09/06/2016

All-Time Euro 11 (by UEFA)

Figura 1. O melhor 11 de sempre a atuar em campeonatos europeus (fonte: uefa.com).

Goste-se ou não, os 11 jogadores da Figura 1 foram eleitos para a melhor equipa de sempre a atuar em campeonatos europeus de seleções. A votação decorreu no sítio oficial da UEFA (uefa.com) e, na minha ideia, não estaria um 11 muito diferente deste.

Que maravilhas fariam estes senhores se efetivamente tivessem jogado todos juntos na mesma equipa?

26/05/2016

Homenagem aos Infantis A do Portimonense SC, Época 2015/2016

No início desta época – 2015/2016 – foi-me proposto um novo desafio como treinador: colaborar com o Portimonense SC no escalão de Infantis (Sub-13). Algum tempo depois, viemos a saber que a Associação de Futebol do Algarve iria lançar, pela primeira vez na história do futebol na região, a modalidade Futebol 9 para o escalão etário em questão. Após nove épocas consecutivas a treinar miúdos no Futebol 7 (2005/2006 – 2013/2014) e uma época no Futebol 11 (2014/2015), este constituía um desafio suplementar, marcado pela novidade.

Figura 1. Plantel dos Infantis A (Sub-13) do Portimonense SC, 2015/2016.
(em falta 9 elementos dos Infantis C que também se sagraram campeões).

Os desafios foram ultrapassados de uma forma absolutamente gratificante, fruto do talento dos nossos jovens praticantes mas, sobretudo, da sua capacidade de trabalho e solidariedade. A atitude é essencial para vingarmos em qualquer área da sociedade e no desporto essa premissa não foge à regra. Se é óbvio que o trabalho de um treinador de formação deve assentar no aperfeiçoamento das capacidades individuais da criança/jovem, não é menos verídico que o desenvolvimento de competências sociais deve ser convenientemente ponderado. A atitude para colaborar, cooperar e ser solidário com os companheiros de equipa é mais determinante do que se pensa no desporto, em particular nos desportos coletivos, nos quais a base do sucesso individual é e será sempre o êxito coletivo. Deste modo, apresentámos a época como uma corrida («RACE») em que os vencedores se pautam por R – Respeito, A – Aprendizagem, C – Cooperação e E – Empenho. E o grupo que formámos foi forte, muito forte mesmo, o que foi bastante evidente nos poucos momentos menos bons com que nos deparámos. Não tenho dúvida que foi a chave para uma temporada memorável: 26 jogos e 26 vitórias no Campeonato Distrital de Infantis – Futebol 9 (figura 2); vencedores do torneio Albufeira EuroCopa 2016 (Futebol 11) e do Torneio Centenário – Cidade de Portimão 2016 (Futebol 9).

Figura 2. Classificação final no Campeonato Distrital de Infantis - Futebol 9 (AF Algarve).

Os números valem o que valem nestas idades e os títulos são meros incentivos para um futuro que é por demais incerto e tantas vezes cruel. A noção de que o respeito, a cooperação e o empenho em prol de objetivos comuns compensam e produzem resultados práticos foi a melhor lição de todas e serve para a vida. As estatísticas dizem que apenas uma percentagem irrisória de jovens praticantes se tornam profissionais de futebol, mas é legítimo que todos estes jovens continuem a nutrir o sonho de jogar em grandes palcos, porque «o sonho comanda a vida» e «quando o Homem sonha, a obra nasce», contudo, sem nunca descurar a formação académica.

Pessoalmente, enfatizo a aprendizagem recíproca no seio do grupo, a amizade e, claro está, o gosto pela prática do bom futebol: o jogo de triângulos, as combinações táticas ofensivas, as coberturas, os equilíbrios e as saídas de zonas de pressão. A homenagem da equipa técnica, na qual estão incluídos João Liberal (treinador adjunto), António Sagreiro (treinador de guarda-redes), José Pio e Pedro Simões (delegados), a estes jovens surge sob a forma de imagens. Eis aqueles que foram eleitos os dez melhores golos no campeonato distrital; memórias bonitas que irão perdurar pela posterioridade, fazendo jus ao nosso lema: «se jogarmos para equipa, a equipa, mais cedo ou mais tarde, jogará para nós».


Parabéns a todos, em especial aos nossos rapazes. Força, Portimonense!

18/05/2016

Uma década de Linha de Passe

Faz hoje dez anos que escrevi a «Reflexão Inicial”. Faz hoje dez anos que surgiu a analogia com um qualquer jogo desportivo coletivo: «a vida não é mais que uma questão de linhas de passe». Uma analogia que serve de mote para este blogue.

