28/06/2026

Artigo do mês #78 – junho 2026 | Modelos de jogo no treino de futebol: uma perspetiva da dinâmica ecológica

Nota prévia: O artigo científico alvo da presente síntese foi selecionado em função dos seguintes critérios: (1) publicado numa revista científica internacional com revisão de pares; (2) publicado no último trimestre; (3) associado a um tema que considere pertinente no âmbito das Ciências do Desporto.

 

- 78 -

Autores: Jones, G., Kubayi, A., Stone, J. A., & Davids, K.

País: Inglaterra

Data de publicação: 27-maio-2026

Título: Game models in football coaching: an ecological dynamics perspective

Referência: Jones, G., Kubayi, A., Stone, J. A., & Davids, K. (2026). Game models in football coaching: an ecological dynamics perspective. International Journal of Performance Analysis in Sport, 1–18. Advance online publication. https://doi.org/10.1080/24748668.2026.2679371

  

Figura 1. Informações editoriais do artigo do mês 78 – junho de 2026.

 

Apresentação do problema

No futebol, o Modelo de Jogo é habitualmente entendido como uma estrutura que sustenta a forma de jogar de uma equipa e integra a filosofia do treinador, as características dos jogadores, os princípios táticos, a metodologia de treino e a identidade do clube (Plakias, 2023). Historicamente, tem servido para formalizar padrões de jogo, definir estruturas posicionais e orientar comportamentos em posse de bola, sem posse de bola e nas transições (Costa et al., 2011; Garganta, 1997; Guilherme, 2004). 

Apesar da sua utilidade, os Modelos de Jogo tradicionais podem assumir uma natureza excessivamente prescritiva. Quando reduzem o jogo a comportamentos previamente definidos, correm o risco de limitar a adaptação dos jogadores à variabilidade do contexto competitivo (Araújo & Davids, 2016; Ribeiro et al., 2019; Wellock, 2026). Práticas muito centradas na repetição de padrões podem diminuir a exposição à complexidade informacional do jogo e comprometer o desenvolvimento de decisões flexíveis e sensíveis ao contexto (Chow et al., 2015; Davids et al., 2022). 

A dinâmica ecológica oferece uma alternativa conceptual, ao compreender o rendimento como resultado da interação entre jogador e ambiente. Nesta perspetiva, os princípios táticos não funcionam como instruções rígidas, mas como convites funcionais para a ação (Ribeiro et al., 2019). Os jogadores devem aprender a reconhecer affordances, isto é, oportunidades de ação que emergem em função das capacidades do jogador, dos colegas de equipa, dos adversários, do espaço e das condições do jogo (Silva et al., 2014; Travassos et al., 2013; Vilar et al., 2012). 

À luz desta perspetiva, o Modelo de Jogo pode ser repensado como uma estrutura flexível de suporte, e não como um guião determinista. Em vez de prescrever sequências fixas, deve ajudar os jogadores a adaptar-se a constrangimentos dinâmicos e a informação em mudança, de maneira a favorecer a autonomia, a flexibilidade tática e a capacidade de resposta (Goes et al., 2019; He et al., 2023; Jordet et al., 2020). Esta visão deve ainda considerar os constrangimentos socioculturais do clube, incluindo valores, tradições e identidade coletiva (O’Sullivan et al., 2025; Woods et al., 2020). 

Assim, o artigo propõe uma perspetiva ecológica dos Modelos de Jogo como estrutura conceptual para orientar a conceção da prática. O objetivo não é abandonar a ideia de Modelo de Jogo, mas torná-lo mais funcional, representativo e adaptativo, no intuito de potenciar a relação perceção-ação, a auto-organização coletiva e a aprendizagem dos jogadores em contextos próximos da competição.

 

Repensar os modelos de jogo tradicionais: para uma abordagem adaptativa do jogo

A crescente complexidade do rendimento no futebol conduziu ao desenvolvimento dos Modelos de Jogo como forma de estruturar o jogo em princípios, fases e momentos que orientam a forma de jogar das equipas (Ribeiro et al., 2019). Apesar da sua ampla utilização, o conceito permanece pouco consensual na literatura e é frequentemente confundido com outros, como “estilo de jogo” (Game Style ou Playing Style), o que pode originar interpretações e aplicações inconsistentes na prática (Hewitt et al., 2016; Plakias, 2023). Acresce que a adoção de modelos assentes em tradições históricas ou identidades pouco definidas pode comprometer a sua adequação às características dos jogadores e às exigências contemporâneas da competição. A este propósito, o antigo treinador da Premier League inglesa, Sam Allardyce, recordou a sua passagem pelo West Ham United F.C.:

 

Assim que fui nomeado treinador, em 2011, instalou-se de imediato o grande debate sobre se iria seguir a “forma de jogar do West Ham”, algo que ninguém conseguia definir. Ainda assim, fosse ela qual fosse, diziam que eu não a praticava. Os adeptos estavam a ser levados a acreditar que, historicamente, o clube tinha um estilo de jogo muito próprio, semelhante ao do Barcelona, o que era um completo disparate.

