28/12/2011

II Jornadas Jovens de Monchique

Ontem decorreram as II Jornadas Jovens de Monchique e o XI Encontro de Estudantes Monchiquenses no Ensino Superior, organizados pela Junta de Freguesia de Monchique. Fui um dos oradores convidados, num conjunto de preleções subordinadas ao tema "Saber e Identidade". Apresentei uma investigação realizada no âmbito das minhas funções como técnico superior no setor de desporto e juventude do Município de Monchique, com o título: "Tempos livres, prática desportiva e atividade física de jovens estudantes no concelho de Monchique".


Para assinalar este evento no Linha de Passe, deixo-vos o repetivo resumo:

Os objetivos desta investigação foram (1) conhecer o modo como os jovens estudantes no concelho de Monchique ocupam os seus tempos livres, (2) caracterizar a incidência de prática desportiva e de atividade física na amostra e (3) averiguar relações causais entre a prática de atividades físicas/desportivas e o índice de massa corporal (IMC), fator associado à saúde e bem-estar dos seres humanos. Participaram no estudo 243 jovens, 123 do género masculino e 120 do género feminino, pertencentes a escolas do ensino básico (1º, 2º e 3º ciclos) do Agrupamento de Escolas de Monchique e com idades compreendidas entre os 7.84 e os 17.33 anos. Os dados foram recolhidos mediante a aplicação do questionário “Ocupação dos Tempos Livres e Prática Desportiva”. Para o tratamento dos dados foram utilizados procedimentos de estatística descritiva (frequências absolutas e relativas, médias e desvios padrão) e inferência estatística (testes do qui-quadrado, testes t e coeficientes de correlação linear de Pearson), mantendo o nível de significância em 5%. Os resultados indicaram que, entre as atividades mais realizadas nos tempos livres, se encontram práticas de atividade física ou desportiva. O envolvimento físico de Monchique parece constituir um fator propiciador da adoção de estilos de vida ativos e saudáveis. A incidência de prática desportiva foi de 51%, registando-se valores significativamente superiores no género masculino. A incidência de atividade física rondou os 75%, no entanto, o tipo de atividades realizadas são distintas entre os dois géneros. Analogamente ao que sucede no âmbito desportivo, os rapazes despendem mais tempo semanal em atividade física, relativamente às raparigas. Apurou-se ainda que 32.5% dos participantes apresenta excesso de peso ou obesidade. Neste âmbito, o exercício físico e o desporto orientado por professores ou treinadores parece ser mais determinante para a prevenção do excesso de peso e da obesidade do que a atividade física espontânea.

Palavras-chave: atividade física, desporto, tempos livres, índice de massa corporal, jovens, Monchique.

26/12/2011

Não é o meu futebol, mas foi magnífico!

Que jogada brutal de Jerome Simpson. Capacidade atlética, aliada a uma criatividade estupenda, só poderia resultar num "touchdown" para a história do futebol americano. Apreciem:

18/12/2011

Futebol de rua: beco com saída

Recentemente li o livro “Futebol de rua: um beco com saída”, de Hélder Fonseca e Júlio Garganta, sobre um tema que acho bastante interessante: o futebol de rua. É um livro que resulta de um trabalho académico (tese de monografia do primeiro autor) e que procurou entender a importância desta prática informal e espontânea na formação de habilidades e competências específicas da modalidade. Para isso, foram entrevistados jogadores ou ex-jogadores de elite, treinadores e especialistas académicos nas áreas da metodologia do treino e da psicologia do desporto.

Os autores concluíram que o futebol de rua, ou os pressupostos que o rodeiam, devem ser potenciados ou explorados, no intuito de induzir a aquisição/aperfeiçoamento de habilidades motoras, cognitivas e sociais que dificilmente podem ser estimuladas em contextos mais rígidos e controlados, como nos clubes ou nas escolas de futebol. O jogar na rua permite que a criança/jovem explore as soluções mais adequadas às circunstâncias contextuais sem imposições exteriores e sob uma base de motivação intrínseca assinalável. No treino desportivo, essencialmente com jovens, é muito frequente assistirmos os treinadores a tomarem decisões pelos praticantes, não possibilitando que os aprendizes leiam o jogo, eventualmente errando, para desenvolver e consolidar a sua autonomia decisional.

Neste particular, Duarte Araújo salienta a relevância e complementaridade de dois conceitos no ensino/treino do jogo de futebol: a descoberta guiada, em que se guia os praticantes para chegar a uma determinada referência e o ensino divergente, em que se coloca os praticantes a explorar soluções para alcançar um ou mais objetivos, soluções essas possivelmente desconhecidas pelo próprio treinador. Não há apenas um caminho que se pode percorrer para almejar o êxito; a diversidade de boas práticas (pelos praticantes e pelos treinadores) parece consubstanciar um potencial enorme para, de acordo com a tríade praticante-tarefa-ambiente, estabelecer interações positivas no sentido da manifestação e refinamento do talento inato.

Encarado como uma excelente forma de prática do jogo em idades mais tenras, o futebol de rua é um desígnio comum da esmagadora maioria dos jogadores reconhecidos a nível mundial. Os próprios destacam a importância da quantidade de horas passadas a jogar à bola na rua durante a sua infância e juventude, muitas das vezes em situações contextuais adversas (e.g., pisos irregulares, bolas furadas, bolas duras, paredes laterais, inexistência de coletes, etc.), mas que estimularam, de sobremaneira, o desenvolvimento de habilidades específicas, como a receção, o passe, a desmarcação e a capacidade de leitura do jogo.

Não é por acaso que o futebol de rua é um tema em voga, assente em inúmeras preocupações sobre o seu possível desaparecimento. Merece uma reflexão séria por parte daqueles que gostam do jogo e, sobretudo, daqueles que gostam de ensinar a jogar, porque de um beco há-de sempre haver, no mínimo, uma saída.