27/10/2019

A génese de um golo no Dragão: o pecado capital do FC Famalicão

O FC Famalicão, recém-regressado ao escalão principal do futebol português, está a realizar uma época absolutamente brilhante. Hoje, no Estádio do Dragão, não alterou a sua identidade e procurou jogar “olhos nos olhos” contra um adversário com outros argumentos. Perto do intervalo sofreu o golo inaugural, marcado por Luis Díaz, após perder a bola no seu meio-campo defensivo, ao tentar ligar um passe pelo corredor central (figura 1).

Figura 1. Situação de jogo que origina a perda de bola para o 1-0 para o FC Porto (fonte: vsports.pt).

No início da sequência ofensiva que, infelizmente, não consegui captar com as imagens disponibilizadas pela vsports.pt, a distância intersetorial da linha defensiva para o meio-campo era enorme (cerca de 30 metros), o que torna muito mais difícil progredir no terreno de jogo, com segurança e eficácia, através do método ofensivo de ataque posicional. Contra uma equipa como FC Porto que, por norma, condiciona as linhas de passe mais próximas do portador da bola na sua etapa de construção, o central Patrick William decidiu acelerar em condução para, face à escassez de soluções válidas para jogar apoiado, cometer um pecado capital: efetuar um passe vertical para o corredor central. A bola foi intercetada e, da superioridade numérica originada (3v2+Gr), surgiu o 1-0 para a equipa visitada.


Em jeito de conclusão, aqui ficam as minhas notas mentais no momento:

1) Enorme espaço intersetorial para a equipa do Famalicão poder jogar apoiado, pelo corredor central, na etapa de construção;
2) Excelente organização defensiva do Porto para recuperar a bola no meio-campo ofensivo e gerar um contra-ataque mortífero.

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