27/12/2019

"O teu umbigo é menor do que o meu"

Estamos a fechar a década de 2010. Uma década marcada pelo egocentrismo escarpado, crescendo numa proporcionalidade inversa ao esgotar do período temporal em questão. Julgo poder afirmar, com maior ou menor direito a generalização, que “o teu umbigo é menor do que o meu” (figura 1).

Figura 1. Umbigos (fonte: DeviantArt.com).

Olho primeiro para o teu, porque para o meu já olhei diversas vezes, ou talvez até nem me lembre de qual foi a última vez. Aliás, será que já perdi algum tempo a olhá-lo como deve de ser? Nem sei… mesmo assim, “o teu umbigo é menor do que o meu”.

Vivemos na era da superioridade moral, intelectual, racial e, porque não, ideológica. A diferença na perspetiva de quem ajuíza é sinónimo de inferioridade, de menosprezo. As teorias, os factos, as evidências ou as meras suposições alheias são, à partida, refutadas pelo grau (subjetivo) de aversão à diferença ou, se preferirem, pelo estatuto inato de superioridade, seja ela de que tipo for. Há uns de primeira e outros de terceira categoria/classe, como os lugares nos aviões. “O teu umbigo até pode ter o seu quê de interessante, mas é menor do que o meu”.

E isto é tão, mas tão notório que, para a próxima década, peço apenas que disseminem a cura para a cegueira, a pior doença do século XXI. Não é aquela que nos apaga a luz do mundo para sempre, essa também é horrenda e não se deseja a ninguém. É aquela que, ainda que tenhamos toda a perceção sensorial, nos tolda intrinsecamente a razão e, por inerência, as virtudes da natureza humana. Uma praga com um poder de contágio sem paralelo.

Que 2020 nos traga a lucidez para uma mudança comportamental pois, como escreveu o meu amigo Eduardo Jorge Duarte, em Uma Coruja nas Ruínas (2018), “a cegueira maior é não saber olhar para dentro”.

Afinal, parece que o meu umbigo é um pouco disforme.

Boas saídas e melhores entradas!

01/12/2019

Ausência de identidade na era da estratégia: o Tottenham de José Mourinho


O alto rendimento, no meu entendimento, é ausência de identidade. (…) A estratégia é que é típica do alto rendimento. Se não tenho cão, caço com gato. Se a outra equipa é mais forte, a minha identidade é adaptar-me. Todos nós temos um plano até levarmos um murro.

Francisco Silveira Ramos (entrevista à SPORT TV, fev-2019)


Um dos conceitos mais em voga no futebol, independentemente do nível competitivo ou escalão etário, é o modelo de jogo. É o modelo que consubstancia as ideias do treinador ou da equipa técnica em princípios gerais e subprincípios para as diferentes fases e momentos do jogo. Em particular no futebol de alto rendimento, quando os resultados ou os desempenhos não são os pretendidos, manter-se fiel ao modelo de jogo (ou às ideias que lhe estão subjacentes) parece ser uma vitória moral: “morri com as minhas ideias” ou “caí de pé”. É, contudo, uma verdade de La Palice.

A este propósito, o professor Francisco Silveira Ramos, no seu jeito tão sagaz quanto contundente, alega que no alto rendimento impera a estratégia e, portanto, a ausência de identidade, de ideias fixas ou de modelos estanques. A adoção de princípios e subprincípios demasiado rígidos condiciona a capacidade de adaptação às características dos adversários e/ou às circunstâncias contextuais de cada jogo. Por um lado, é fundamental conceder organização à equipa, através de princípios táticos que norteiem os comportamentos individuais para uma dinâmica coletiva coerente. Por outro lado, esses mesmos princípios devem ser dotados de plasticidade, para fazer face à necessidade de adaptação dos indivíduos e da equipa aos inúmeros e variados problemas com que se irão deparar ao longo da época desportiva.

De há uma década a esta parte, subsiste a noção que jogar de forma apoiada, fazendo a bola percorrer os três corredores e os três setores, é o único desígnio para o sucesso. O estilo de jogo adotado por treinadores de elite como, por exemplo, Pep Guardiola, fizeram escola e entranharam-se na mente dos amantes do futebol, fossem eles profissionais, amadores ou meros adeptos. “Jogar à Barcelona é que é!” Por isso, hoje em dia, a grande maioria dos treinadores, quando elaboram um modelo de jogo, preconizam o ataque posicional como método ofensivo preferencial, desconsiderando por completo os métodos ataque rápido e contra-ataque e, por inerência, a dinâmica situacional do jogo. Se há superioridade numérica evidente e a equipa oponente está desequilibrada, explora-se o contra-ataque. Se a equipa adversária controla mal a profundidade, embora os setores médio e ofensivo sejam profícuos a aplicar zonas de pressão no seu meio-campo ofensivo, talvez o ataque rápido não seja de todo descabido. As melhores equipas são aquelas que jogam em função do contexto, das oportunidades de ação (affordances). Para além de serem menos previsíveis, são também muito mais eficazes.