(The Guardian, 2015)

 

A experiência relatada por Sam Allardyce evidencia o risco de adotar filosofias de jogo assentes em tradições ou identidades históricas pouco definidas. O problema não reside na existência de um Modelo de Jogo, mas na sua eventual desadequação às características dos jogadores e às exigências competitivas do momento (Tamarit, 2015; Tee et al., 2018). Nesta perspetiva, a dinâmica ecológica não rejeita a identidade ou a filosofia de jogo, mas defende que estas devem evoluir em função do contexto e das necessidades da equipa (Davids et al., 2013; He et al., 2023). Assim, o Modelo de Jogo deixa de constituir um conjunto rígido de comportamentos pré-definidos para assumir o papel de uma estrutura flexível que apoia a adaptação contínua dos jogadores e da equipa.

 

Fundações teóricas

A dinâmica ecológica assenta em conceitos como os constrangimentos (constraints), as affordances e o desenho representativo da prática (Representative Learning Design), que permitem compreender o rendimento no futebol como um fenómeno dinâmico e auto-organizado, resultante da interação contínua entre jogadores e ambiente (Araújo & Davids, 2016; Davids et al., 2008; Newell, 1986).

 

·     Compreendendo os constrangimentos

Na perspetiva da dinâmica ecológica, o comportamento dos jogadores emerge da interação entre constrangimentos individuais, da tarefa e do ambiente (Newell, 1986; Davids et al., 2008). Em vez de prescrever soluções táticas, o treinador manipula estes constrangimentos para criar contextos de prática que favoreçam a exploração, a adaptação e a emergência de comportamentos funcionais (Chow et al., 2015; Renshaw & Chow, 2019). 

No futebol, esta abordagem permite compreender o Modelo de Jogo como uma estrutura flexível e dinâmica. A manipulação de princípios táticos, responsabilidades posicionais, condições de jogo ou características dos jogadores proporciona a emergência de oportunidades de ação representativas da competição (Araújo et al., 2022; Pinder et al., 2011).

 

·     Affordances e comportamento adaptativo

Na perspetiva da dinâmica ecológica, as affordances correspondem às oportunidades de ação que emergem da interação entre o jogador e o ambiente e variam em função dos constrangimentos da tarefa (Araújo & Davids, 2009; Gibson, 1979). Neste enquadramento, o Modelo de Jogo deixa de constituir um conjunto de instruções rígidas para assumir o papel de uma estrutura flexível que apoia a adaptação dos jogadores às exigências do jogo, sem deixar de respeitar princípios táticos comuns. A tomada de decisão passa a assentar na perceção da informação relevante em cada momento, com base em relações entre perceção e ação que facilitam a transferência comportamental do treino para a competição (Araújo & Davids, 2016; Araújo et al., 2017; Button et al., 2021; Jordet et al., 2020).

 

·     Desenho representativo da prática

Na perspetiva da dinâmica ecológica, o treino deve privilegiar a adaptação às exigências do jogo, em detrimento da repetição de soluções técnicas ou táticas previamente definidas (Davids, 2024). Neste âmbito, o Modelo de Jogo orienta a conceção da prática e as intenções dos jogadores, sem prescrever comportamentos fixos. Por exemplo, um treino mais direcionado após transições ofensivas não deve assentar apenas na repetição de contra-ataques previamente ensaiados, mas na criação de tarefas representativas que desafiem os jogadores a reconhecer e explorar oportunidades de ação em função do espaço, do tempo e da oposição (Duarte et al., 2012; Seifert et al., 2014).

 

·     O feedback do treinador como desafio à aprendizagem

O feedback do treinador deve orientar a atenção dos jogadores para a informação relevante do jogo, em vez de prescrever soluções ou corrigir erros de forma isolada (Davids et al., 2008; Correia et al., 2019). Através de questões, desafios ou pistas, o treinador promove a exploração de diferentes soluções e reforça a capacidade de resolução de problemas em contextos representativos da competição (Juarrero, 2023; Otte et al., 2020). Conforme ilustrado na tabela 1, esta abordagem transforma o feedback num instrumento pedagógico que apoia a aprendizagem e concretiza o Modelo de Jogo sem limitar a autonomia dos jogadores (Woods et al., 2020).

 

Tabela 1. Fase de organização ofensiva (construção e finalização): princípios táticos e intenções baseadas em affordances (adaptado de Jones et al., 2026).

 

·     Uma perspetiva ecológica da análise do desempenho

Tradicionalmente, a análise do desempenho no futebol tem privilegiado indicadores isolados, como a posse de bola, a eficácia de passe ou o número de remates. Embora úteis, estas métricas nem sempre captam a natureza dinâmica e relacional do jogo (Bradley et al., 2014; Sarmento et al., 2022). A perspetiva da dinâmica ecológica propõe uma análise centrada nas interações entre jogadores e contexto, o que permite compreender de que forma os comportamentos táticos emergem durante a competição (Araújo et al., 2022; O'Sullivan et al., 2026). 

Desta maneira, indicadores coletivos como a ocupação do espaço, a sincronia entre jogadores ou a posição do centroide da equipa podem oferecer informação mais representativa sobre a coordenação coletiva e apoiar o aperfeiçoamento contínuo do Modelo de Jogo (Folgado et al., 2014; Frencken et al., 2011).

