + GKs. While experienced players produced longer offensive sequences with greater ball circulation between them, the non-experienced participants performed faster offensive sequences with a predominance of individual actions. Furthermore, significant differences were observed (p<0.05) in the development and finalization of offensive sequences within each group, when comparing small-sided game formats. Evidence supports that small-sided games can serve several purposes as specific means of training. However, the manipulation of game format should always consider the players’ individual constraints.

Key words: association football, constraints-led approach, performance, skill acquisition. 

Reference 
Almeida, C. H., Ferreira, A. P., & Volossovitch, A. (2013). Offensive sequences in youth soccer: Effects of experience and small-sided games. Journal of Human Kinetics, 36, 97-106. (pdf) 

Não podia deixar de endereçar a minha profunda gratidão aos professores, colaboradores, participantes, revisores, responsáveis pelas entidades envolvidas (Juventude Desportiva Monchiquense e Escola Básica 2,3 de Monchique) por, direta ou indiretamente, contribuírem para o produto final. 
 
Custou, durou, porém, a persistência e o esforço prevaleceram.

27/03/2013

A síndrome de Osgood-Schlatter no jovem atleta

Os benefícios decorrentes da prática de atividade desportiva desde idades jovens são bem conhecidos. Associado à atividade regular de uma dada modalidade desportiva, há, porém, um risco aumentado de lesão. Nos últimos três/quatro anos, enquanto treinador de futebol, tenho-me deparado com um número crescente de casos de jovens pré-adolescentes e adolescentes com fortes dores no(s) joelho(s) que, frequentemente, causam incapacidade e forçam os miúdos a parar.

O diagnóstico é quase sempre o mesmo: síndrome de Osgood-Schlatter. Trata-se de uma doença osteomuscular (e extra-articular) comum em adolescentes, predominantemente do género masculino, entre os 10 e os 15 anos. Embora a incidência seja menor, nas raparigas os casos tendem a suceder entre os 8 e os 13 anos e é crível que as diferenças para o género masculino diminuam à medida que aumenta o envolvimento das raparigas no desporto. De acordo com o recente artigo de revisão de Domingues (2013), este tipo de lesão afeta 1 em cada 5 adolescentes.
 
Basicamente, esta síndrome é caraterizada pela existência de uma espécie de nódulos dolorosos imediatamente abaixo do joelho, mais propriamente na inserção do tendão patelar (ou rotuliano), isto é, na tuberosidade anterior da tíbia. O stress mecânico provocado pelo tendão patelar, resultante da atividade contrátil do quadricípite, promove a separação parcial de fragmentos ósseos da tuberosidade anterior da tíbia e, consequentemente, ossículos dolorosos.
 
Imagem: Radiografia de um caso de Osgood-Schlatter (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Osgood-Schlatter).

Não é por acaso que a síndrome de Osgood-Schlatter acontece no período da vida acima mencionado. Durante a fase de desenvolvimento músculo-esquelético, as cartilagens de crescimento do osso – placas epifisárias – são muito mais vulneráveis à tensão mecânica induzida pela atividade contrátil dos músculos. Daí que, por exemplo, o treino regular de alta intensidade (corrida, saltos e outras ações dos membros inferiores) e o excesso de peso constituam fatores de risco inerentes ao surgimento da lesão. O futebol, o basquetebol, o voleibol e o atletismo são algumas das modalidades desportivas em que incidência de Osgood-Schlatter é mais referenciada (Domingues, 2013).

No cômputo geral, a dor no joelho cessa no final do período abrupto de crescimento (dura, aproximadamente, 2 anos) e as consequências de longo-prazo tendem a ser otimistas para a maioria dos jovens. A síndrome de Osgood-Schlatter é, portanto, temporalmente limitada e é expectável que ocorra uma recuperação completa com o “fechar” da placa de crescimento tibial. O tratamento deve incluir exercícios de terapia funcional com a expansão da musculatura isquiotibial, que é preferível relativamente à imobilização da articulação. Segundo Domingues (2013), esta medida é recomendada mesmo que ocorra a formação de ossículos que, no entanto, apenas se observam em 20-25% de todos os casos de Osgood-Schlatter. Em última instância, a cirurgia para remover os nódulos ósseos pode ser uma opção, mas apenas quando as medidas terapêuticas convencionais não são suficientes.
 