Figura 1. José Mourinho, agora no Tottenham Hotspur FC (fonte: desporto.sapo.pt).

Estratega é aquele que operacionaliza os recursos disponíveis para alcançar um fim. Neste âmbito, José Mourinho (figura 1) foi, é e será sempre um dos melhores treinadores de futebol do mundo, até quando as suas equipas não deslumbram em campo. Há uma dúzia de dias no seu novo clube – Tottenham Hotspur FC –, porque não pegar já em exemplos práticos? Para categorizar as sequências ofensivas segui os critérios definidos por Sarmento e colegas (2018).


Bom trabalho, mister Mourinho!


Referência
Sarmento, H., Figueiredo, A., Lago-Peñas, C., Milanovic Z., Barbosa, A., Tadeu, P., & Bradley, P. S. (2018). Influence of tactical and situational variables on offensive sequences during elite football matches. Journal of Strength and Conditioning Research, 32(8), 2331-2339.

27/10/2019

A génese de um golo no Dragão: o pecado capital do FC Famalicão

O FC Famalicão, recém-regressado ao escalão principal do futebol português, está a realizar uma época absolutamente brilhante. Hoje, no Estádio do Dragão, não alterou a sua identidade e procurou jogar “olhos nos olhos” contra um adversário com outros argumentos. Perto do intervalo sofreu o golo inaugural, marcado por Luis Díaz, após perder a bola no seu meio-campo defensivo, ao tentar ligar um passe pelo corredor central (figura 1).

Figura 1. Situação de jogo que origina a perda de bola para o 1-0 para o FC Porto (fonte: vsports.pt).

No início da sequência ofensiva que, infelizmente, não consegui captar com as imagens disponibilizadas pela vsports.pt, a distância intersetorial da linha defensiva para o meio-campo era enorme (cerca de 30 metros), o que torna muito mais difícil progredir no terreno de jogo, com segurança e eficácia, através do método ofensivo de ataque posicional. Contra uma equipa como FC Porto que, por norma, condiciona as linhas de passe mais próximas do portador da bola na sua etapa de construção, o central Patrick William decidiu acelerar em condução para, face à escassez de soluções válidas para jogar apoiado, cometer um pecado capital: efetuar um passe vertical para o corredor central. A bola foi intercetada e, da superioridade numérica originada (3v2+Gr), surgiu o 1-0 para a equipa visitada.


Em jeito de conclusão, aqui ficam as minhas notas mentais no momento:

1) Enorme espaço intersetorial para a equipa do Famalicão poder jogar apoiado, pelo corredor central, na etapa de construção;
2) Excelente organização defensiva do Porto para recuperar a bola no meio-campo ofensivo e gerar um contra-ataque mortífero.

23/10/2019

Terceira eliminatória histórica na Taça de Portugal 2019/2020

No século XXI, desde que as equipas da I Liga começaram a entrar em prova na 3.ª eliminatória da Taça de Portugal, em 2008/2009, nunca mais de um terço das equipas do escalão principal tinham sido eliminadas nesta ronda da prova (figura 1).


Figura 1. Percentagem de equipas eliminadas na 3.ª eliminatória da Taça de Portugal desde 2008/2009.
Nota 1: nas épocas anteriores a 2008/2009, as equipas do escalão principal entravam na competição a partir da 4.ª eliminatória;
Nota 2: na I Liga participam 18 equipas desde 2014/2015 (antes eram 16).


Aconteceu no fim-de-semana passado (18-20 de outubro de 2019), com 7 equipas das 18 participantes na I Liga/Liga NOS (38,9%) a serem eliminadas por adversários de escalões inferiores, a saber:

FC Alverca (Campeonato de Portugal) x Sporting CP (I Liga): 2-0
Sintra Football (Campeonato de Portugal) x Vitória SC (I Liga): 2-1 (após pen.)
CD Feirense (II Liga) x CD Tondela (I Liga): 3-0
SC Farense (II Liga) x CD Aves (I Liga): 5-2
Académica OAF (II Liga) x Portimonense F. SAD (I Liga): 2-1
GD Chaves (II Liga) x FC Boavista (I Liga): 2-1 (após prol.)
SC Beira-Mar (Campeonato de Portugal) x CS Marítimo (I Liga): 3-2 (após pen.; figura 2)

Figura 2. Em Aveiro, o Beira-Mar eliminou o Marítimo (fonte: record.pt).

Mais do ressalvar o facto, que não passa de uma mera curiosidade, urge tentar compreendê-lo. Quais os motivos que poderão ter determinado este desfecho? Avanço com duas linhas de raciocínio que, ainda que possuam alguma especulação na sua formulação, são suportadas por alguma evidência científica, por algum conhecimento empírico e não são indissociáveis.

