24/12/2016

Jürgen Klopp de olhos em bico com o mercado futebolístico chinês

No futebol, como em outras áreas de atividade humana, há personalidades e personalidades. O alemão Jürgen Klopp, treinador do Liverpool FC, é daquelas personalidades que não é difícil admirar, não somente pelo que as suas equipas fazem em campo, mas pela postura que mantém perante o fenómeno complexo que é o futebol (Figura 1).

Figura 1. Klopp e o mercado chinês (fonte: A Bola online, 23-dez-2016). 

Face ao mercado emergente chinês, eis as recentes declarações de Klopp reproduzidas pelo jornal A Bola:

Para mim, nem sequer penso nessa opção de ir para a China. Está fora de questão. (…) Tenho a certeza de que o Óscar e família estão contentes. Não vão ter mais preocupações de dinheiro no resto da vida! Estamos num mundo livre e cada um decide o que achar melhor. (…) Neste momento, os jogadores não querem jogar na liga chinesa, por isso, a única forma de os convencer é com muito dinheiro. Mas, nas principais ligas europeias, pode ganhar-se muito dinheiro também.

Sublinho e subscrevo! Jürgen Kloop é um apaixonado pelo jogo, pela competição. A maioria dos jogadores de elite, felizmente, ainda é assim. Os melhores buscam sempre a evolução e a superação. Para isso, precisam de desafios, de jogar contra os melhores e sentir na pele o quão ténue é a linha que separa o sucesso do fracasso. Naturalmente, não será na China que encontrarão o melhor contexto para se superar, no fundo, para sentir prazer pelo jogo e lidar com o inesperado. Ainda que devam equacionar o seu bem-estar financeiro e o futuro da sua família, não creio que Óscar, aos 26 anos, não possua já recursos suficientes para levar uma vida descontraída após a sua aposentação. É totalmente legítimo, sim, mas há algo mais que isso! Será a pressão competitiva constante que leva à saturação dos jogadores de elite, em particular nas principais ligas europeias? Serão apenas os milhões chineses, e vazios de conteúdo futebolístico, que estão na base da mudança?

Seja o que for, os efeitos do «futebol-indústria» atingiram o seu auge. Para bem da modalidade desportiva, é bom que individualidades como Klopp, que amam o jogo na sua essência, nunca se deixem seduzir pelo lado negro do futebol contemporâneo: a febre do dinheiro. O jogo é para ser jogado, vivido, pensado e sentido pelo próprio jogo e não por um outro qualquer bem material.

Boas Festas!

O blogue Linha de Passe deseja a todos os leitores e amigos boas festas neste final de 2016.

Fonte: www.mixtamusic.com.

Embora não esteja a ser possível escrever com a regularidade que gostaria, continuarei a publicar textos nos próximos tempos.

Um até breve!

20/11/2016

A relevância da «pressão defensiva» no futebol moderno

Na passada quarta-feira (16 de novembro de 2016), um colega treinador publicou no seu mural do Facebook a ligação para uma peça jornalística bastante interessante (ver aqui) sobre Julian Nagelsmann, o jovem treinador alemão do Hoffenheim.

Ainda que o texto destacasse mais a juventude do treinador do que propriamente as suas ideias sobre o jogo, houve um excerto que despertou a minha atenção:

No vocabulário de Nagelsmann, a palavra mais importante é «pressão»: mais do que jogar bem, o que o técnico exigiu aos jogadores mal chegou foi que anulassem o adversário, pressionando o portador da bola, cortando linhas de passe, controlando os espaços.

Nagelsmann trabalhou com o atual técnico do Borussia Dortmund – Thomas Tuchel – na segunda equipa do Augsburg e é evidente que partilham algumas ideias nos respetivos modelos de jogo. A «pressão defensiva» exercida sobre a equipa contrária é uma delas, tendo como referências (1) o portador da bola, (2) as linhas de passe próximas ao portador da bola (condicionar a saída com a bola controlada da zona de pressão) e (3) o controlo do espaço de jogo, mantendo a equipa equilibrada em organização defensiva e pronta para retirar profundidade, caso o adversário opte por explorar o espaço atrás da linha defensiva (bola longa). Ontem, estes processos defensivos foram evidentes na primeira parte do fantástico jogo da Bundesliga Borussia Dortmund 1 x 0 Bayern München, conforme podemos observar nas imagens seguintes.


Figuras 1 e 2. Borussia Dortmund em zona pressionante no terço ofensivo do terreno de jogo.

Figura 3. Borussia Dortmund a efetuar forte pressão sobre o portador da bola adversário. 