 

Para um novo Modelo de Jogo

Com base nos princípios da dinâmica ecológica, os autores propõem um novo enquadramento conceptual para o Modelo de Jogo, entendido como um sistema dinâmico de affordances que emergem da interação contínua entre jogadores, constrangimentos e contexto competitivo (Araújo et al., 2007; Chow et al., 2015; Renshaw et al., 2019). A Figura 2 representa o jogo como um fluxo contínuo de momentos interdependentes, afastando-se da visão tradicional que divide o jogo em fases discretas e sequenciais.

  

Figura 2. Representação conceptual do Modelo de Jogo proposto pelos autores, assente nos princípios da dinâmica ecológica (adaptado de Wellock et al., 2026).

 

Neste modelo, os momentos ofensivos, defensivos, de transição e de bola parada encontram-se permanentemente interligados. As transições assumem um papel central, não apenas como mudanças de posse de bola, mas como momentos privilegiados para reorganização coletiva, adaptação comportamental e exploração de novas oportunidades de ação. Os autores designam este espaço central por “Transition Nexus”, definido como um ponto de reajustamento percetivo e atencional perante alterações nas condições do jogo (Correia et al., 2019; Rietveld & Kiverstein, 2014). 

O modelo atribui igualmente relevância às intervenções externas, como o feedback do treinador, as decisões da equipa de arbitragem ou as interrupções do jogo, que podem desencadear novos processos de adaptação. Assim, os princípios táticos deixam de constituir comportamentos rígidos previamente definidos para assumirem o papel de constrangimentos facilitadores, capazes de orientar a coordenação coletiva sem comprometer a autonomia dos jogadores (Araújo et al., 2022; Button et al., 2020). 

Em síntese, os autores defendem que o Modelo de Jogo deve evoluir de um conjunto de padrões táticos prescritos para uma estrutura dinâmica, flexível e adaptativa, capaz de orientar a perceção, a tomada de decisão e a ação dos jogadores em função das exigências emergentes da competição. A aprendizagem passa a assentar na criação de contextos representativos que favoreçam a adaptação contínua dos jogadores às constantes mudanças do jogo (Araújo et al., 2022; Dann et al., 2024; Morris et al., 2022).

 

Conceção de ambientes de treino representativos para um desempenho adaptativo

Depois de apresentado o enquadramento conceptual, foi proposto um conjunto de orientações práticas para operacionalizar um Modelo de Jogo baseado na dinâmica ecológica. Em termos aplicados, são sugeridas 3 estratégias fundamentais: 

1. Conceber tarefas que preservem os principais constrangimentos da competição: os exercícios devem reproduzir os principais problemas que os jogadores enfrentam em competição, por forma a preservar as interações entre jogadores, espaço, tempo e objetivos do jogo (Davids et al., 2017; Duarte et al., 2012; Gray, 2021). Em vez de simplificar excessivamente a tarefa, importa criar contextos que obriguem os jogadores a percecionar informação relevante e a ajustar continuamente o comportamento. Quanto maior for a representatividade da tarefa, maior tenderá a ser a transferência da aprendizagem para a competição. 

2. Relacionar os princípios táticos com situações reais de jogo, em vez de sequências previamente definidas: os princípios táticos devem funcionar como referências para orientar o comportamento individual e coletivo, e não como movimentos obrigatórios ou previamente coreografados. O treino deve expor os jogadores a diferentes problemas do jogo para potenciar a descoberta de soluções adaptadas ao contexto. Promove-se, então, a flexibilidade tática, a autonomia na tomada de decisão e a capacidade de resposta perante situações imprevisíveis. 

3. Utilizar o feedback para orientar a atenção dos jogadores para a informação relevante e para as oportunidades de ação, sem prescrever soluções (Pimenta, 2014): o feedback do treinador deve recorrer preferencialmente a perguntas, pistas ou desafios que orientem a atenção dos jogadores para a informação mais relevante da situação de jogo ou da tarefa (tabela 2). Em vez de indicar exatamente o que fazer, importa ajudar os jogadores a identificar as oportunidades de ação disponíveis e a compreender as consequências das suas decisões. Esta estratégia pedagógica fomenta a aprendizagem, a autonomia e contribui para desenvolver jogadores mais adaptáveis às exigências da competição (Davids et al., 2022; Jones et al., 2021).

 

Tabela 2. Momento de transição defensiva: princípios táticos e intenções baseadas em affordances (adaptado de Jones et al., 2026).

 

Conclusão

O presente artigo propõe uma nova forma de compreender o Modelo de Jogo no futebol; concebe-o como uma estrutura flexível que orienta a ação coletiva sem limitar a capacidade de adaptação dos jogadores às exigências da competição. Segundo a proposta, os princípios táticos deixam de corresponder a comportamentos rígidos e passam a funcionar como referências comuns para a tomada de decisão individual e coletiva. Consequentemente, o papel do treinador também evolui. Para além de definir uma identidade coletiva, importa conceber ambientes de treino representativos, manipular constrangimentos, orientar a atenção dos jogadores através do feedback e criar condições que proporcionem a descoberta de soluções adequadas ao contexto do jogo. Mais do que substituir modelos tradicionais, esta perspetiva encoraja os treinadores e os clubes a repensar o Modelo de Jogo como um instrumento ao serviço da aprendizagem, da adaptação e do rendimento, sem perder a identidade que caracteriza cada equipa.