1) Dimensão estrutural: A competitividade
Investigações prévias efetuadas no futebol português têm sugerido que a competitividade dos campeonatos é mais elevada em divisões inferiores, as ditas semiprofissionais (Campeonato de Portugal) ou amadoras (Campeonatos Distritais). Parece que a relação de proporcionalidade direta entre a vantagem de jogar em casa (o fenómeno “home advantage”) e a competitividade das ligas é um facto, ou seja, quanto mais competitiva for a liga, maior vantagem adquire a equipa que joga no seu reduto. Por exemplo, numa análise levada a cabo ao longo de 11 épocas consecutivas no futebol português (2005/2006 a 2015/2016), verificámos que a vantagem de jogar em casa foi, precisamente, mais elevada nos níveis semiprofissional (II Divisão B e Campeonato de Portugal; 60.46%) e amador (principais divisões distritais; 60.36%), comparativamente ao valor médio apurado para o nível profissional (I Liga; 58.31%) (Almeida & Volossovitch, 2017). Equipas mais fortes, como FC Porto, SL Benfica e Sporting CP têm, habitualmente, menor vantagem em jogar em casa (i.e., próximo dos 50%), por força da diferença de qualidade para a maioria das equipas adversárias; em síntese, jogar em casa ou fora é, para estas equipas, praticamente indiferente.

Assim, é lógico que as equipas de divisões inferiores beneficiem da maior competitividade existente entre elas para se aproximarem de equipas de patamares mais elevados (incluído o profissional), no que ao rendimento desportivo diz respeito. Adicionalmente, é evidente o esforço que sido realizado por clubes de menores dimensões para se modernizarem e profissionalizarem as suas estruturas, seja no âmbito da diversidade e funcionalidade das infraestruturas desportivas, da multidisciplinaridade de áreas de intervenção com a celebração de protocolos com outras entidades locais ou, sobretudo, no incremento da qualidade dos recursos humanos que empregam (treinadores, preparadores físicos, scouts, etc.). Daquilo que me apercebo, há treinadores no Campeonato de Portugal que, em termos de competência, não ficam (nada) atrás de colegas que trabalham, desde sempre, na primeira ou segunda ligas. Se alargamos esta particularidade ao futebol de formação, à qual não estará alheio o recente processo de certificação de entidades formadoras implementado pela Federação Portuguesa de Futebol, é crível que brecha qualitativa entre clubes/equipas profissionais e outros de menor estatuto vá estreitando.

2) Dimensão contextual: o binómio “gestão de grupo – oportunidade de ouro”
Neste ponto, utilizo uma analogia com tempos idos. Um nobre tenta intrometer-se, despercebidamente, numa festa popular, vestindo para o efeito um traje menos vistoso, até corriqueiro. Todavia, como a festa popular é muito importante para os plebeus, estes vestem-se a rigor, talvez além das suas possibilidades, para fazer jus à cerimónia. Ao chegar à festa, e confrontando a sua figura com os demais presentes, o nobre, envergonhado, volta para casa.

Não é novidade que muitos treinadores utilizam as primeiras eliminatórias da Taça de Portugal para, aproveitando a superioridade teoricamente atribuída à sua equipa relativamente aos oponentes, procederem à gestão do plantel que têm ao seu dispor. Não contesto, porque julgo que é fundamental manter todos os elementos preparados, motivados e cientes de que têm um papel ativo (e positivo) no grupo. Contudo, muitas vezes, estes jogadores menos utilizados chegam ao jogo da Taça de Portugal com um ritmo competitivo deficitário, o que compromete o cumprimento de missões táticas individuais e a eficácia das dinâmicas coletivas preconizadas no modelo de jogo. O rendimento desportivo é um processo de afinação contínua aos diversos problemas contextuais do jogo; sem competição regular, a afinação promovida pelo treino pode revelar-se insuficiente.

Por outro lado, as equipas de escalões inferiores encaram os jogos com os ditos “grandes” como uma “oportunidade de ouro” para brilharem, nem que seja só por um dia. A oportunidade de ser capa de jornal, a oportunidade futura de serem contratados por clubes com outras condições, ou a oportunidade para fazer história no clube que representam. Este “dar tudo” perante um adversário superior, focados num objetivo altamente desafiante, sem elevada pressão psicológica associada, leva a que joguem, individual e coletivamente, acima dos níveis de rendimento comuns. Convém destacar que tudo isto é potenciado pela envolvência extraordinária proporcionada pelo público local.

Tudo o que atrás foi referido, em conjunto com outros fatores não debatidos, geraram circunstâncias favoráveis para que as diferenças (teóricas) se tivesse esbatido em diversos jogos disputados nesta 3.ª eliminatória. Para bem do futebol português, é bom que a Taça de Portugal nos continue a brindar com estes resultados inesperados ou históricos. Porque só uma competição especial como esta nos permite encarar o futebol como uma festa, na qual um “pequeno” pode rejeitar a sua condição e viver e sonhar como um “grande” por um dia.


Referência
Almeida, C. H., & Volossovitch, A. (2017). Home advantage in Portuguese football: Effects of level of competition and mid-term trends. International Journal of Performance Analysis in Sport, 17(3), 244-255.

20/10/2019

O 2v0+Gr no futebol: “fixar” ou finalizar?