De facto, as equipas de elite  bem sucedidas na Europa tendem a demorar menos tempo a recuperar a posse de bola após perda (Vogelbein et al., 2014) e a recuperar a bola em zonas mais próximas da baliza adversária (Almeida et al., 2014). A pressão defensiva, quando coletivamente bem coordenada entre os companheiros de equipa, temporalmente sincronizada e espacialmente contextualizada, é um desígnio das melhores equipas e um indicador de performance a ter em consideração na formação de jovens praticantes da modalidade. No entanto, para alcançar esse ensejo é necessário um treino coletivo muito aprimorado, com a definição de bons referenciais de ação e sincronização (princípios) e, como é natural, uma excelente condição física para poder aplicar o método de zona pressionante durante longos períodos de tempo. Para concluir, transcrevo duas simples frases da entrevista a Nagelsmann que são mais importantes para o treino que muitos livros e artigos científicos publicados sobre futebol:

Dou muita importância ao nosso comportamento quando não temos a posse. No futebol de hoje precisas das duas coisas: soluções quando tens a bola e quando não a tens.

Se para a jornalista Lídia P. Gomes, «pressão» é a palavra mais importante no vocabulário de Nagelsmann, eu diria que «solução» é a palavra-chave para qualquer jogador, treinador ou equipa obterem sucesso no futebol contemporâneo. E ter ou dar soluções passa fundamentalmente por saber o que fazer (e como fazer), quando não se tem a posse de bola.

Referências
Almeida, C. H., Ferreira, A. P., & Volossovitch, A., (2014). Effects of match location, match status and quality of opposition on regaining possession in UEFA Champions League. Journal of Human Kinetics, 41(1), 203-214.
Gomes, L. P. (2016, 16 de novembro). Julian Nagelsmann, o talentoso técnico que ainda pode usar Cartão Jovem. Tribuna Expresso. Recuperado de http://tribunaexpresso.pt/futebol-internacional/2016-11-16-Julian-Nagelsmann-o-talentoso-tecnico-que-ainda-pode-usar-Cartao-Jovem
Vogelbein, M., Nopp, S., & Hökelmann, A. (2014). Defensive transition in soccer - are prompt possession regains a measure of success? A quantitative analysis of German FuBball-Bundesliga 2010/2011. Journal of Sports Sciences, 32(11), 1076-1083.

23/10/2016

A arte de contra-atacar: O exemplo do Real Madrid 2016/2017

No passado fim-de-semana, tive a oportunidade de acompanhar o jogo Bétis de Sevilha x Real Madrid, que terminou com uma goleada das antigas (1-6) na cidade da Andaluzia. A fechar o primeiro tempo, o Real Madrid obteve o quarto golo num contra-ataque a partir de um pontapé de canto contra a sua equipa. Vejamos:


O motivo pelo qual me levou a escrever sobre este golo, já algum tempo após o jogo, é simples: constitui um exemplo perfeitamente conseguido de como se deve aproveitar o espaço concedido pela equipa adversária para criar contextos de superioridade numérica, a situação de finalização e, por fim, o golo. Foi um trabalho coletivo fantástico, com enorme solidariedade, um elevado ritmo de progressão e uma eficácia tremenda em ações tão simples quanto o passe.

Figura 1. Transição ofensiva: passe atrasado (Real já em superioridade numérica).

O início da transição ofensiva (figura 1), com um passe atrasado do sérvio Kovacic, foi extremamente inteligente. Em primeiro lugar, colocou um companheiro de equipa em cobertura ofensiva com possibilidade de progredir na direção da baliza adversária (i.e., de frente para o jogo); segundo, evitou por completo a pressão defensiva de um dos três jogadores do Bétis que estavam atrás da linha da bola; terceiro, libertou-se da bola, aclarou e deu linha de passe a Pepe, potenciado o contexto de superioridade numérica.

Figura 2. Criação da situação de finalização (superioridade numérica Gr+2v4).

Na zona de criação da situação de finalização, Karim Benzema teve ao seu dispor três linhas de passe possíveis (figura 2). O ritmo de progressão no campo foi tal que tornou o contexto de superioridade numérica ainda mais favorável para a obtenção de sucesso. Optou por colocar a bola em Cristiano Ronaldo, situado mais à esquerda no sentido do ataque.

Figura 3. Zona de definição (superioridade numérica Gr+1v3).

Sempre ao primeiro toque, Cristiano Ronaldo colocou a bola em Pepe e este ofereceu o golo a Isco com um passe subtil para dentro. Para que conste, a sequência ofensiva teve a duração de 13 segundos, envolvendo 5 jogadores diferentes, que executaram um total de 12 toques sobre a bola e 6 passes. Para termos uma ideia do ritmo de jogo, em cada 2 segundos foi realizado um passe. Em média, houve um passe por cada 2 toques sobre a bola.

As melhores equipas são assim: aproveitam o que o contexto situacional lhes oferece e adaptam-se às circunstâncias. Se o sucesso requer contra-ataque, o coletivo não enjeita. Convém é que os jogadores estejam preparados para ler e executar convenientemente em função da dinâmica mirabolante do jogo. Dizem que se a vida te der limões, então, deves fazer limonada. No futebol, em particular, se o contexto te oferecer espaço e uma equipa adversária desequilibrada, não hesites: contra-ataca. Deste modo, tal e qual, como o Real Madrid fez. Velocidade, ritmo, mobilidade e eficácia. 