 

P.S.:

1-  As ideias que constam neste texto foram originalmente escritas pelos autores do artigo e, presentemente, traduzidas para a língua portuguesa;

2-  Para melhor compreender as ideias acima referidas, recomenda-se a leitura integral do artigo em questão;

3-  As citações efetuadas nesta rubrica foram utilizadas pelos autores do artigo, podendo o leitor encontrar as devidas referências na versão original publicada na revista International Journal of Performance Analysis in Sport.

28/05/2026

Artigo do mês #77 – maio 2026 | Jogos de grandes dimensões não replicam os cenários de maior exigência física, específicos por posição, dos jogos oficiais de futebol profissional

Nota prévia: O artigo científico alvo da presente síntese foi selecionado em função dos seguintes critérios: (1) publicado numa revista científica internacional com revisão de pares; (2) publicado no último trimestre; (3) associado a um tema que considere pertinente no âmbito das Ciências do Desporto. 

- 77 -

Autores: Herzig, L., Stöckert, J., Lochmann, M., & Rumpf, M. C.

País: Alemanha

Data de publicação: 2-abril-2026

Título: Large-sided games do not replicate the positional worst-case scenarios of official matches in professional football

Referência: Herzig, L., Stöckert, J., Lochmann, M., & Rumpf, M. C. (2026). Large-sided games do not replicate the positional worst-case scenarios of official matches in professional football. Frontiers in Sports and Active Living, 8, 1797322. https://doi.org/10.3389/fspor.2026.1797322

  

Figura 1. Informações editoriais do artigo do mês 77 – maio de 2026.

 

Apresentação do problema

No futebol, preparar os jogadores para as exigências físicas do jogo oficial implica ir além dos valores médios registados ao longo dos 90 minutos. Devido à natureza intermitente da modalidade, os momentos de maior intensidade podem ficar diluídos quando se analisam apenas médias por minuto. Por este motivo, a investigação tem valorizado o conceito de Worst-Case Scenario (“cenário de maior exigência física”), entendido como o período mais intenso de jogo dentro de uma determinada janela temporal (Lobo-Triviño et al., 2025; Oliva-Lozano et al., 2020). Estas janelas temporais variam frequentemente entre 1, 3 e 5 minutos, sendo comum observar valores físicos mais elevados nas durações mais curtas (Rico-González et al., 2022). 

A relevância dos cenários de maior exigência física não se limita à identificação dos picos de intensidade. Estudos prévios indicaram que, após estes períodos, o desempenho físico dos jogadores pode diminuir, sobretudo em variáveis locomotoras como a corrida de alta velocidade (Fang et al., 2024; Ju et al., 2022; Schimpchen et al., 2020). Esta quebra pode comprometer ações decisivas, como recuperações defensivas, pressões sobre o portador da bola, coberturas ou movimentos de apoio ofensivo (Ju et al., 2022). Assim, atenuar o impacto da fadiga após momentos de elevada exigência torna-se essencial para otimizar o rendimento físico e tático dos jogadores (Díez et al., 2025; Douchet et al., 2025; de Dios-Álvarez et al., 2023). 

Do ponto de vista prático, jogos de pequena, média e grande dimensão têm sido amplamente utilizados no treino, por permitirem integrar exigências físicas, técnicas e táticas em tarefas próximas do jogo (Chena et al., 2022; Hill-Haas et al., 2011; Sydney et al., 2022). Um fator decisivo nestas tarefas é a área relativa por jogador, uma vez que o aumento do espaço tende a elevar a exigência física, sobretudo nas variáveis locomotoras (Rumpf et al., 2025). Em particular, os maiores formatos de jogo parecem mais adequados para estimular deslocamentos a velocidades elevadas, desde que a área relativa por jogador se aproxime da observada no formato oficial (Lacome et al., 2018; Riboli et al., 2020, 2023a, 2023b).



 Figura 2. Exemplos de jogos de pequena, média e grande dimensão e respetiva área relativa por jogador (Lacome et al., 2018; Riboli et al., 2020, 2023a, 2023b; imagem não publicada pelos autores).

 

Apesar destes avanços, permanece por esclarecer se os jogos de grande dimensão conseguem reproduzir os cenários de maior exigência física do jogo oficial, em diferentes durações e de acordo com as exigências específicas de cada posição. Assim, o presente estudo procurou analisar se os cenários de maior exigência física de 1, 3 e 5 minutos observados em jogos oficiais podem ser replicados em jogos ampliados, com área relativa por jogador semelhante à observada em competição, considerando as exigências locomotoras e mecânicas específicas de cada posição.