No rescaldo da recente vitória do SL Benfica na Cova da Piedade (0-4), para a 3.ª eliminatória da Taça de Portugal, o jornal O JOGO produziu a seguinte capa no dia 19 de outubro de 2019:

Figura 1. Capa de O JOGO, 19 de outubro de 2019 (fonte: ojogo.pt).

Nesta peça destaco o excerto: “mas o duelo de goleadores teve um vencedor claro: De Tomás, 0; Vinícius, 2”. Não só acho a decisão editorial de muito mau gosto, como também é pouco ou nada informativa no que ao próprio futebol diz respeito. Escrevo isto porque restringe as tarefas de um qualquer jogador avançado à quantidade de golos marcados, sendo todas as outras missões táticas (e.g., ligar entre linhas no corredor central, explorar espaços nos corredores laterais, criar condições espaciotemporais vantajosas em zonas vitais de jogo para outros jogadores poderem finalizar, pressionar as primeiras opções de passe da linha defensiva adversária, condicionar a circulação de bola por determinadores jogadores adversários, etc.) uma espécie de miragem.

No Facebook, além de colocar a imagem da capa do diário desportivo, acrescentei uma breve mensagem, aludindo ao que me parece ser uma clara campanha “para descredibilizar aquele que, na minha modesta opinião, é o melhor avançado do SL Benfica”. Também demonstrei, com recurso a uma imagem (figura 2), o que sugere ser alguma falta de solidariedade ou qualidade de alguns companheiros de equipa para servir em melhores condições o avançado espanhol.

Figura 2. O 2v0+Gr do SL Benfica, aos 23’, contra o CD Cova da Piedade (fonte: vsports.pt).

Se diversas pessoas, mais ou menos ligadas ao futebol, concordaram com a minha opinião, ainda persiste uma ideia bastante generalizada de que, independentemente das circunstâncias, naquela zona é para finalizar, designadamente se a última ação for de um avançado/ponta de lança, como é o Carlos Vinícius. Esta divergência de noções levanta uma questão que nos remete para o ensino do futebol nos escalões de formação de base: em situações de dois atacantes contra o guarda-redes (Gr) oponente (i.e., 2v0+Gr), o primeiro atacante deve assumir a finalização ou “fixar” a posição do Gr e assistir o outro atacante para finalizar?

Regra geral, a resposta é sempre a mesma: “depende”. Depende da posição dos atacantes no espaço de jogo, do enquadramento do Gr, da capacidade de execução individual dos atacantes, etc. Não obstante, é também norma o princípio da penetração/progressão, sendo um dos objetivos fundamentais “fixar” os apoios do adversário direto para criar condições numéricas e espaciotemporais mais vantajosas para que um companheiro de equipa dê continuidade ou finalize o processo ofensivo. Partindo do pressuposto basilar de que a missão mais importante do Gr é defender a baliza, este deverá sempre adotar um bom enquadramento entre a bola e a sua baliza, constituindo oposição direta ao portador da bola o que, num cenário de 2v0+Gr, deixa o outro atacante à mercê da qualidade do portador da bola ou, num contexto mais aleatório, do acaso.

Curiosamente, menos de 24 horas depois do lance de Carlos Vinícius e Raúl de Tomás, houve uma jogada ofensiva idêntica no SD Eibar x FC Barcelona, para a La Liga, mas com protagonistas e resultado diferentes. Lionel Messi isolado, “fixou” o Gr e serviu Luis Suárez para o 0-3 final (figura 3).

Figura 3. O 2v0+Gr do FC Barcelona, aos 66’, contra o SD Eibar (fonte: www.youtube.com).

Em poucos segundos, o FIFA The Best 2019 (e hexa bota de ouro) Messi exemplificou na perfeição tudo o que foi escrito previamente (ver vídeo em baixo anexado). José Mourinho referiu, há tempos, que primeiro é necessário vencer, obter-se sucesso, depois cria-se doutrina. Se há aspetos básicos que dispensam troféus para ser doutrina, o 2v0+Gr é um deles. Contudo, não é uma problemática estritamente do foro tático-técnico, i.e., executar em função das melhores oportunidades de ação (affordances), é ainda social, psicológica e emocional. O golo é uma enorme tentação e, ao mais alto nível, prescindir do protagonismo do golo em prol do bem comum (equipa) não está ao alcance de todos.


Neste sentido, para além do desenvolvimento de competências de cariz individual, julgo que é muito importante (e não acessório) que as crianças e os jovens entendam que se jogarem para a equipa, mais cedo ou mais tarde, a equipa irá jogar para elas, aquilo que, em termos sociobiológicos, representa uma autêntica simbiose.

21/08/2019

Amazónia em chamas

Sobre os incêndios que lavram há 17 dias na densa floresta da Amazónia – o designado “pulmão da Terra”, alegadamente responsável pela produção de 20% do oxigénio que respiramos e que não passa de um mero mito. Há espécies a desaparecer todos os anos. O declínio da sustentabilidade do nosso habitat natural é progressivo. O mais importante de tudo continua a ser a economia, o crescimento, o deficit, a greve, o ter mais do que o vizinho.