27/09/2016

Para onde vão os guarda-chuvas (2015)

A obra «Para onde vão os guarda-chuvas» foi concebida por Afonso Cruz, não um mero escritor português, mas um ser das artes: cineasta, ilustrador e músico. Vive no campo e gosta de cerveja. Diria que fugiu da confusão que nos tolda o juízo e a criatividade. A arte implica tempo e espaço, daqueles que pouco se têm no frenesim da grande cidade.

Figura. Capa do livro «Para onde vão os guarda-chuvas», de Afonso Cruz.
(fonte: www.wook.pt)

Adiante, um livro sobre o oriente, sobre uma outra cultura ou culturas distantes da nossa. Desde os rituais muçulmanos à religião hindu, Afonso Cruz cria um enredo que quase leva os mais descrentes a Alá. É fantástico o modo como capta e nos transmite tanta singularidade quotidiana num romance só. Não contem comigo para ser spoiler. Comprem o livro, peçam-no emprestado, mas leiam-no. Depois, para além da trama que o autor criou, a obra está repleta de autênticas pérolas filosóficas ou, pelo menos, daquelas que me fazem parar, pensar, ler outra vez e pensar um pouco mais. A título de exemplo:

Mas, num desses dias, apesar da felicidade que andava a sentir, voltaram-lhe os pensamentos que costumava ter, pensamentos de arrastar pelo chão: Esta felicidade só pode trazer uma tragédia, tenho muito medo do destino, tenho a sensação de que o nosso riso atrai a desgraça. (p. 56)

A vida e a morte, a felicidade e a tragédia. No fundo, a dualidade no caminho do ser humano. É uma constante.

A criação foi feita através de uma pergunta e não de uma resposta. Se fosse uma resposta, uma certeza, estaríamos todos parados, ancorados na verdade, nos factos. Mas, se evoluímos, é porque andamos a erguer um ponto de interrogação como estandarte. O ponto de interrogação é a verdadeira bandeira do homem. É preciso esquecer os países, as fronteiras, as certezas. O futuro é uma pergunta. (p. 328)

Uma prosa poética de tão bela. Não poderia concordar mais: o futuro é uma pergunta, o mistério a fonte de inspiração para evoluirmos.

A melhor maneira de fazer uma pessoa cair é levá-la para um lugar alto, o universo sabe fazer isso muito bem, sabe levar-nos para cima das coisas para melhor nos empurrar. Não se empurra uma pessoa que está no chão, é preciso ampará-la primeiro, é preciso fazê-la subir umas escadas. É preciso que a pessoa sinta vertigens. É preciso que caia de muito alto. É assim que o universo ri. (p. 506)

Alguns dirão que é o «karma», o destino. Como refere o autor é um equilíbrio absurdamente/moralmente/esteticamente desequilibrado. O universo não faz somente cair, faz cair com estrondo. Antes, porém, ampara-nos, faz-nos subir. Um excerto que deveria ser uma enorme lição de humildade para todos nós.

Para onde vão os guarda-chuvas? São como as luvas, são como uma das peúgas que formam um par. Desaparecem e ninguém sabe para onde. Nunca ninguém encontra guarda-chuvas, mas toda a gente os perde. Para onde vão as nossas memórias, a nossa infância, os nossos guarda-chuvas? (…). (p. 530)

Para onde vai a vida? Suponho que seja uma pergunta de um milhão de euros. Alguém sabe a resposta? Não sabemos por agora, talvez um dia, mas podemos sempre imaginar. E imaginar pela positiva dá outro brilho ao que por cá andamos a fazer.

De resto, do apêndice de Fragmentos Persas (Anónimo, século I depois de Hégira) do livro, destaco o número 363: Criámos os caracóis para fazer o mundo mais lento. (p. 666) Quem me ofereceu o livro sabe que o mundo se tornou mais lento, quiçá eterno, no dia em que os seus caracóis tomaram conta do (meu) universo.

Referência
Cruz, A. (2015). Para onde vão os guarda-chuvas (4ª ed.). Lisboa: Companhia das Letras.