 

Métodos

 

·     Participantes

Participaram no estudo 21 jogadores masculinos de futebol pertencentes à equipa secundária de um clube alemão da 2. Bundesliga. A equipa competia na quarta divisão alemã e realizava 5 sessões de treino semanais, além de um jogo oficial por semana. Apenas jogadores de campo sem lesões nos 6 meses anteriores e com participação mínima de 80% nos treinos foram incluídos na análise. Nos jogos oficiais, apenas foram considerados os jogadores titulares que completaram os 90 minutos. Os jogadores foram agrupados por posição específica: defesas centrais, laterais, médios-centro, médios-ala e avançados. Os guarda-redes foram excluídos devido às exigências específicas da posição. Todos os participantes deram consentimento informado, e os dados foram anonimizados antes da análise.

 

·     Amostra

O estudo decorreu durante 19 semanas da segunda metade da época 2024/2025. Todas as sessões realizaram-se em relva natural, sempre no mesmo período do dia e a 3 dias do jogo oficial (MD-3), de acordo com estratégias habituais de periodização no futebol (Buchheit et al., 2021; Morgans et al., 2023). Foram analisados 17 jogos oficiais e 2 formatos de jogos de grande dimensão: 9v9 e 10v10, ambos com área relativa por jogador semelhante à competição oficial (≈320 m2). 

Os jogos foram organizados em 2 a 4 séries, com duração média aproximada de 15 minutos e pausas passivas de 2 a 5 minutos entre séries. No total, registaram-se 698 observações individuais (126 em jogos oficiais e 570 em jogos de grande dimensão), distribuídas por diferentes posições específicas (defesas centrais, laterais, médios-centro, médios-ala e avançados). 

Os jogos seguiram as regras formais do futebol, incluindo a lei do fora de jogo. Para aumentar a continuidade do exercício, as interrupções foram retomadas rapidamente e colocaram-se bolas suplementares ao redor do campo. A equipa de investigação forneceu encorajamento verbal durante os exercícios para manter elevada intensidade de participação (de Dios-Álvarez et al., 2024).

 

·     Recolha de dados

As exigências físicas dos jogos de treino e oficiais foram monitorizadas através de dispositivos GPS de 10 Hz, utilizados individualmente por cada jogador para reduzir diferenças entre unidades (Riboli et al., 2020). Os dados foram posteriormente analisados através de software específico, tendo estes sistemas demonstrado elevada validade e fiabilidade para variáveis locomotoras e mecânicas (Cormier et al., 2023; Crang et al., 2024; Mackay et al., 2025). 

As variáveis analisadas incluíram distância total percorrida, corrida de velocidade moderada (14,4–19,7 km/h), corrida de alta velocidade (19,8–25,1 km/h), sprint (>25,2 km/h), acelerações e desacelerações de baixa, moderada e elevada intensidade (Cotteret et al., 2025). Para identificar os cenários de maior exigência física, os autores utilizaram o método de médias móveis (rolling average) em períodos de 1, 3 e 5 minutos, tanto nos jogos oficiais como nos jogos de grande dimensão (Lacome et al., 2018; Martin-Garcia et al., 2019; Rico-González et al., 2022).

 

·     Análise estatística

Os dados foram analisados no software R, com apresentação de estatísticas descritivas (média ± desvio-padrão). Para comparar jogos de grande dimensão e jogos oficiais nos diferentes cenários de maior exigência física (1, 3 e 5 minutos), os autores recorreram a modelos lineares mistos, adequados para dados repetidos e desequilibrados (Bates et al., 2015; Winter, 2013). As análises consideraram o formato de jogo e a posição dos jogadores, com correção de Bonferroni para comparações múltiplas. A magnitude das diferenças foi interpretada através do tamanho do efeito de Cohen’s d: trivial (<0,10), pequeno (0,10– 0,29), moderado (0,30–0,49), grande (0,50–0,69) e muito grande (>0,70) (Cohen, 1988).

 

Principais resultados

Esta secção sintetiza os principais resultados do estudo relativos às exigências locomotoras e mecânicas observadas nos cenários de maior exigência física em jogos oficiais e jogos de grande dimensão.

 

·     Variáveis locomotoras nos cenários de maior exigência física

As exigências locomotoras revelaram-se sistematicamente inferiores nos jogos de grande dimensão quando comparadas com os jogos oficiais, independentemente da posição dos jogadores e da duração analisada (1, 3 ou 5 minutos). Variáveis como a distância total percorrida, a corrida de velocidade moderada, a corrida de alta velocidade e o sprint apresentaram reduções consistentes nos jogos de treino.

 

·     Variáveis mecânicas nos cenários de maior exigência física

As exigências mecânicas também foram inferiores nos jogos de grande dimensão, sobretudo nas acelerações e desacelerações de intensidade moderada e elevada. As maiores discrepâncias verificaram-se nos períodos de 1 minuto e em posições como defesas centrais, médios-centro e médios-ala. Em contraste, os laterais apresentaram resultados menos consistentes em algumas variáveis.

 

·     Influência da posição específica e da duração dos períodos analisados

As diferenças entre jogos oficiais e jogos de grande dimensão variaram em função da posição específica e da duração dos cenários analisados. Os períodos mais curtos concentraram maiores exigências físicas e evidenciaram discrepâncias mais acentuadas entre treino e competição. Além disso, posições com maior envolvimento em ações intensas de aceleração, desaceleração e corrida de alta velocidade apresentaram diferenças mais pronunciadas.