Figura 1. Amazónia fustigada por incêndios dantescos (fonte: visao.sapo.pt).

Apregoamos a plenos pulmões que somos a espécie mais inteligente, mas temos as prioridades totalmente invertidas. Pelos erros de uma espécie, pagam todas as outras e sem direito a segundas oportunidades. Não há descontos, só liquidação total.

12/08/2019

Implicações da introdução do VAR no futebol profissional

O VAR (Video Assistant Referee) foi oficialmente introduzido na principal liga portuguesa (Liga NOS) na época 2017/2018, depois do sistema ter sido testado na final da Taça de Portugal da época 2016/2017. De facto, Portugal foi um dos países pioneiros na adoção deste sistema tecnológico que, entretanto, foi utilizado no Campeonato do Mundo da FIFA 2018, a partir dos oitavos-de-final da UEFA Champions League da época 2018/2019 e, mais recentemente, na FA Premier League 2019/2020. Entretanto, países como a Alemanha, a Espanha e a Itália, entre outros, já haviam implementado o VAR nas respetivas ligas domésticas. O VAR está, na atualidade, altamente disseminado por todo o mundo e, portanto, urge questionar que modificações poderá a introdução deste sistema acarretar na dinâmica do jogo.

Figura 1. Sinalética de revisão de lance através do VAR (fonte: IFAB).

Numa primeira análise, Haugen (2019) sugeriu que o VAR seria prejudicial para o futebol, pois reduziria a incerteza dos resultados a níveis que comprometeriam seriamente o interesse competitivo do jogo. Este autor adianta que o VAR irá beneficiar as melhores equipas, o que não deixa de ser irónico, uma vez que o seu principal propósito é aumentar a justiça das decisões tomadas pela equipa de arbitragem em campo. Ora, se o VAR apenas atua em 4 contextos muito específicos (1: golo ou não golo; 2: penálti ou não penálti; 3: falta passível de expulsão – cartão vermelho direto; 4: má identificação de um jogador aquando de uma advertência/cartão amarelo ou expulsão/cartão vermelho), tenderá a reduzir as injustiças relativas às equipas que detêm mais a bola e que atacam mais, promovendo um decréscimo da probabilidade de visualizarmos mais desfechos do tipo David e Golias. Se este último argumento é, para mim, no mínimo discutível, o próximo nem é tanto. Haugen (2019) também alega que o VAR aumenta o número de paragens num jogo que per se apresenta paragens naturais mais do que suficientes (e.g., pontapés-livres, pontapés de canto, lançamentos laterais, penáltis, foras-de-jogo, substituições, etc.), o que o torna mais aborrecido em relação a outras modalidades desportivas.

Para estimular a discussão, observemos o vídeo seguinte do jogo West Ham United FC x Manchester City FC, da primeira jornada da FA English Premier League, no passado dia 10 de agosto de 2019.


O VAR invalidou o golo por escassos milímetros, presumo (figura 2). Embora a tecnologia vise reduzir a injustiça no jogo, levantou-se uma onda de contestação de que está a “matar a essência do futebol” e que é um “crime anular um golo destes”. Primeiro, o VAR cumpre o desígnio para o qual foi criado, independentemente de agradar a A, B ou C, depois nem sempre beneficia as melhores equipas, conforme pudemos constatar nestas imagens e iremos, com certeza, voltar a observar no futuro.

Figura 2. Análise do VAR a um golo apontado pelo Manchester City FC vs. West Ham United FC (10-ago-2019).

Num artigo científico publicado no final do mês de julho de 2019, os autores Lago-Penãs, Rey e Kalén propuseram compreender “como o VAR modifica o jogo no futebol de elite?”. Num total de 1024 jogos disputados na Série A italiana e na Bundesliga alemã, nas épocas antes e após a introdução do VAR (2016/2017 e 2017/2018, respetivamente), os investigadores analisaram os efeitos do sistema nas seguintes variáveis: faltas, golos, foras-de-jogo, penáltis, tempo de jogo na primeira parte, tempo de jogo da segunda parte, tempo de jogo total, cartões amarelos e cartões vermelhos. Curiosamente, foi identificado um decréscimo no número de foras-de-jogo, faltas e cartões amarelos após a implementação do VAR. Pelo contrário, houve um aumento do tempo de jogo na primeira parte e na totalidade do mesmo, mas não na segunda parte das partidas. Os autores concluíram que o VAR não modificou as características do jogo no futebol de elite.

Pessoalmente, sou a favor do VAR. Julgo, ainda, que são necessários mais estudos para compreender mais detalhadamente as implicações da introdução deste sistema na dinâmica do jogo. Por exemplo, na Liga NOS, considerando as médias das duas épocas prévias (2015/2016 e 2016/2017) e posteriores à introdução do VAR (2017/2018 e 2018/2019), o número de grandes penalidades por época aumentou de 95 para 106, tal como a percentagem de golos obtidos de grande penalidade por época (≈ +1.5%). Até ver, as evidências não confirmam o cenário de adversidade avançado por alguns adeptos, dirigentes e treinadores. Não obstante o aumento das paragens, o futebol tende agora a ser uma modalidade mais justa e limpa de especulações e suspeitas que somente deturpem a beleza e o significado do jogo.