Figura. Décimo aniversário do blogue Linha de Passe.

Entretanto, abriram-se múltiplas linhas de passe, fecharam-se outras tantas. Por vezes, o passe chegou ao destinatário, noutras ocasiões foi um fracasso total. Dez anos de alegrias, tristezas, pensamentos existenciais, homenagens, textos técnicos e um punhado de publicações de cariz científico. A minha cara-metade, que teve a santa paciência de ler todos os 370 textos escritos, diz que mudei ao longo dos anos. Que cresci e amadureci. Quis o destino que o dia 18 de maio fosse também o nosso dia, tal como o dia do Linha de Passe.

Haja temas para, pelo menos, mais dez anos de Linha de Passe. Haja saúde para, no mínimo, mais cinquenta com o meu amor Patrícia; a melhor linha de passe que a vida me proporcionou.

08/05/2016

O «conto de fadas» Leicester City FC

Os britânicos chamam-lhe «fairytale», outros referem-se a «fantasy football» ou «real football manager», mas é pura realidade: o Leicester City Football Club venceu a mais que competitiva Barclays FA Premier League.

Figura 1. O treinador vencedor - Claudio Ranieri (fonte: www.abola.pt).

No dia da consagração como vencedores da competição, o líder italiano Claudio Ranieri fez questão de frisar: «Esta foi uma época de doidos, as grandes equipas não estavam consistentes e nós tivemos consistência». As variáveis contextuais têm o condão de adquirir contornos decisivos em competições longas e o facto de o Leicester não ter compromissos europeus e de ter saído cedo das outras provas internas (taças) contribuiu bastante para a gestão do plantel e para potenciar a qualidade do trabalho nas sessões de treino. Aliás, esta questão foi publicamente assumida pelo staff técnico que envolve a primeira equipa do Leicester. Convido-vos a ler a peça da BBC Leicester City: The science behind their Premier League title.

Pode-se vencer um ou outro jogo com alguma dose de sorte, mas nenhuma equipa é campeã ao fim de 36 jornadas só com sorte. A competência, a qualidade do trabalho desenvolvido e, sobretudo, o trabalho de equipa – «teamwork» – são particularidades essenciais para que uma equipa alcance o sucesso numa época desportiva. Por exemplo, o psicólogo Ken Way elogiou o manager Claudio Ranieri, ao afirmar que é um segundo psicólogo do grupo e que proferiu frases que o deixou de queixo em baixo. Por sua vez, Claudio Ranieri considera fundamentais e profícuas as informações e os dados disponibilizados por todos os elementos do staff das ciências do desporto (i.e., especialistas em análise da performance, condição física, força e potência, fisiologia, psicologia e nutrição). Finalmente, é de destacar a envolvência e a mobilização de todos, do grupo, em torno de objetivos comuns. Este trabalho coletivo, de rigor e repleto de valores sociais derrubou o «futebol-industria», no qual o dinheiro impera e conquista vitórias e títulos (figura 2).

Figura 2. Relação entre custo do plantel e posição na Premier League.
(fonte: BBC Sport).

O «conto de fadas» Leicester FC trouxe-nos de volta o verdadeiro e genuíno futebol, colocando indiretamente em causa os preceitos pelos quais a nossa sociedade se rege atualmente. Vale a pena refletir sobre a lição dada por este pequeno clube.

20/04/2016

Enciclopédia da Estória Universal – Recolha de Alexandria (2012)

Afonso Cruz é um escritor português que, segundo nota da contracapa do livro, «vive no campo e gosta de cerveja». Nesta publicação da editora Alfaguara, esta enciclopédia revela-nos algumas sábias subtilezas que o mundo esqueceu ou ignorou.

Figura. Capa do livro «Enciclopédia da Estória Universal - Recolha de Alexandria», 
de Afonso Cruz.

Acerca do tema «Evolução da Sociedade», o autor invoca as palavras de Tsilia Kacev (1979), numa exposição de Paris:

Chama-se evolução da sociedade ao tempo que se leva a concordar com os artistas do século passado.
(p. 49)

Na minha perspetiva, o texto intitulado «Sintaxe Interior» atingiu o píncaro da excelência:

Há palavras que nunca se dizem, à cautela, pois são tremendas. (…) As pessoas dizem-nas exibindo a nudez das suas letras e das suas fonéticas, sem pudor. Mas as pessoas estão enganadas. As palavras ainda têm poder e movem mundos. Criam mundos. Desfazem mundos. E só os inconscientes as atiram para fora da boca como perdigotos.
(Frantiska Möller, p. 87-88)