01/09/2016

A busca pela perturbação na eficácia do ataque posicional das equipas de Pep Guardiola

Hughes et al. (1998) defined a perturbation in soccer as an incident that changes the rhythmic flow of attacking and defending, leading to a shooting opportunity. For example, a perturbation could be identified from a penetrating pass, a dribble, a change of pace or any skill that creates a disruption in the defence and allows an attacker a shooting opportunity.
(McGarry et al., 2002: 775)


Dia 28 de agosto de 2016. O Manchester City recebeu e venceu o West Ham United por 3-1. Até aqui, nada de anormal. Os «Citizens», porém, mudaram imenso com a chegada de Pep Guardiola. À 3ª jornada, o cunho do treinador está lá e o ataque posicional uma marca distintiva na sua ideia de jogo. Vislumbremos o primeiro golo do jogo, aos 7 minutos:


O ataque posicional preconizado pelas equipas de Pep Guardiola é, para muitos, chato, aborrecido e entediante. Na minha perspetiva, as principais finalidades são (1) encontrar o timing oportuno para criar a perturbação (i.e., quebrar a simetria existente entre as duas equipas) e (2) retirar a posse de bola e a iniciativa à equipa adversária. Basicamente, é um método de jogo que prima pela inteligência e eficácia: controlar a posse de bola, desposicionar os jogadores contrários para criar espaço e aumentar o ritmo de jogo para originar a situação de finalização.

Figura 1. Fase de estabilidade e início da perturbação 
(Manchester City 1 x 0 West Ham, 28-ago-2016).

A figura 1 mostra-nos a equipa do West Ham United perfeitamente equilibrada com duas linhas defensivas bem definidas e 9 jogadores de campo atrás da linha da bola (4 médios + 5 defesas). David Silva poderia perfeitamente ter colocado a bola em De Bruyne no corredor direito, no intuito de dar largura à equipa, em vez disso passou para o corredor central para John Stones (defesa central em permuta posicional) e deu início à perturbação na organização defensiva dos visitantes (figura 2).

Figura 2. Perturbação, quebra de estabilidade e criação da situação de finalização 
(Manchester City 1 x 0 West Ham, 28-ago-2016).

O passe interior atraiu três jogadores para John Stones que, ao devolver ao primeiro toque para David Silva, criou o espaço para o espanhol acelerar, progredir e executar o passe de rotura para o compatriota Nolito. O cruzamento rasteiro e atrasado para Sterling foi, como se costuma dizer, «meio golo».

Desengane-se quem pensa que isto é obra do acaso ou apenas sai no momento. A paciência e a busca pela perturbação são premeditadas na cabeça de Guardiola e devidamente trabalhadas nas sessões de treino. Jogar com o imprevisto e o inesperado é a chave para o sucesso de qualquer ataque posicional, contudo, acarreta os seus riscos. A gestão do risco e do imprevisto é o que faz de Guardiola um treinador diferente dos demais. Observe-se o seu Barcelona, o seu Bayern de Munique e o seu Manchester City e descubra-se as diferenças. É outro futebol; pelo menos, é o futebol que me encanta. E como refere Carlos Daniel no seu recente livro Futebol a Sério: «No futebol, como em tanta coisa na vida, deixar de encantar é pior do que perder». (2016: 22).


Referências
Daniel, C. (2016). Futebol a Sério (3.ª Edição). Lisboa: A Esfera dos Livros.
Hughes, M., Dawkins, N., David, R., & Mills, J. (1998). The perturbation effect and goal opportunities in soccer. Journal of Sports Sciences, 16, 20.
McGarry, T., Anderson, D. I., Wallace, S. A., Hughes, M. D., & Franks, I. M. (2002). Sport competition as a dynamical self-organizing system. Journal of Sports Sciences, 20, 771-781.

21/08/2016

Os jogos olímpicos do Rio de Janeiro 2016: O absurdismo e a realidade portuguesa

Meus caros, compatriotas portugueses ou não, mais críticos ou menos críticos, mais absurdos ou menos absurdos, permitam-me que quebre a norma vigente e saúde os nossos atletas pela prestação nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro 2016, cujos resultados mais relevantes podem ser encontrados na tabela 1. Muitos, senão mesmo a maioria, não concordarão, mas eu saúdo, felicito e incentivo aqueles que foram para o Brasil não para «passar férias», como alguns ainda fazem ressoar nos nossos tímpanos, mas para representar uma nação que não faz a mínima ideia do que é ser um atleta de alta competição num país sem cultura de alto rendimento. Não é difícil, é horrível.

Tabela 1. Resultados mais relevantes (medalhas e diplomas olímpicos) dos atletas portugueses nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro de 2016 (clique para ampliar).