Referências
Haugen, K. K. (2019). Video-Assisted Refereeing in association football: possible adverse effects on uncertainty of outcome. OA Journal – Sports, 1. doi: 10.24294/sp.v1i1.176
Lago-Peñas, C., Rey, E., & Kalén, A. (2019). How does Video Assistant Referee modify the game in elite soccer? International Journal of Performance Analysis in Sport, 19(4), 646-653. doi: 10.1080/24748668.2019.1646521

09/07/2019

PORTIMONENSE SC | Fim de ciclo (set-2015 a jun-2019)

Assinalo o final da minha ligação ao Departamento de Futebol de Formação do Portimonense Sporting Clube. Foram 4 épocas de enorme crescimento pessoal e desportivo, nas quais pude privar com pessoas que atualmente estimo bastante. Estou grato a todos os que me acompanharam de perto nesta jornada e que, nas alegrias e nas tristezas, nos encantos e nas frustrações, nas vitórias, nos empates e nas derrotas, mantiveram a firmeza de caráter e levaram o seu empenho ao limite. Aos que não fizeram parte da solução, mas sim do problema, também agradeço. É em contextos de adversidade que temos de primar pela resiliência e procurar a superação o que, regra geral, determina progressos visíveis em diversos domínios. Correndo o sério risco de me esquecer de alguém, não vou especificar/identificar ninguém. Fica a minha sentida gratidão pelo convite efetuado no verão de 2015 e o respeito por todos os envolvidos no processo, ao longo destas últimas épocas. Saio de cabeça erguida e com consciência de que fiz tudo o que estava ao meu alcance para honrar as cores alvinegras.

Que o sucesso acompanhe sempre os treinadores, os jogadores, os dirigentes e os pais que diariamente dão o litro para que o Portimonense SC seja um clube de referência no Algarve.

Não um “adeus”, talvez um “até já”.

Época 2015/2016: Treinador principal Infantis A (Sub-13) Futebol 9.

Época 2016/2017: Treinador principal Infantis (Sub-13) Futebol 9.

Época 2017/2018: Treinador principal Juvenis A (Sub-17) Futebol 11.

Época 2018/2019: Apoio à coordenação técnica - Análise de desempenho e metodologia do treino.

Por ti
Lutar,
Por ti
Ganhar,
Por ti
…unidos até ao fim

PORTIMONENSE, PORTIMONENSE, PORTIMONENSE!

21/05/2019

Evolução do resultado das grandes penalidades na I Liga Portuguesa, nas últimas 6 épocas desportivas (2013/2014 – 2018/2019)

Finda a época 2018/2019, que consagrou o SL Benfica como campeão nacional, é tempo de fazer balanços, apontar destaques, superar desilusões e preparar o futuro próximo. Eu, como indivíduo interessado, para evitar cair no exagero de obcecado, por esquemas táticos (i.e., situações fixas do jogo ou bolas paradas), continuei a minha demanda na recolha de dados inerentes às grandes penalidades assinaladas na I Liga Portuguesa, a atual Liga NOS.

Figura 1. Grande penalidade convertida por Paulinho no jogo Portimonense SC 3 x 0 CD Nacional, da 25.ª jornada da Liga NOS 2018/2019.

A soma de mais uma época eleva para 6 o número de épocas desportivas analisadas, perfazendo um total de 607 penáltis executados na I Liga Portuguesa desde 2013/2014 até 2018/2019, envolvendo a participação de 26 clubes diferentes. A figura 2 discrimina o resultado das grandes penalidades (valores absolutos) por época desportiva, considerando três consequências possíveis: (1) golo (“goal”); (2) defendido pelo guarda-redes (“saved”) e (3) falhado (“missed”).

Figura 2. Resultados dos penáltis assinalados na I Liga Portuguesa (2013/2014 - 2018/2019).

A época mais recente trouxe um número anormalmente elevado de penáltis assinalados nos últimos anos (n = 116), concretizando-se também muitos golos através de grande penalidade (n = 101; 87,1% de eficácia). A este facto não estará alheia a pronunciada atividade do VAR (“Video Assistant Referee”) em 2018/2019, comparando, naturalmente, com a sua época de estreia na Liga NOS – 2017/2018. O menor valor traduzindo sucesso é encontrado na época 2016/2017, na qual apenas foram alcançados 68 golos da marca dos 11 metros, em 90 conversões (75,6% de eficácia). Se avaliarmos estritamente o êxito dos guarda-redes (Gr) nestes lances, foi em 2015/2016 que houve uma maior percentagem de defesas, com 19,2% de interceções do total de penáltis executados. A partir dessa época observou-se um decréscimo progressivo do número de intervenções bem-sucedidas dos Gr, culminando com o menor valor em 2018/2019 (7,76% de penáltis defendidos). De modo a evitar raciocínios especulativos sobre esta tendência nestas situações fixas do jogo, deixaremos a discussão dos presumíveis motivos para uma publicação futura contendo dados e inferências mais consistentes. Quanto às grandes penalidades falhadas (i.e., fora ou postes/trave), o valor mais elevado foi alcançado na época 2016/2017 (8,9% dos penáltis falhados).