 

Aplicações práticas

Os resultados do estudo evidenciam limitações dos jogos de grande dimensão na reprodução dos cenários de maior exigência física observados na competição oficial. De seguida, expõem-se 4 aplicações práticas relevantes para o treino no futebol:

 

1. Complementar os jogos de grande dimensão com exercícios específicos de corrida: apesar da elevada especificidade tática dos jogos mais amplos, estes formatos revelaram limitações na reprodução das exigências locomotoras máximas do jogo oficial, sobretudo em corrida de alta velocidade e sprint. A inclusão de exercícios específicos de corrida pode contribuir para submeter os jogadores a estímulos mais próximos dos cenários competitivos. 

2. Utilizar jogos de pequena e média dimensão para promover acelerações e desacelerações intensas: formatos com menor número de jogadores tendem a aumentar a frequência de ações explosivas, como acelerações e desacelerações de elevada intensidade. Estes exercícios podem constituir uma estratégia mais eficaz para replicar exigências mecânicas máximas observadas na competição. 

3. Individualizar os estímulos de treino em função da posição específica: as exigências locomotoras e mecânicas variaram de acordo com a posição dos jogadores e com a duração dos períodos analisados. O treino deve considerar estas diferenças, ajustando volumes, intensidades e tipos de exercício às exigências específicas de cada função em jogo. 

4. Ajustar o formato e a área relativa por jogador em função do objetivo do exercício: aumentar apenas a área relativa por jogador pode não ser suficiente para reproduzir os cenários mais exigentes da competição. A seleção do formato de jogo deve considerar simultaneamente o número de jogadores, o espaço disponível, a duração das séries e o tipo de exigência física que se pretende desenvolver.

 

Conclusão

Os resultados do estudo demonstraram que jogos de grande dimensão em formatos 9v9 e 10v10, mesmo com área relativa por jogador semelhante à competição oficial, revelaram capacidade limitada para reproduzir os cenários de maior exigência física observados em jogos oficiais Os valores das variáveis locomotoras permaneceram inferiores nos períodos de 1, 3 e 5 minutos, sobretudo nas ações de corrida de alta velocidade e sprint. Também as exigências mecânicas associadas a acelerações e desacelerações intensas tenderam a ser inferiores nos jogos de treino, embora com algumas variações em função da posição específica e da duração analisada. As evidências reiteram a necessidade de complementar os jogos de grande dimensão com estratégias de treino ajustadas às exigências da competição oficial.

 

P.S.:

1-  As ideias que constam neste texto foram originalmente escritas pelos autores do artigo e, presentemente, traduzidas para a língua portuguesa;

2-  Para melhor compreender as ideias acima referidas, recomenda-se a leitura integral do artigo em questão;

3-  As citações efetuadas nesta rubrica foram utilizadas pelos autores do artigo, podendo o leitor encontrar as devidas referências na versão original publicada na revista Frontiers in Sports and Active Living.

30/04/2026

Artigo do mês #76 – abril 2026 | Tendências contemporâneas dos dispositivos táticos e do sucesso das equipas nas principais ligas europeias de futebol

Nota prévia: O artigo científico alvo da presente síntese foi selecionado em função dos seguintes critérios: (1) publicado numa revista científica internacional com revisão de pares; (2) publicado no último trimestre; (3) associado a um tema que considere pertinente no âmbito das Ciências do Desporto.

- 76 -

Autores: Tokul, E., Özçillingir, Ö. M., Kaya, K., Yilmaz, E. A., Saray, D., Agascioglu, E. A., Demirli, A., & Erdem, K.

País: Turquia

Data de publicação: 27-março-2026

Título: Contemporary trends in tactical formations and team success in Europe’s top-tier football leagues: a comparative analysis

Referência: Tokul, E., Özçillingir, Ö. M., Kaya, K., Yilmaz, E. A., Saray, D., Agascioglu, E. A., Demirli, A., & Erdem, K. (2026). Contemporary trends in tactical formations and team success in Europe’s top-tier football leagues: a comparative analysis. BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation. Advance online publication. https://doi.org/10.1186/s13102-026-01657-1

  

Figura 1. Informações editoriais do artigo do mês 76 – abril de 2026.

 

Apresentação do problema

Os dispositivos táticos no futebol constituem elementos estruturais que influenciam a organização espacial das equipas, a ocupação do campo e a dinâmica do jogo. Para além de definirem o posicionamento inicial dos jogadores, condicionam a dinâmica ofensiva e defensiva e refletem a estratégia global da equipa (Rein & Memmert, 2016; Plakias et al., 2023). Neste sentido, assumem um papel central na forma como o jogo é construído e interpretado. 

Nos últimos anos, a evolução tecnológica tem permitido analisar estas estruturas de forma mais objetiva. O recurso a sistemas de rastreamento, análise posicional e inteligência artificial tem ampliado a capacidade de quantificar padrões táticos e relacioná-los com o desempenho competitivo (Plakias et al., 2023; Mesoudi, 2019). Apesar destes avanços, continuam a ser escassos os estudos que comparam, de forma sistemática, as preferências estratégico-táticas entre as principais ligas europeias e a sua associação com o sucesso desportivo (Lago-Peñas et al., 2023). 