Não sou nem nunca fui atleta de alto rendimento, mas desde jovem que estou ligado ao desporto nacional, como praticante de uma modalidade coletiva e outra de combate, como treinador desportivo e como professor de Educação Física (EF). De entre algumas coisas que entendo sobre este fenómeno do desporto, é que ele reflete o estado do país e o nosso – convenhamos – não está propriamente em grande forma. Neste último ciclo olímpico, relembremo-nos dos cortes na saúde, na educação, nos salários e, como é óbvio, nos parcos apoios concedidos aos nossos olímpicos. O adjetivo «parcos» não é ingénuo, pois os absurdos que exigem medalhas aos nossos atletas decerto que desconhecerão os apoios facultados em países como EUA, Inglaterra, Alemanha, Canadá, China, Japão, Austrália, etc. Decerto que, também, não conhecem a forma como está organizado o desporto nesses países e a importância que é atribuída à escola, ao desporto escolar e, em particular, à EF na formação de um atleta de elite. O problema, longe de ser a atitude ou a competência dos nossos atletas, é muito mais sério: é estrutural. Uma ou duas horas de expressão físico-motora no ensino pré-escolar; a EF continua a ser o parente pobre da nossa escola pública (ensinos básico e secundário); o desporto escolar pouco ou nada serve as necessidades de movimento/competição de crianças/jovens não federados e a diversidade desportiva em Portugal; a ponte entre o desporto escolar e o desporto federado depende da boa vontade e/ou interesse dos professores responsáveis pelos grupos-equipa; o desporto universitário é pobre e, na generalidade, sustentado pela carolice dos estudantes do ensino superior; apesar de inúmeras e boas investigações produzidas e publicadas na área das Ciências do Desporto, os meios ao dispor dos nossos investigadores são precários comparativamente aos existentes nos países supracitados; os nossos media não «vendem» modalidades que não seja o futebol.

Portanto, às 8h e muito da manhã, quando os senhores de camisa e gravata se preparam para chegar aos seus escritórios para escreverem barbaridades sobre os atletas olímpicos portugueses, recordem-se que muitos deles já realizaram o primeiro treino do dia e já se encontram a estudar ou a trabalhar. Às 19h, quando os senhores estiverem a apreciar o conforto do sofá e da lareira nos seus lares, estão tipos num kayak ou numa bicicleta a treinar debaixo de chuva ou com temperaturas gélidas, por vezes com material adquirido com dinheiro do seu próprio bolso. Parece-me, por isso, razoável antever que quando todos os portugueses, bons ou maus, mais ou menos críticos, mais ou menos absurdos, apresentarem a mesma motivação, resiliência e determinação para se superarem e representarem Portugal, então talvez tenhamos um país ainda melhor, mais competitivo internacionalmente, mais feliz e sem a necessidade mesquinha e absurda de medalhas em jogos olímpicos.

Figura 1. As lágrimas de Emanuel Silva na final de K2 1000m (fonte: www.lux.iol.pt).

De resto, a avaliar pelo número de medalhas e diplomas (11 no total), esta até foi uma das participações mais bem conseguidas do desporto português em olimpíadas. Aos nossos atletas, as vossas conquistas são a minha alegria, as vossas lágrimas a minha tristeza. Um obrigado muito especial a todos vós!

01/08/2016

International Journal of Performance Analysis in Sport (Vol. 16/2016)

Ao contrário de muitos fãs de futebol, as grandes penalidades sempre me fascinaram. A complexidade do jogo é, momentaneamente, reduzida a um confronto direto entre dois representantes de cada equipa: o marcador da grande penalidade e o guarda-redes (GR). O dia de hoje assinala a publicação do número 2 do volume 16 da revista científica britânica International Journal of Performance Analysis in Sport. Com este novo número, surge mais um contributo do SpertLab da Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa (figura 1).

Figura 1. Cabeçalho, título e autores do artigo.

O propósito do estudo foi realizar uma análise exploratória dos presumíveis fatores que influenciam o resultado final da grande penalidade (i.e., golo, defendida pelo GR ou falhada), em cinco épocas consecutivas das competições UEFA Champions League e Europa League (2010/2011-2014/2015). Numa amostra de 536 grandes penalidades, investigámos os efeitos de três tipos de fatores sobre o resultado da grande penalidade (variável dependente): contextuais/situacionais, individuais e de performance. Em traços muito gerais, a figura 2 exibe a distribuição das grandes penalidades pelas 8 zonas da baliza definidas para observação.

Figura 2. Distribuição das grandes penalidades pelas 8 zonas da baliza.

Como seria expectável, as variáveis de performance foram as mais determinantes para o produto final da grande penalidade, designadamente, as direções horizontal e vertical do remate e a ação do GR. A probabilidade do GR defender o penálti aumentou significativamente quando (1) o remate foi direcionado para as zonas baixas da baliza, em particular para a zona 2 (centro-esquerda) e (2) o GR se moveu para o lado correto da bola. Por seu turno, o risco de falhar a baliza aumentou consideravelmente quando a bola foi batida para as zonas superiores da baliza. Ainda assim, o risco de falhar a baliza foi menor comparativamente ao risco de o remate ser defendido pelo GR nas zonas inferiores. Além disso, o período do jogo influenciou significativamente o resultado da grande penalidade. No segundo terço da partida (30:01 – 60:00), os GR defenderam mais grandes penalidades. Os outros fatores contextuais e individuais não produziram efeitos significativos na variável dependente. Para informações mais detalhadas sobre este trabalho, recomendo a leitura integral do artigo.