Os treinadores desportivos podem tomar algumas precauções para prevenir ou condicionar o aparecimento da lesão. A literatura é consensual acerca da prescrição regular de exercícios de alongamento muscular. Um bom aquecimento prévio da musculatura da coxa (quadricípites e isquiotibiais) e da articulação do joelho pode, também, minimizar os efeitos das ações locomotoras e específicas da modalidade desportiva na placa epifisária da tíbia. Crianças/jovens com excesso de peso devem ser encorajados a perder massa corporal e, por último, os jovens devem evitar realizar atividades/exercícios com cargas exageradas e que proporcionem um stress excessivo no tendão patelar (Domingues, 2013).

Referências
Domingues, M. (2013). Osgood Schlatter’s disease - A burst in young football players. Montenegrin Journal of Sports Sciences and Medicine, 2(1), 23-27.
Wikipédia (n. d.). Síndrome de Osgood-Schlatter. Retrieved March 27, 2013, from http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Osgood-Schlatter

19/03/2013

Science and Football VII

O livro Science and Football VII: The Proceedings of the Seventh World Congress on Science and Football está prestes a ser publicado pela editora Routlegde, do grupo Taylor & Francis. O lançamento está previsto para o próximo dia 29 de março.
 
 
Basicamente, é uma obra com enfoque na mais recente investigação científica numa variedade de desportos associados ao termo “football” (i.e. futebol), incluindo o futebol, o futebol americano, o futebol australiano, o futebol gaélico e o râguebi. Com o objetivo de estreitar a brecha entre a teoria e a prática, o livro contém uma série de artigos anteriormente apresentados no sétimo Congresso Mundial de Ciência e Futebol, realizado em maio de 2011, em Nagoya, Japão. É, portanto, uma ferramenta importante para todos os investigadores de ciências do desporto, treinadores, professores, psicólogos e outros profissionais que trabalham nestes códigos do futebol.
 
A título pessoal, é mais um volume que irei adicionar à minha biblioteca. Não apenas pela sua relevância científica e formativa, mas também porque, pela primeira vez, incluirá um capítulo em que sou coautor. Na sétima parte do livro – Training Science, Coaching and Psychology – podemos encontrar o capítulo 64: Offensive sequences in youth soccer: Experience and small-sided games effects. Este artigo resulta da minha tese de mestrado e é, neste âmbito, publicado com o precioso contributo dos professores António Paulo Ferreira, Anna Volossovitch e Ricardo Duarte, da Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Técnica de Lisboa.
 
Referência
Almeida, C. H., Ferreira, A. P., Volossovitch, A., & Duarte, R. (2013). Offensive sequences in youth soccer: Experience and small-sided games effects. In H. Nunome, B. Drust, & B. Dawson (Eds.), Science and football VII: The proceedings of the seventh world congress on science and football (pp. 403-408). London: Routledge, Taylor & Francis Group.
Link

17/02/2013

Futebol no World Press Photo 2013


Football in Guinea-Bissau
 
 
Foto: Daniel Rodrigues (fonte: http://www.worldpressphoto.org)

Daniel Rodrigues é português, desempregado e venceu recentemente o prémio da World Press Photo 2013, na categoria "Vida Quotidiana". De acordo com a descrição, a fotografia foi captada num "campo de futebol" improvisado num terreno que, no tempo colonial, foi ocupado pelo exército português.

Homens, mulheres, crianças e a bola, no meio do pó. Jogar faz parte da nossa condição humana e o potencial formativo de qualquer jogo desportivo coletivo é imenso. Para quem o futebol não passa de "vinte e dois malucos a correr atrás de uma bola", eis uma imagem da paixão que desperta um pouco por todo mundo. É universal. Um subterfúgio da guerra, da fome e da doença. Um meio privilegiado para educar os mais pequenos, para mediar conflitos e aglutinar multidões para as causas mais nobres. Tudo em torno de uma bola. Porque embora não esteja desprovido dos seus podres (violência, doping, adulteração de resultados, etc.), é muito mais aquilo que o futebol unifica do que separa.