A análise do rendimento no futebol assenta na observação sistemática dos comportamentos que emergem durante o jogo, permitindo compreender a interação entre indicadores individuais e a organização coletiva (Sarmento et al., 2014). Aspetos como a pressão alta, a construção desde o setor defensivo ou a eficácia nos duelos integram a matriz funcional das equipas e articulam-se com o dispositivo tático adotado. Estas estruturas táticas de base não só definem funções posicionais, como traduzem a identidade de jogo das equipas e das próprias ligas (Memmert et al., 2021; Forcher et al., 2022). 

O contexto atual do futebol, marcado por um ritmo de jogo mais elevado, calendários congestionados e maior diversidade de adversários, tem incentivado a adaptação e a variação dos dispositivos táticos ao longo da época (Yi et al., 2020; Guedea-Delgado et al., 2019). Embora estruturas clássicas como o 4-3-3, 4-2-3-1 e 4-4-2 se mantenham predominantes (Figura 2), a sua utilização apresenta oscilações em função das dinâmicas competitivas de cada liga (Sarmento et al., 2014).

 

Figura 2. Exemplos de dispositivos táticos predominantes no futebol contemporâneo (fonte: www.whoscored.com; imagem não publicada pelos autores).

 

Posto isto, compreender de que forma os dispositivos táticos se relacionam com o sucesso competitivo assume particular relevância. O presente estudo procurou (i) identificar os dispositivos táticos utilizados na época 2023/2024 nas principais ligas europeias, (ii) analisar a sua relação com a classificação das equipas e (iii) comparar padrões entre ligas. As evidências reunidas permitem extrair implicações práticas relevantes para treinadores e investigadores (Lago-Peñas et al., 2023).

 

Métodos

 

·     Desenho do estudo

Estudo descritivo retrospetivo que analisou os dispositivos táticos nas principais ligas europeias sob 3 perspetivas: (i) identificação dos dispositivos utilizados, (ii) relação entre dispositivos e classificação final das equipas e (iii) comparação entre ligas (Rein & Memmert, 2016).

 

·     Amostra

Foram analisados dados da época 2023/2024 em 6 ligas europeias (Inglaterra, Alemanha, Espanha, França, Itália e Turquia), num total de 2132 jogos. Cada equipa foi considerada como unidade de análise, resultando em 4038 observações após inclusão de alterações táticas durante os jogos. Foram excluídas situações com inferioridade numérica prolongada (>45 min) e dispositivos utilizados por menos de 15 minutos. Os guarda-redes não foram considerados na análise. 

Para analisar a relação entre dispositivos táticos e sucesso competitivo, as equipas foram agrupadas em 4 níveis de desempenho, definidos com base na classificação final e nos critérios de qualificação para competições da UEFA (Bradley et al., 2013): (i) qualificação para a Liga dos Campeões, (ii) qualificação para Liga Europa/Conference League, (iii) meio da tabela e (iv) despromoção. Os intervalos de classificação variaram ligeiramente entre ligas, de acordo com a sua estrutura competitiva.

 

·     Recolha de dados

Os dados sobre dispositivos táticos foram obtidos a partir da OPTA Sportsdata e validados com a plataforma fbref.com. Foram identificados 18 dispositivos utilizados na época 2023/2024, depois agrupados em 8 categorias principais com base em semelhanças estruturais. Esta classificação contou com o contributo de treinadores certificados (UEFA A e B), reforçando a validade técnica da categorização. As classificações finais das ligas foram recolhidas nos websites oficiais das federações.

 

·     Análise estatística

A análise estatística foi realizada com recurso ao SPSS (versão 25) e Excel. A normalidade dos dados foi verificada através do teste de Kolmogorov–Smirnov. Para comparar médias de pontos por jogo entre ligas e dispositivos táticos, utilizou-se uma ANOVA. As diferenças na distribuição dos dispositivos entre as ligas foram analisadas com o teste do qui-quadrado. O nível de significância foi definido em p < 0.05.

 

Principais resultados

Apresentam-se, de seguida, os principais resultados do estudo, organizados em função da distribuição dos dispositivos táticos, das variações entre ligas e da sua relação com o sucesso competitivo.

 

·     Distribuição e eficácia dos dispositivos táticos

O 4-2-3-1 foi o dispositivo mais utilizado no conjunto das 6 ligas europeias, o que evidencia uma forte predominância no futebol atual. No entanto, o dispositivo 3-4-3 apresentou o melhor rendimento médio em termos de pontos por jogo, destacando-se como o mais eficaz entre as estruturas analisadas (Figura 3). Em contraste, dispositivos mais conservadores, como o 5-4-1, associaram-se a menor rendimento competitivo. Ainda assim, as diferenças globais entre dispositivos táticos revelaram-se relativamente reduzidas, o que sugere um impacto limitado da estrutura tática isolada no desempenho.