Abstract
This study aimed to investigate main and interaction effects of situational (competition phase, match location, match status and match period), individual (penalty taker’s footedness, playing position, and age difference to the goalkeeper), and performance factors (shot direction and goalkeeper’s action) on penalty kick outcome in UEFA Champions and Europa leagues. Data were collected from soccer Internet sites and TV broadcasts during five consecutive seasons (from 2010-2011 to 2014-2015). A total of 536 penalties were recorded and analysed considering the aforementioned three groups of variables and the respective penalty outcome (goal, saved or missed). Multinomial logistic regression analysis was used to assess the effects of factors on penalty outcome. The logistic regression model revealed the probabilities of penalty kicks being saved significantly increased (1) in the middle of matches (30:01–60:00) and (2) when the shots were directed to lower zones of the goal, in particular to the lower centre-left zone of the goal (penalty taker’s perspective). Besides, the odds of missing the penalty substantially increased when the shot aimed the high zones of the goal. Based on the current findings, penalty takers should be encouraged to direct the shot to the upper corners of the goal and goalkeepers should wait longer in order to dive to the correct side of the ball. Although performance factors were the most decisive for determining the penalty outcome, situational factors such as match period may also influence the success of penalty kicks.

Key words: soccer, notational analysis, performance, situational variables, logistic regression.

Reference
Almeida, C. H., Volossovitch, A., & Duarte, R. Penalty kick outcomes in UEFA club competitions (2010-2015): The roles of situational, individual and performance factors. International Journal of Performance Analysis in Sport, 16(2), 508-522. (link)

24/07/2016

O Drible (2015)

«O Drible» é um romance do crítico literário e jornalista brasileiro Sérgio Rodrigues. Vencedor do Grande Prémio Portugal Telecom de Literatura, o livro faz do futebol personagem, poesia, numa metáfora para a vida.

Figura 1. Capa do romance «O Drible» de Sérgio Rodrigues.

A analogia do livro é a que mais se assemelha ao propósito deste blogue: o desporto não é somente desporto, é uma forma de viver, de reviver e de educar para a vida. Tanto assim é que Neto, o filho do personagem principal Murilo, foi forçosamente colocado no América para aprender a jogar futebol na sua infância. Porém, o garoto pouco ou nenhum jeito tinha para a bola:

Seu dente de leite era uma prova de que essas coisas levam tempo, e no meio daqueles meninos fortes, habilidosos, decididos, Neto fazia um papel ridículo de matadas na canela e tombos ao menor tranco. Como sempre ocorre em casos assim, por razões pouco esclarecidas, foi parar na lateral esquerda. Lugar de pereba é na lateral esquerda.
(p. 32-33)

O autor mete o dedo na ferida e escarafuncha um dos maiores problemas do futebol de formação na atualidade. Quase sempre, os miúdos não são aquilo que os pais pensam ou querem que eles sejam:

Mesmo assim, mais forte do que a mágoa com Murilo e do que o rancor com os companheiros que o desprezavam, o que Neto guardou do episódio foi a vergonha de ter sido um menino que não só se submetia à humilhação de fingir ser o que não era, abafando o choro no travesseiro toda noite, como no fim ainda queria mais. Você consegue, Neto! Vai fundo que você consegue!
(p. 34)

Os traumas de infância condicionam o resto da vida. A repressão, a frustração e a tristeza levam o ser humano a comportamentos deploráveis e a erros incapazes de serem emendados. Neto foi uma vítima da infância.

Mastigando sem apetite a galinha ao molho pardo de Conceição, ponderou que acabava de receber a sua primeira lição de vida adulta. Lição dura o bastante para tingir de ironia o domingo de sol hipócrita que jorrava para dentro da cozinha, fingindo que nada tinha mudado: alma não se lava no chuveiro.
(p. 55)

No meio da trama, o futebol brasileiro é personagem. Não apenas no início do livro, quando se conta que Pelé desafiou Deus ao tentar fazer um golo impossível, mas perdeu o confronto ao falhar o golo. Interessa perceber que há, pelo menos, um sujeito brasileiro que tem uma ideia cristalina do futebol do seu país:

Foi assim que o futebol brasileiro virou o que é: em grande parte por causa do esforço sobre-humano que os jogadores tiveram que fazer para ficar à altura das mentiras que os radialistas contavam.
(p. 72)

Depois Murilo, o famoso cronista de futebol, explica de forma sublime porque o futebol é o desporto que todos os outros gostariam de ser:

O futebol é cheio de planícies imensas, horas mortas como a que nós acabámos de ver. Um bololô de ruído, intenções que não se concretizam, acidentes, lances de sorte e azar. Nas horas mortas pode acontecer tudo. Tudo mesmo, não é força de expressão. E quando acontece é de repente, um raio que cai e muda a paisagem por completo. (…) Porque sem a interrogação do futuro o futebol e a vida são uma pobreza de bocha.
(p. 94)

A história do menino Peralvo Rolinha, que poderia ter sido melhor que Pelé, permite-nos chegar ao clímax do enredo. Um final surpreendente que vos aconselho a descobrir, sem contudo deixar de terminar com as palavras sábias do autor Sérgio Rodrigues:

Acontece que o futebol pode espelhar a vida, mas a recíproca, por razões que ignoramos, não é verdadeira. Há entre os dois uma assimetria, um descompasso no qual não me surpreenderia que coubesse toda a tragédia da existência.

