28/02/2014

Uma dúvida existencial: o que é a experiência?

Hoje acordei com uma dúvida imensa. Talvez por sonhar não saber do que se trata a experiência, na sua verdadeira essência, decidi visitar o meu dicionário de Língua Portuguesa. As diversas possibilidades não me satisfizeram e, deste modo, tentei a minha sorte na web. Após longos minutos de busca, deparei-me com as palavras eruditas de um mestre.

- O que é isso «experiência»? - indagava ele com a sua posse emproada, só ao alcance de escassos seres humanos abençoados pelo dom da sabedoria.


Depois desta explicação, não mais voltarei a confiar o meu conhecimento à extensa lista de termos portugueses que consta num qualquer dicionário.

21/02/2014

Houve Volta em Monchique

Longe vão os tempos das míticas subidas ao alto da Foia, quando a Volta ainda era a de Portugal. A multidão aglomerava-se à beira da estrada para ver passar o pelotão e incentivar os seus preferidos. Eu, então miúdo, o que queria era as garrafas dos ciclistas; descer os cerros e meter-me pelas silvas adentro era, portanto, uma aventura com propósito bem definido.

Ontem, cruzei-me com a Volta – a do Algarve – e registei o momento.

Imagem: Chegada a Monchique na 2ª etapa da 40ª Volta ao Algarve.

Para a história fica a pedalada do português Rui Costa e o seu 2º lugar na etapa «Lagoa – Monchique», a escassos metros do polaco que triunfou. 

E o aparato? Fugaz, mas como há muito não se via pela vila…

28/01/2014

SICAL - «Na origem de um novo autor»

Um dia murcho de inverno. Esmorecido, como a «nevrinha» que teimava em cair, pedi um café. Comigo trouxe uma pequena lembrança:

Imagem: Nova coleção de pacotes de açúcar da SICAL ("Ecos da Loucura", um dos microcontos vencedores). 

Não mais voltei em mim.

26/01/2014

No «sul do mundo» de Luis Sepúlveda

Para o escritor chileno Luis Sepúlveda – um dos meus escritores preferidos – o «sul do mundo» fica na Patagónia. As suas viagens a este canto do globo deram origem a crónicas; da gaveta, as crónicas fizeram-se em livro, pelo menos, assim é narrado no Patagónia Express (Porto Editora, 2011). No meio do nada, ou no centro de tudo, «uma pessoa é de onde melhor se sente».

Imagem: A Patagónia na América do Sul (fonte: www.snegaiv.com).

Os livros, as crónicas, as dissertações de Luis Sepúlveda fazem-me sentir melhor. Sejam as palavras humor, saudade, política, cultura, tragédia ou felicidade, emanam o elevado sentido de humanidade do autor. Se bem escrever é sinónimo de saber colocar em texto as histórias, os segredos, as experiências, as valências e os defeitos que nos caracterizam enquanto seres humanos, então Luis Sepúlveda fá-lo com uma clareza notável:

– Boa tarde – cumprimentei.
– Isso é indiscutível. O que deseja, mister?
– Preciso de voar para Coca. Pode dizer-me o que tenho de fazer?
– Com certeza. Para voar basta agitar os braços, correr para ganhar balanço e encolher as patas. Mais alguma coisa?
(in Patagónia Express, 2011: 138)

Honestamente, sugiro-vos: leiam-no.

13/01/2014

Cristiano Ronaldo: O primeiro «bis» português na Bola de Ouro da FIFA

Oito dias após o falecimento de uma figura de proa do futebol português – o «pantera negra» Eusébio da Silva Ferreira – temos o primeiro craque deste país à beira-mar plantado a ser consagrado, pela segunda vez, com a distinção FIFA Ballon d’Or (Bola de Ouro da FIFA). Ele é Cristiano Ronaldo, ele é o FIFA World Player of the 2013, isto depois de já ter recebido o troféu homólogo em 2008.

Imagem: Cristiano Ronaldo, o Ballon d'Or de 2013 (fonte: showdebola.pt).

O “rei” Eusébio venceu em 1965, o “génio” Figo em 2000 e o “comandante” Cristiano Ronaldo inaugura o “bis” na bola de ouro para Portugal. Superou a concorrência do argentino Lionel Messi e do francês Franck Ribéry porque, de facto, foi o melhor jogador no ano transato. Se a campanha do Real Madrid esteve longe de satisfazer as expectativas dos adeptos, Cristiano Ronaldo mostrou que, mesmo num coletivo “frouxo”, consegue destacar-se e alcançar números impressionantes. Porém, nem só de golos vive o atacante português.

É um jogador talhado para desequilibrar o processo defensivo adversário. Quantos jogadores têm a sua velocidade (com e sem bola)? Quantos jogadores tratam a bola (dimensão técnica) como Cristiano Ronaldo? Nos tempos mais recentes, ao que não estará alheio o trabalho com José Mourinho e Carlo Ancelotti, tornou-se um jogador mais imprevisível, pois tanto pode servir o “coletivo”, como, individualmente, resolver os problemas contextuais do jogo. Os resumos mostram-nos os golos, mas Cristiano melhorou imenso a sua competência tática. Defensivamente, isso também foi e é evidente.

Esta evolução na dimensão tática aliada ao seu estrondoso potencial atlético, ao seu brilhantismo técnico e à sua enorme capacidade de finalização, faz de Cristiano Ronaldo um jogador altamente decisivo entre a elite do futebol mundial. Os contextos podem ser distintos, mas ele adapta-se, aparece e resolve. No ano de 2013 houve muito de fantástico de Cristiano Ronaldo. Mil e um vídeos poderiam ilustrar a sua qualidade; eu escolhi deixar-vos um pormenor delicioso do atual “melhor do mundo”:


No próximo mês fará 29 anos e tem francas possibilidades de ir ainda mais além. Apesar disso, não posso deixar de me questionar: daqui a quantos anos teremos outro jogador português a vencer duas vezes a Bola de Ouro da FIFA?