 

Figura 3. Frequência de utilização (MAÇ) e pontos médios por jogo (OP) dos dispositivos táticos nas principais ligas europeias (2023/2024). Cada gráfico corresponde a uma liga: Itália (Serie A), Turquia (Super League), Inglaterra (Premier League), Espanha (La Liga), Alemanha (Bundesliga) e França (Ligue 1) (adaptado de Tökul et al., 2026).

 

·     Diferenças entre ligas nas preferências de estruturas táticas de base

As preferências por dispositivos táticos variaram de forma clara entre ligas. O 4-2-3-1 destacou-se como o sistema mais utilizado em todas as competições, com especial incidência na liga turca. O 3-4-3 apresentou maior expressão na Bundesliga e na Serie A, enquanto o 4-4-2 foi mais frequente na La Liga. Também se observaram variações em dispositivos menos utilizados, como o 5-3-2, mais presente em Itália. Estas diferenças demonstram identidades estratégico-táticas distintas entre as ligas.

 

·     Relação entre dispositivos táticos e sucesso competitivo

A associação entre o dispositivo tático utilizado e o nível de sucesso das equipas revelou-se reduzida. Embora algumas tendências tenham sido identificadas – como a maior utilização do 3-4-3 em equipas despromovidas e menor presença em equipas qualificadas para competições europeias – não se verificou um padrão consistente. As diferenças de rendimento entre dispositivos táticos foram pouco expressivas, e a respetiva influência mostrou-se limitada quando considerada de forma isolada face a outros fatores contextuais que influenciam o desempenho competitivo.

 

Aplicações práticas

Os resultados do estudo evidenciam que a escolha do dispositivo tático, por si só, não determina o sucesso competitivo e deve ser enquadrada nas características dos jogadores, no contexto competitivo e nas exigências do modelo de jogo. Apresentam-se, de seguida, 4 aplicações práticas para enquadramento técnico e estratégico: 

1. Adequar o dispositivo tático ao perfil e às exigências do plantel: estruturas como o 3-5-2 ou o 3-4-3 podem associar-se a bons indicadores de rendimento, mas exigem perfis específicos, em particular médios-ala capazes de responder às exigências ofensivas e defensivas. A sua implementação requer também elevados níveis de condição física, leitura de jogo e flexibilidade posicional. A eficácia destes dispositivos depende da qualidade e da adequação do plantel. 

2. Privilegiar dispositivos equilibrados e adaptáveis ao contexto competitivo: estruturas como o 4-2-3-1, 4-3-3 e 4-4-2 mantêm-se amplamente utilizadas devido ao seu equilíbrio entre organização defensiva e capacidade ofensiva. A sua utilização consistente sugere que a estabilidade estrutural e a versatilidade funcional constituem fatores relevantes na adaptação a diferentes contextos competitivos. 

3. Introduzir variabilidade estratégica no uso dos dispositivos táticos: a alternância entre diferentes estruturas táticas ao longo do jogo ou ao longo da época pode aumentar a imprevisibilidade da equipa e dificultar a adaptação do adversário. A capacidade de ajustar o dispositivo tático em função do contexto competitivo, do adversário ou da fase do jogo constitui um recurso estratégico relevante no futebol contemporâneo. 

4. Utilizar estruturas mais defensivas de forma contextual e estratégica: dispositivos com linhas defensivas mais densas, como o 5-3-2 e o 5-4-1, tendem a associar-se a menor rendimento ofensivo. A sua utilização deve responder a necessidades específicas do jogo, como controlo defensivo ou gestão de resultado, e não constituir uma opção estrutural dominante ao longo da época.

 

Conclusão

Os resultados indicam que os dispositivos táticos se associam ao sucesso competitivo, embora essa relação dependa do contexto competitivo, do perfil dos jogadores e das dinâmicas específicas de cada liga. Estruturas táticas equilibradas e adaptáveis, como o 4-2-3-1, mantiveram uma elevada utilização e um bom rendimento, o que evidencia a importância do equilíbrio entre organização defensiva e capacidade ofensiva no futebol contemporâneo. Por outro lado, estruturas mais ofensivas, como o 3-4-3, apresentaram indicadores de eficácia elevados, ainda que com menor consistência de utilização entre ligas. Por sua vez, estruturas mais defensivas apresentaram menor expressão e eficácia. A eficácia de um dispositivo tático resulta da sua adequação ao contexto e da qualidade da sua implementação, e não apenas das suas características estruturais.

 

P.S.:

1-  As ideias que constam neste texto foram originalmente escritas pelos autores do artigo e, presentemente, traduzidas para a língua portuguesa;

2-  Para melhor compreender as ideias acima referidas, recomenda-se a leitura integral do artigo em questão;

P.S.:

1-  As ideias que constam neste texto foram originalmente escritas pelos autores do artigo e, presentemente, traduzidas para a língua portuguesa;

2-  Para melhor compreender as ideias acima referidas, recomenda-se a leitura integral do artigo em questão;

3-  As citações efetuadas nesta rubrica foram utilizadas pelos autores do artigo, podendo o leitor encontrar as devidas referências na versão original publicada na revista BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation.