29/09/2009

Saúde, Corpo e Sociedade

A saúde... o que é? Como se pode relacionar tal ideia com o corpo? Como se enquadram estes dois conceitos (saúde e corpo) na sociedade?

Actualmente, as ciências biomédicas esforçam-se por solucionar ‘problemas’ biológicos que estão na origem da doença. À medida que estas ciências evoluem, a esperança média de vida da população tende a aumentar, sendo perfeitamente aceitável que surjam questões como a colocada por Fernando Salvater: “Até onde é lícito ir demasiado longe?”. Na minha humilde perspectiva, reformularia um pouco a pergunta e colocaria-a do seguinte modo: Até onde é necessário irmos demasiado longe? Valerá mesmo a pena?

Naturalmente, cairemos na subjectividade das respostas. Eu terei a minha, o leitor terá a sua e, embora estas possam parecer iguais, nunca o serão verdadeiramente.

Quando nascemos somos, no imediato, introduzidos na sociedade. Hoje em dia, sobretudo nas sociedades mais desenvolvidas, a pessoa que nos diz ‘Olá!’ pela primeira vez é um funcionário do hospital (um médico ou um enfermeiro). Mas porquê um médico ou um enfermeiro, porque não a minha avó ou o meu pai? Porque, até durante o parto, há riscos, colocando-se desde logo em prática o conceito de saúde. Salvater, em O Conteúdo da Felicidade, refere que a saúde é imposta à sociedade e assim o é, logo! Desde o nosso nascimento que estamos sujeitos a certos comentários como: “oh bebé, não come isso que faz mal”; “não faças aquilo que cais e ficas mal”; “olha que a saúde não é de ferro” e por aí fora. Enfim, educam-nos na distinção do que é mau e do que é bom, limitam-nos os comportamentos, modulando-os na tentativa de nos tornarem, única e exclusivamente, úteis. Mas, úteis para quê? Para funcionarmos bem, para no futuro mostrarmos rendimento, sermos produtivos e só assim se justifica a saúde como objectivo geral do Estado.

E o prazer do ser humano, não conta? Para o Estado se não for rentável é supérfluo, sem qualquer importância. Pois é, e para o próprio ser humano? O que seria a vida de um Homem sem prazer? De que serve vivermos 90 anos se nos é vedado ou censurado o acesso aos pequenos prazeres que nos põem um sorriso na cara? Valerá a pena? Eu acho que não!

Então, não será esta ideia de saúde um enorme paradoxo no seio da nossa sociedade? O Estado quer-nos bem de saúde para trabalharmos, para sermos alguém, no entanto, segundo Salvater, está-se nas tintas para se vivemos felizes ou não, se temos prazer ou não. Por muito trivial que isto possa parecer, tem fundamento e revela-se um ponto crucial. Fornecem-nos saúde e neglicenciam determinadas necessidades que nos são essenciais – os prazeres. Tudo isto origina, no meu ponto de vista, um ciclo vicioso: "Saúde - Doença - Saúde - (...)".

Não admira que apareçam notícias indicando que mais de 90% da população mundial ande depressiva.

Ora, neste facto surge outra problemática associada à sociedade. Impõem-nos saúde, mas para vivermos bem, também nos impõem uma sociedade de medidas, onde a imagem corporal é altamente relevante. Nós podemos ser indivíduos fisiologicamente saudáveis, mas em termos de imagem corporal fora de padrões estipulados pela sociedade. Embora continuemos a ser ‘úteis’, muitas são as situações onde tal utilidade não é aceite. Psicologicamente, ficamos arrasados, doentes e mais cedo ou mais tarde essa doença repercute-se pelo todo como uma praga que nos dilacera, o vai ao encontro do referido por Gómez de la Serna, em O Homem da Barba: “(...) de uma ideia exasperada pode brotar a doença e a hecticidade que mata”.

Assim, concluo deixando uma pergunta no ar: Seremos apenas escravos de uma ideia abstracta estúpida ou, pelo contrário, reis manipulados cuja doença surge em função da saúde como elemento a conquistar?

19/09/2009

Extravazar de alegria prejudica a saúde?

Manuel Fernandes, ex-jogador do Sporting Clube de Portugal e treinador com cinco promoções no seu currículo, confessou que a ascenção à I Liga com a União de Leiria na época 2008/2009 foi a mais saborosa.

O vídeo seguinte mostra a festa da dita promoção dos leirienses e, particularmente, do técnico aquando da vitória em Aveiro, diante do Beira-Mar. Contudo, nem tudo foi motivo de festa para Manuel Fernandes...

Apreciem o extravazar de alegria do "mister" e... ups... uma "roturazinha" muscular aos 31 segundos do clip. Imaginem só se fosse a primeira promoção da vida do homem. Seria o quê, um enfarte agudo do miocárdio?

Livra!

10/09/2009

A Selecção e o Mundial 2010

Se partirmos do pressuposto que a selecção portuguesa vence a Hungria e Malta em Portugal e a Suécia ainda vai jogar diante dos líderes na Dinamarca, penso que há toda a legitimidade de sonharmos com a presença no Mundial da África do Sul em 2010.

Não posso deixar de concordar que foram cometidos alguns erros impensáveis durante a campanha, mas também é certo que o factor sorte, ao invés do que tem acontecido com a equipa sueca, não tem estado do nosso lado. Torço para que os nossos jogadores e equipa técnica consigam chegar ao "playoff" e formar uma verdadeira equipa de futebol, porque até ao momento não se tem extraído o potencial máximo individual de cada elemento.

Nunca gostei do cenário de depender de terceiros, porém, ingenuamente, eu acredito no apuramento.

04/09/2009

Santa ignorância!

A política em Portugal está ao rubro. Em ano de eleições legislativas e autárquicas já se fazem sentir as campanhas dos mais diversos candidatos. Distribuem-se beijinhos, prometem-se "mundos e fundos" e sorri-se a todos os que aparecem pelo caminho. Na realidade, acredito que nas cabeças de alguns candidatos surja algo mais recondito do género: "tirem-me daqui!" ou "o que uma pessoa tem de fazer para poder tomar decisões importantes?". Outros não, gostam das multidões, de aparecer e de mostrar que podemos contar com eles.

Tudo isto me faz confusão. Sem dúvida que um líder tem de ir ao terreno e sentir - na verdadeira acepção da palavra - os problemas, mas nunca num clima de "caça ao voto". Registam-se ideias, vendem-se soluções, muitas vezes infundadas, mas os problemas persistem e caem no vazio do esquecimento. Para além disso, é sempre mais importante retribuir uma boca ao candidato de um partido contrário.

Se duas cabeças pensam melhor do que uma e se quatro mãos trabalham mais do que duas, porque é que raramente observamos todos os partidos políticos empenhados em propostas seriamente benéficas para a população? Será que só as ideias de um partido é que são boas? Não me coibo de pensar que a tomada de decisão na política é, predominantemente, um processo de índole ideológica, sobressaindo determinados interesses individuais, de um grupo ou de uma classe, e que nem sempre vai ao encontro das necessidades da população e, por inerência, do país.

Se há ciências que não entendo, mas não entendo mesmo, são as Ciências Políticas. Como sou um leigo nessa matéria, decerto que pouco ou nada me adianta tentar compreender as dinâmicas relacionais e decisórias que se geram para (des)governar um país, mas chamar este fenómeno de ciência, isto é, passível de ser estudado de forma objectiva e segundo metodologias experimentais rigorosas e fiáveis, ainda me faz parecer mais tolo.

Santa ignorância!