Figura 3. Pedro Trigueira (Moreirense FC) a defender a grande penalidade de Rodrigo (CD Aves), na 33.ª jornada da Liga NOS 2018/2019.

No cômputo geral, as grandes penalidades resultaram em golo em 80,6% das ocasiões (n = 489), 13,3% (n = 81) foram defendidas pelos Gr e 6,1% (n = 37) erraram o alvo. Estes valores diferem ligeiramente dos apurados em investigações anteriores (e.g., Jordet et al., 2007; Palao et al., 2010; White & O’Donogue, 2013; Almeida et al., 2016), na medida em que se reportaram taxas de sucesso de grandes penalidades a variar entre os 70 e os 80,5%, sendo 15-20% defendidas pelos Gr e 5-10% falhadas. Neste caso, a única percentagem dentro dos limites acima indicados corresponde à dos penáltis falhados. Das duas, uma: ou os jogadores responsáveis pela marcação destas bolas paradas são especialistas de gabarito, ou os Gr a atuar no principal escalão de Portugal estão abaixo da média internacional, no que respeita ao acoplamento perceção-ação em contexto de grande penalidade. Fica a dúvida para investigação futura.

Por último, a figura 4 apresenta um gráfico referente às percentagens de golos convertidos através de grande penalidade, por cada época desportiva em análise.

Figura 4. Percentagem de golos marcados de penálti na I Liga Portuguesa, por época desportiva.

Se o valor mais elevado foi registado na época 2013/2014, com 14,6% dos golos obtidos de penálti, o formato do gráfico demonstra que, após um decréscimo até 2015/2016, a percentagem estabilizou em torno dos 9%, voltando a aumentar na época que agora termina (12,23%). Um tema que urge compreender é se as equipas técnicas estarão a dar a devida atenção às grandes penalidades no processo de treino. Nesta linha de pensamento, qual o tempo dedicado à prática da grande penalidade pelos supostos especialistas da equipa e pelos Gr? Se em 100 golos marcados, 12 são de penálti, faz todo o sentido não descurar uma décima parte de uma determinante do sucesso como é a obtenção do golo.

Enfim, meros factos, pensamentos e questões.


Referências
Almeida, C. H., Volossovitch, A., & Duarte, R. (2016). Penalty kick outcomes in UEFA club competitions (2010-2015): the roles of situational, individual and performance factors. International Journal of Performance Analysis in Sport, 16(2), 508-522.
Jordet, G., Hartman, E., Visscher, C. and Lemmink, K. (2007). Kicks from the penalty mark in soccer: the roles of stress, skill, and fatigue for kick outcomes. Journal of Sports Sciences, 25(2), 121-129.
Palao, J. M., López-Montero, M. and López-Botella, M. (2010). Relationship between efficacy, laterality of foot strike, and shot zone of the penalty in relation to competition level in soccer. International Journal of Sport Science, 6(19), 154-165.
White, S. and O’Donoghue, P. (2013). Factors influencing penalty kick success in soccer. In Nunome, H., Drust, B. and Dawson, B. (Eds.), Science and football VII: The proceedings of the seventh world congress on science and football (pp. 237-242). London: Routledge, Taylor & Francis Group.


PS. – No passado dia 18 de maio de 2019, o blogue Linha de Passe completou 14 anos de existência virtual. Tudo começou quando estava na faculdade e jamais imaginaria, volvidos tantos anos, continuar a escrever por estas bandas. As forças ocultas que regem o universo têm conspirado para que o dia 18 de maio, coincidentemente ou não, seja um dia marcante na minha vida, por motivos bem distintos. Não houve oportunidade para escrever especificamente sobre isso, pelo que tentarei no 15.º aniversário se as tais forças ocultas assim o permitirem. Caros amigos e/ou leitores: saúde, sorte e sucesso para todos vós.

08/05/2019

Science and Medicine in Football (Vol. 3/2019)

Cá na terra, o sobejamente conhecido Ti Toino Jorge contornou habilmente as escassas probabilidades de longevidade que, face às vicissitudes da sua vida, sempre lhe foram atribuídas. Na minha humilde perspetiva é, aos 91 anos de idade, um ancião dos tempos modernos, um catedrático da universidade da vida. Certo dia teve a subtileza de admitir que o segredo, se assim se pode designar, para a sua longevidade foi o desafio constante. Dizia que “temos de nos desafiar” porque “parar é morrer”. Serviu de mote para esta nova publicação: o resultado de um desafio a mim mesmo.