(p. 229)

11/07/2016

EURO 2016: Portugal campeão europeu e as chapadas de luva branca

Aos 10 dias do mês de julho de 2016, a seleção portuguesa sagrou-se campeã europeia, pela primeira vez na sua história, ao vencer a França no Stade de France – Saint-Denis, na final do Campeonato da Europa de 2016 (figura 1).

Figura 1. Portugal, vencedor do EURO 2016 (fonte: pt.euronews.com).

É histórico e a história desta conquista dos nossos «heróis do mar» é bonita de tão inesperada. Ao contrário do EURO 2004, em Portugal, no qual a nossa seleção praticava um futebol vistoso, aproveitando parte da equipa de um FC Porto vencedor da Champions League e com um plantel de luxo, esta fase de grupos mostrou-nos uma equipa com… falta de recursos, pouco ambiciosa e condicionada por um senhor chamado Cristiano Ronaldo: três vezes bola de ouro da FIFA. Sim, condicionada, porque muitas vezes o portador da bola tinha inúmeras opções de passe, mas a bola seguia sempre para o mesmo destinatário – Cristiano Ronaldo – mesmo quando essa não era a melhor decisão a tomar. E quando a bola não chegava ao capitão, ele barafustava de impaciência. À partida, os jogadores estavam condicionados pelo melhor do mundo. Fernando Santos adaptou a equipa à incapacidade de Ronaldo fechar defensivamente numa ala, com um 1-4-4-2 com dinâmicas, por vezes, confusas e eu referi a várias pessoas de boca cheia: «enquanto Portugal tiver Ronaldo na equipa, por muito bom que ele seja (e é), nunca iremos ganhar uma competição internacional». Disse-o e, agora, não tenho medo de o reassumir. Aliás, também referi que o Éder não era jogador para ser convocado para este europeu e o «patinho feio» resolveu a competição a nosso favor (figura 2). Por esta altura, já contabilizo duas chapadas de luva branca.

Figura 2. O «patinho feio» da seleção foi decisivo: Éder (fonte: abola.pt).

Depois, veio a fase a eliminar e o jogo com a Croácia mostrou-nos dois aspetos muito importantes: (1) um selecionador Fernando Santos realista, pragmático e, ao contrário do comum dos adeptos portugueses, ciente das limitações da equipa e dos pontos fortes das seleções adversárias; (2) um grupo unido, coeso, repleto de personalidade, atitude e comprometido com as palavras do seu líder Fernando Santos: «apenas iremos voltar a casa no dia 11 de julho de 2016» (hoje). Desde então, vimos Fernando Santos a corrigir aspetos menos conseguidos na fase anterior, uma equipa forte em organização defensiva e a primar pelo equilíbrio em todos os momentos de jogo, um capitão Cristiano Ronaldo a ser decisivo, um Pepe absolutamente fantástico na linha defensiva, um Rui Patrício brilhante na final, entre muitos outros elogios que poderia fazer a todos os outros jogadores.

Porém, a maior chapada de luva branca foi a do engenheiro Fernando Santos (figura 3). 

Figura 3. Fernando Santos: o engenheiro do EURO 2016 (fonte: rr.sapo.pt).

Dou a mão à palmatória e friso que soube interpretar muito bem o contexto da competição e, em termos estratégico-táticos, preparar a equipa para ultrapassar as diversas eliminatórias e vencer a final. Portugal não jogou da mesma forma contra a Croácia e contra a França; também não jogou do mesmo modo contra a Polónia e contra o País de Gales. Houve particularidades estratégico-táticas que foram trabalhadas e implementadas e isso foi obra do mister Fernando Santos e da sua equipa técnica. Por exemplo, ao ceder a iniciativa de jogo ao País de Gales, defendendo num bloco médio, Portugal salvaguardou-se das transições ofensivas adversárias, com Gareth Bale na frente sempre pronto para explorar o espaço atrás da nossa linha defensiva. Contra a França, Portugal tentou sempre controlar o ritmo de jogo com saída de bola curta pelo guarda-redes, algo que não se verificou nos jogos anteriores.

Em suma, não assistimos a um futebol de posse, rendilhado, de encher o olho, mas vimos Portugal ser realista e eficaz. A seleção jogou o suficiente para ser bem-sucedida quando outrora com Eusébio, Coluna, Bento, Chalana, Humberto Coelho, Manuel Fernandes, Fernando Gomes, Figo, Rui Costa, João Vieira Pinto, etc., nunca fora. E esta página do futebol português é sublime porque nos coloca no topo da Europa e nas bocas do mundo. Daqui a uns anos, lembremo-nos que uma equipa em que poucos acreditavam fez por merecer e foi feliz. Enfim, com 33 anos vi a seleção principal de futebol de Portugal conquistar uma grande competição internacional. Muitos outros viveram uma vida inteira sem nunca ter tido esse privilégio.

O meu orgulho está com este grupo: jogadores, equipa técnica e restante comitiva. Hoje, o meu orgulho é do tamanho da nossa pátria: viva Portugal!

09/06/2016

All-Time Euro 11 (by UEFA)

Figura 1. O melhor 11 de sempre a atuar em campeonatos europeus (fonte: uefa.com).

Goste-se ou não, os 11 jogadores da Figura 1 foram eleitos para a melhor equipa de sempre a atuar em campeonatos europeus de seleções. A votação decorreu no sítio oficial da UEFA (uefa.com) e, na minha ideia, não estaria um 11 muito diferente deste.

Que maravilhas fariam estes senhores se efetivamente tivessem jogado todos juntos na mesma equipa?

26/05/2016

Homenagem aos Infantis A do Portimonense SC, Época 2015/2016

No início desta época – 2015/2016 – foi-me proposto um novo desafio como treinador: colaborar com o Portimonense SC no escalão de Infantis (Sub-13). Algum tempo depois, viemos a saber que a Associação de Futebol do Algarve iria lançar, pela primeira vez na história do futebol na região, a modalidade Futebol 9 para o escalão etário em questão. Após nove épocas consecutivas a treinar miúdos no Futebol 7 (2005/2006 – 2013/2014) e uma época no Futebol 11 (2014/2015), este constituía um desafio suplementar, marcado pela novidade.

Figura 1. Plantel dos Infantis A (Sub-13) do Portimonense SC, 2015/2016.
(em falta 9 elementos dos Infantis C que também se sagraram campeões).

Os desafios foram ultrapassados de uma forma absolutamente gratificante, fruto do talento dos nossos jovens praticantes mas, sobretudo, da sua capacidade de trabalho e solidariedade. A atitude é essencial para vingarmos em qualquer área da sociedade e no desporto essa premissa não foge à regra. Se é óbvio que o trabalho de um treinador de formação deve assentar no aperfeiçoamento das capacidades individuais da criança/jovem, não é menos verídico que o desenvolvimento de competências sociais deve ser convenientemente ponderado. A atitude para colaborar, cooperar e ser solidário com os companheiros de equipa é mais determinante do que se pensa no desporto, em particular nos desportos coletivos, nos quais a base do sucesso individual é e será sempre o êxito coletivo. Deste modo, apresentámos a época como uma corrida («RACE») em que os vencedores se pautam por R – Respeito, A – Aprendizagem, C – Cooperação e E – Empenho. E o grupo que formámos foi forte, muito forte mesmo, o que foi bastante evidente nos poucos momentos menos bons com que nos deparámos. Não tenho dúvida que foi a chave para uma temporada memorável: 26 jogos e 26 vitórias no Campeonato Distrital de Infantis – Futebol 9 (figura 2); vencedores do torneio Albufeira EuroCopa 2016 (Futebol 11) e do Torneio Centenário – Cidade de Portimão 2016 (Futebol 9).

Figura 2. Classificação final no Campeonato Distrital de Infantis - Futebol 9 (AF Algarve).

Os números valem o que valem nestas idades e os títulos são meros incentivos para um futuro que é por demais incerto e tantas vezes cruel. A noção de que o respeito, a cooperação e o empenho em prol de objetivos comuns compensam e produzem resultados práticos foi a melhor lição de todas e serve para a vida. As estatísticas dizem que apenas uma percentagem irrisória de jovens praticantes se tornam profissionais de futebol, mas é legítimo que todos estes jovens continuem a nutrir o sonho de jogar em grandes palcos, porque «o sonho comanda a vida» e «quando o Homem sonha, a obra nasce», contudo, sem nunca descurar a formação académica.

Pessoalmente, enfatizo a aprendizagem recíproca no seio do grupo, a amizade e, claro está, o gosto pela prática do bom futebol: o jogo de triângulos, as combinações táticas ofensivas, as coberturas, os equilíbrios e as saídas de zonas de pressão. A homenagem da equipa técnica, na qual estão incluídos João Liberal (treinador adjunto), António Sagreiro (treinador de guarda-redes), José Pio e Pedro Simões (delegados), a estes jovens surge sob a forma de imagens. Eis aqueles que foram eleitos os dez melhores golos no campeonato distrital; memórias bonitas que irão perdurar pela posterioridade, fazendo jus ao nosso lema: «se jogarmos para equipa, a equipa, mais cedo ou mais tarde, jogará para nós».


Parabéns a todos, em especial aos nossos rapazes. Força, Portimonense!