O desafio consubstanciou três vertentes fundamentais: (1) envolver uma amostra da principal competição desportiva do mundo, excetuando os Jogos Olímpicos: o Campeonato Mundial de Futebol da FIFA; (2) publicar numa revista internacional com revisão de pares; (3) efetuar sozinho todos os procedimentos desde o projeto de investigação até à revisão das provas, caso fosse aceite para publicação. Tudo isto resumiu-se numa simples questão: “serei capaz?”. No passado dia 6 de maio de 2019, a publicação online na revista britânica Science and Medicine in Football confirmou que sim (figura 1).

Figura 1. Capa oficial da revista "Science and Medicine in Football".
(fonte: Routledge - Taylor & Francis Group)

Nem tudo foi um mar de rosas. Por exemplo, na primeira opção de submissão não passou do editor, por considerar que a amostra de sequências ofensivas não permitia a generalização dos dados. Depois de 6 ou 7 meses de trabalho termos um produto final que, à partida, é barrado pelo editor de uma revista, sem sequer ser alvo de revisão por pares, é inglório e demasiado frustrante. Perseverança, resiliência e determinação. O próximo passo foi ainda mais desafiante, pois subi a fasquia. Felizmente, foi bem acolhido por ambos os revisores, a quem devo uma palavra de agradecimento pela pertinência das correções/sugestões propostas. Os agradecimentos são extensíveis ao amigo Tiago Salvador, sempre disponível para recolher dados e/ou aferir as fiabilidades intra e interoperador. Fiz questão de deixar esta gratidão patente no artigo final, tal como uma dedicatória a um (pequeno) ser humano que mudou a minha visão do mundo para melhor: o meu filho Carlos Jorge de Almeida.

A investigação em si permitiu identificar algumas tendências ofensivas do futebol moderno, em particular de equipas de elite bem-sucedidas. A capacidade de impor ritmos mais elevados de circulação de bola e de envolvimento coletivo parece ser determinante para romper organizações defensivas cada vez mais sofisticadas. A mera percentagem de posse de bola, carente de objetividade ou propósito, não aparenta estar relacionada com o sucesso numa competição como o Mundial da FIFA. A posse de qualidade, cujo objetivo é criar condições mais propícias para finalizar em golo, sobressaiu como uma tendência relevante das equipas que seguiram para os oitavos-de-final da prova. A variabilidade de soluções táticas ofensivas e a importância dos esquemas táticos, ainda que estes últimos não tenham diferenciado equipas eliminadas de equipa apuradas para a fase seguinte da competição (figura 2), foram também alvo de discussão.

Figura 2. Inferência Baseada na Magnitude para os indicadores de performance estudados (nota: para valores mais afastados da origem - 0 - maiores as diferenças entre equipas eliminadas e qualificadas).

De seguida, apresento-vos o “abstract” (resumo) do artigo que foi produzido sob a chancela do Centro de Investigação em Desporto e Educação Física (CIDEF) do Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (ISMAT), em Portimão.

Abstract
This study aimed to compare the offensive sequences that resulted in goals in the group stage of the 2018 FIFA World Cup according to teams’ status: eliminated versus qualified for the knockout phase. Successful offensive sequences performed in the group stage by eliminated (n = 39) and qualified teams (n = 83) were notated post-event using an adapted version of the Offensive Sequences Characterisation System, which includes simple and composite performance indicators. Magnitude-based inferences revealed that performances indicators Passes/Duration, Passes/Ball touches, Players/Duration and Passes/Players were key to differentiate eliminated and qualified teams. Performance profiles emerging from qualified teams suggest the ability to impose a faster game pace (of ball passing and collective involvement) is more relevant to offensive effectiveness in elite football than the mere amount of sport-specific actions performed. Although offensive sequences with more passes, ball touches and duration had a possible positive effect on reaching the knockout phase, the offensive behaviours of qualified teams highlighted the importance of ‘quality possession’. Indeed, offensive sequences involving more players (teamwork) and favouring ball passing instead of individual ball retention seem to facilitate the emergence of goal-scoring events. Considering these findings, professional coaches are encouraged to design playing-form activities aiming to promote team-based offensive strategies, including task constraints to increase the game pace and the frequency of ‘penetrating passes’ into vital playing areas.

Keywords: football, notational analysis, team performance, technical component, contextual variables

Reference
Almeida, C. H. (2019). Comparison of successful offensive sequences in the group stage of 2018 FIFA World Cup: eliminated vs. qualified teams. Science and Medicine in Football. doi: 10.1080/24733938.2019.1613557 (free eprint here)

Como tudo encerra uma lição de vida, estes cerca de 11 meses mostraram-me que, embora seja crucial desafiarmos e superarmos as nossas dúvidas ou barreiras pessoais, o trabalho de equipa é altamente recomendado. Se é verdade que sozinhos podemos chegar mais depressa, acompanhados chegaremos provavelmente mais longe.

Torço para que seja uma leitura aprazível para o leitor ou, para todos os que fazem do futebol e/ou do desporto um modo de vida, que inclua informação útil para a sua atividade profissional.

Até breve!