30/12/2023

Artigo do mês #48 – dezembro 2023 | Práticas contemporâneas de treinadores de futebol portugueses e brasileiros na conceção e aplicação de jogos reduzidos

Nota prévia: O artigo científico alvo da presente síntese foi selecionado em função dos seguintes critérios: (1) publicado numa revista científica internacional com revisão de pares; (2) publicado no último trimestre; (3) associado a um tema que considere pertinente no âmbito das Ciências do Desporto.

 

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Autores: Clemente, F. H., Afonso, J., Silva, R. M., Aquino, R., Vieira, L. P., Santos, F., Teoldo, I., Oliveira, R., Praça, G., & Sarmento, H.

País: Portugal

Data de publicação: 20-novembro-2023

Título: Contemporary practices of Portuguese and Brazilian soccer coaches in designing and applying small-sided games

Referência: Clemente, F. H., Afonso, J., Silva, R. M., Aquino, R., Vieira, L. P., Santos, F., Teoldo, I., Oliveira, R., Praça, G., & Sarmento, H. (2024). Contemporary practices of Portuguese and Brazilian soccer coaches in designing and applying small-sided games. Biology of Sport, 41(2), 185–199. https://doi.org/10.5114/biolsport.2024.132985

 

Figura 1. Informações editoriais do artigo do mês 48 – dezembro de 2023.

 

Apresentação do problema

Os jogos reduzidos são exercícios que simplificam a complexidade do jogo formal e, por meio do recurso a constrangimento da tarefa, visam aprimorar comportamentos específicos dos jogadores (Davids et al., 2013). A popularidade destas atividades jogadas tem vindo a aumentar devido à sua capacidade para, por um lado, exacerbar os comportamentos desejados e, por outro lado, proporcionar esforços intensos (Clemente et al., 2021). Na perspetiva do treinador, as configurações destas tarefas podem ser manipuladas para fomentar a concretização de determinados objetivos, incluindo o número, a forma e a disposição das balizas, o tamanho e a forma do campo, limitações na coordenação intra e interpessoal (e.g., restrição do número de toques), constrangimentos temporais e diversas relações numéricas. Consequentemente, os jogos reduzidos oferecem uma integração abrangente das várias dimensões de desempenho, abrangendo aspetos tático-técnicos (Clemente et al., 2020; Clemente & Sarmento, 2020; Ometto et al., 2018), físico/fisiológicos (Clemente et al., 2021; Moran et al., 2019) e psicológicos/sociológicos (Arcos et al., 2015). 

Nas últimas duas décadas, os investigadores têm-se focado cada vez mais em examinar os efeitos da modificação dos constrangimentos neste tipo de exercícios, uma vez que os jogos reduzidos proporcionam um ambiente de treino enriquecedor que fornece múltiplas oportunidades de ação e que garante que os jogadores permaneçam envolvidos em dinâmicas específicas da modalidade (Dellal et al., 2012; Owen et al., 2012). Por exemplo, formatos de jogo mais reduzidos (i.e., com menos jogadores envolvidos) tipicamente suscitam cargas internas mais elevadas (Lacome et al., 2018) e aumentam a frequência de ações tático-técnicas individuais (Clemente & Sarmento., 2020; Silva et al., 2014). Ao invés, jogos com dimensões >100 m2/jogador aumentam as exigências de carga externa, como a distância percorrida a alta velocidade (Casamichana & Castellano, 2010), e a ocorrência de comportamentos coletivos, tais como a mobilidade e a exploração dos corredores laterais (Castelão et al., 2014). 

Apesar da extensa investigação e do estabelecimento dos jogos reduzidos na literatura científica, há uma escassez de estudos especificamente direcionados à análise (1) da frequência com que os treinadores desportivos incorporam estas tarefas práticas nos seus processos de treino e (2) dos fatores que influenciam a sua aplicação (Clemente et al., 2015). Parece ser fundamental transmitir perceções sobre as práticas reais de treino relacionados com os jogos reduzidos, respondendo à questão: como é que os treinadores têm integrado os jogos reduzidos na sua atividade diária? Previamente, Gonçalves et al. (2021) monitorizaram os tipos de exercícios empregues por um treinador profissional ao longo de 5 meses. Os autores mostraram que, em média, foram dedicados 19.8 ± 13.4 minutos das sessões de treino a jogos de dimensões reduzidas (de 1v1 a 5v5), e mais 19.2 ± 7.4 minutos a formatos de maiores dimensões (de 6v6 a 11v11). 

Em 2017, Alves e colaboradores realizaram um estudo qualitativo com 2 treinadores de futebol experientes acerca da implementação de jogos reduzidos no treino. Os resultados indicaram que os treinadores reconhecem a importância destas tarefas, devido ao seu potencial em combinar princípios táticos e componentes da condição física, o que concorre para um transfer positivo da performance para os jogos competitivos. Um outro estudo qualitativo explorou como os treinadores concebem os jogos reduzidos e articulam a respetiva elaboração com os seus objetivos em contextos reais de prática (Clemente et al., 2015). Este trabalho revelou que treinadores experientes foram mais efetivos a implementar constrangimentos da tarefa para obter o estímulo fisiológico desejado, com uma correlação forte (r = 0.827) entre a frequência cardíaca (FC) estimada pelo treinador e a FC registada pelos jogadores. Apesar destes estudos explanarem a utilização e a importância dos jogos reduzidos no processo de treino no futebol, é evidente que são necessárias mais pesquisas para alcançar uma compreensão mais abrangente dos vários fatores que influenciam a conceção e a aplicação destas atividades pelos treinadores, em particular em contextos desportivos com nuances (e.g., culturas, métodos e abordagens de treino) próprias, como sucede em diferentes países. 

Os casos de Portugal e Brasil são paradigmáticos no concerne com a utilização de jogos reduzidos (figura 2). Em Portugal, o desenvolvimento da Periodização Tática (Delgado-Bordonau & Mendez-Villanueva, 2012) e a emergência de figuras influentes, como José Mourinho, fomentou a adoção de exercícios ecológicos, incluindo os jogos reduzidos, nas práticas de treino. Por inerência, tem havido uma expansão concomitante de literatura relacionada com os jogos reduzidos. O Brasil seguiu de perto esta tendência, com os jogos reduzidos a adquirir popularidade como uma abordagem de treino fundamental, quer para jovens futebolistas, quer para seniores (Aquino et al., 2016; Greboggy & Silva, 2018). Dada a implementação dos jogos reduzidos em ambos os países, torna-se especialmente premente explorar e comparar as suas aplicações práticas no quotidiano de treino diário.

 

Figura 2. Exemplo de um jogo reduzido aplicado na aprendizagem do jogo em idades infantojuvenis, em Portugal (imagem não publicada pelos autores).

 

Os principais objetivos deste estudo consistiram em realizar um inquérito sobre a utilização dos jogos reduzidos no treino de futebol. A abordagem quantitativa envolveu a distribuição de questionários a treinadores em Portugal e no Brasil, com o intuito de proporcionar perceções valiosas, esclarecer práticas atuais e formular recomendações para aprimorar a eficácia da implementação destas tarefas no processo de treino. Além disso, procurou-se oferecer uma visão direta de como os treinadores estão a aplicar os jogos reduzidos, verificando se esse uso está alinhado com a literatura científica mais recente, a fim de identificar lacunas que possam contribuir para melhorar a formação contemporânea dos treinadores.

 

Métodos

Desenho do estudo: de natureza transversal, o trabalho visou examinar e descrever as práticas atuais de treinadores de futebol portugueses e brasileiros no que respeita à conceção e à implementação de jogos reduzidos no treino. O tamanho da amostra foi calculado a priori no software G*power (versão 3.1), atendendo aos seguintes parâmetros: dimensão de efeito pequena (0.3), valor de p de 0.05, potência de 0.95 e 2 graus de liberdade (duas nacionalidades). O tamanho da amostra recomendado foi de 172. Um grupo diversificado de treinadores, incluindo treinadores principais, treinadores-adjuntos e preparadores físicos, foi convidado a participar no inquérito e partilhar as suas práticas e perspetivas sobre a utilização de jogos reduzidos no treino de futebol. Antes de responder ao questionário, foi obtido o consentimento informado de todos os participantes, cuja participação foi totalmente voluntária. 

Participantes: foram recolhidas 187 respostas válidas, por parte de indivíduos de Portugal e do Brasil, sendo 82 homens portugueses e 105 homens brasileiros. Estes treinadores desempenhavam diversos papeis no seio da equipa técnica, com 63 a atuarem como treinadores principais, 38 como treinadores-adjuntos, 38 como preparadores físicos e 48 noutras funções, como analistas de jogo e fisiologistas. Além disso, os participantes treinavam escalões competitivos jovens (n = 102) e seniores (n = 59), embora alguns não estivessem à data a trabalhar num clube ou a desempenhar funções de treinador. 

Procedimentos: o inquérito online foi realizado através do Google Forms e esteve disponível para preenchimento entre 9 e 18 de julho de 2022. O recrutamento dos participantes ocorreu durante um webinar concretizado no dia 9 de julho de 2022. Aos interessados foram apresentados, de modo abrangente, os conceitos fundamentais e a importância dos jogos reduzidos no futebol. O desenvolvimento do inquérito sobre os jogos reduzidos envolveu os “quandos”, os “comos” e os “porquês” da sua utilização, sendo primariamente elaborado por 3 investigadores com base na literatura existente. De modo a assegurar a qualidade do instrumento, 3 académicos especialistas em jogos reduzidos foram convidados a rever o esboço, determinando uma série de melhorias. O inquérito foi, então, enviado a 4 treinadores de futebol, 2 com formação académica em Ciências do Desporto e 2 sem. Após incorporar os feedbacks destes, a versão final foi enviada aos especialistas iniciais para avaliação final. Após aprovação, o inquérito foi lançado online, com os participantes a receber explicações claras sobre o propósito do instrumento e as devidas garantias de anonimato. O questionário abordou aspetos demográficos e questões sobre a implementação dos jogos reduzidos, incluindo 18, 14, e 43 perguntas nos domínios “quando”, “como” e “porquê”, respetivamente. 

Recolha dos dados e procedimentos estatísticos: os dados recolhidos do inquérito foram exportados e compilados num ficheiro Excel. Para questões de resposta fixa, foi realizada uma análise de frequência, que permitiu uma avaliação quantitativa das escolhas e das preferências dos participantes dentro das categorias de resposta predefinidas. O teste do Qui-quadrado foi aplicado para investigar potenciais relações entre duas variáveis categóricas, como a nacionalidade e a questão em causa. O teste de Mann-Whitney U foi utilizado para escalas ordinais, também para detetar diferenças entre as nacionalidades. Os testes estatísticos foram realizados através do software SPSS (versão 28.0), com significância estatística definida em p ≤ 0.05.

 

Principais resultados

 

·     Perspetiva global

Independentemente do país, a maioria dos treinadores propõe jogos reduzidos duas a três vezes por semana, quer na pré-época, como no período competitivo. Para o grosso dos participantes, a duração dos jogos reduzidos varia entre os 16 e os 30 minutos, situando-os nas partes inicial (aquecimento) e fundamental. Os treinadores concebem jogos reduzidos para melhorar a aptidão aeróbia e as mudanças de direção e fazem-no menos frequentemente para desenvolver a performance em sprint. O treino técnico e tático é, para a grande maioria, o principal objetivo que decorre da aplicação de jogos reduzidos. Os treinadores preferem formatos mais pequenos (1v1 a 4v4) para estimular a aptidão aeróbia, as mudanças de direção e as habilidades técnicas. Ao invés, os formatos médios (5v5 a 8v8) são mais idealizados para desenvolver comportamentos táticos e ações de sprint.

 

·     “Quando?”

Os treinadores tendem a integrar frequentemente os jogos reduzidos nos seus planos de treino, embora não o façam em todas as sessões de treino. Houve associações significativas entre a nacionalidade e a frequência de jogos reduzidos na pré-época e no período competitivo. Na pré-época e no período competitivo, os treinadores brasileiros tendem a propor duas sessões de treino semanais com jogos reduzidos, enquanto os portugueses privilegiam 3 sessões práticas por semana. Na parte do retorno à calma, 33% dos brasileiros refere não utilizar jogos reduzidos, porém, 43% dos portugueses confessaram implementar abaixo de metade do número de sessões de treino definidas. As diferenças nas outras distribuições – duração das sessões de treino, o tempo despendido em jogos reduzidos e as frequências de jogos reduzidos no aquecimento e na parte fundamental – não foram significativas.

 

·     “Como”? (para melhorar a condição física)

As associações significativas ocorreram entre a nacionalidade e (1) o desenvolvimento do sprint, (2) de mudanças de direção, (3) o tempo despendido para o treino aeróbio e (4) a frequência de jogos reduzidos para aprimorar as ações de sprint. Em concreto, 56% dos treinadores brasileiros usam os jogos reduzidos como método de treino para treinar a velocidade máxima, mas 52% dos participantes portugueses referiram não o fazer. Também, 76% dos treinadores brasileiros utilizam jogos reduzidos para desenvolver as mudanças de direção, valor que baixa para os 66% no caso dos treinadores portugueses. Os treinadores brasileiros dedicam mais tempo de treino para desenvolver a aptidão aeróbia (21–30 min; 39%), comparativamente aos portugueses (11–20 min; 41%). Os treinadores brasileiros também mencionaram recorrer a mais sessões para potenciar a performance em sprint: 1–2 sessões (38% vs. 37% portugueses); 3–4 sessões (16% vs. 2% portugueses).

 

·     “Como”? (para melhorar habilidades técnicas e comportamentos táticos)

O estudo revelou associações significativas entre a nacionalidade e o uso de jogos reduzidos para desenvolver habilidades técnicas e comportamentos táticos. Contudo, as associações entre nacionalidade e (1) escolha do tipo de jogos reduzidos, (2) relações numéricas propostas, (3) o tempo alocado para os jogos reduzidos e (4) frequência semanal de jogos reduzidos apenas foram significativas para o treino técnico, o que não aconteceu para o aperfeiçoamento tático. Comparativamente aos treinadores portugueses, os técnicos brasileiros afirmaram utilizar mais os jogos reduzidos para o desenvolvimento técnico (86% vs. 71%) e tático (84% vs. 70%). Enquanto os treinadores portugueses preferem utilizar jogos de dimensões mais reduzidas (49%) para aprimorar a técnica, os brasileiros referem combinar mais do que um grupo de formatos (40%). Na dimensão técnica, os portugueses preferem situações de igualdade numérica (41%), mas os técnicos do Brasil optam mais por jogos com superioridade/inferioridade numéricas (48%), concedendo mais tempo aos jogos reduzidos (11–30 min vs. 11–20 min).

 

·     “Como”? (caracterização dos objetivos das tarefas)

Não houve associações significativas entre a nacionalidade e as dimensões do espaço para o treino fisiológico, acelerações/desacelerações e o desenvolvimento de habilidades técnicas. No entanto, houve associações significativas entre a nacionalidade e as dimensões do espaço para potenciar o sprint e as ações táticas. Para promover a velocidade de corrida e os comportamentos táticos, os técnicos portugueses propõem espaços amplos (> 1/8 do campo formal) mais frequentemente (85% vs. 71% e 93% vs. 76%, respetivamente). Para o desenvolvimento de habilidades técnicas, houve ainda uma associação significativa entre a nacionalidade e o objetivo dos jogos reduzidos, com os treinadores brasileiros a proporem mais situações de posse de bola (52%) e os portugueses a utilizar jogos com alvos, i.e., com direcionalidade (56%).

 

·     “Porquê”? (importância de desenvolver diferentes capacidades)

Os resultados mostraram associações significativas entre a nacionalidade e a importância dos jogos reduzidos para potenciar (1) a condição física de base (aeróbia), (2) mudanças de direção, (3) agilidade, (4) habilidades técnicas ofensivas, (5) habilidades técnicas defensivas, (6) comportamentos táticos ofensivos, (7) comportamentos táticos defensivos e (8) o modelo jogo. Não houve nenhuma associação entre a nacionalidade e a importância dos jogos reduzidos para estimular a força máxima. Enquanto os treinadores brasileiros consideram os jogos reduzidos muito importantes para desenvolver princípios táticos ofensivos e defensivos, a maioria dos treinadores portugueses considera-os apenas importantes. Analogamente, a maioria dos treinadores brasileiros vê os jogos reduzidos como muito importantes para melhorar a aptidão aeróbica e a agilidade, enquanto os portugueses não enfatizam tanto essa relevância.

 

Aplicações práticas

Os resultados e a discussão do estudo levaram-me a formular 5 sugestões práticas que julgo poderem ser úteis para melhorar o planeamento e a aplicação de jogos reduzidos no processo de treino no futebol, a saber:

 

1. Personalizar os planos de treino: para otimizar a eficácia dos jogos reduzidos nas sessões de treino, os constrangimentos da tarefa propostos devem atender às preferências e aos objetivos específicos da equipa técnica. Uma abordagem personalizada permitir direcionar o desenvolvimento tático, técnico, físico e psicossocial no sentido pretendido, tendo em consideração as necessidades individuais e coletivas do plantel. 

2. Ajustar a periodização do treino: ao equacionar variações na frequência e na duração dos jogos reduzidos ao longo da temporada, os treinadores podem ajustar estrategicamente a periodização, equilibrando a relação entre carga de treino e recuperação. Adaptar o planeamento com base na cultura, na filosofia e nas nuances metodológicas locais permite rentabilizar o desempenho dos jogadores. 

3. Promover a variedade nos formatos de jogo reduzido propostos: os treinadores devem incorporar diversos formatos de jogo reduzido no seu processo de treino para trabalhar as dimensões do rendimento de forma holística. Formatos diferentes de jogo permitem usualmente atingir objetivos específicos, do ponto de vista tático, técnico, físico e fisiológico. Os formatos mais reduzidos (1v1 a 4v4) são mais propícios para o desenvolvimento técnico, da aptidão aeróbia e da componente neuromuscular (i.e., acelerações, desacelerações e mudanças de direção). Já os formatos médios (5v5 a 8v8) ou grandes (9v9 a 11v11) aparentam ser mais efetivos para o aperfeiçoamento de comportamentos táticos e para estimular ações contextualizadas de corrida em velocidade (sprint). 

4. Potenciar a integração dos jogos reduzidos nas sessões de treino: a integração de jogos reduzidos nas sessões de treino deve ocupar até, aproximadamente, 40 minutos da sessão. Não é de todo descabido propor jogos reduzidos ao longo de todo o microciclo semanal, mas nunca descurando o binómio “esforço – recuperação”. Além disso, os jogos reduzidos podem ser implementados na parte inicial da sessão (vulgo aquecimento), pois fomentam respostas agudas nos indivíduos relacionadas com as exigências subsequentes da sessão ou do jogo. A parte final (retorno à calma) também pode conter situações jogadas, desde que concebidas de modo a fazer jus às particularidades desta fase da sessão (e.g., inclusão de jogadores neutros ou jokers, ou utilização de restrições espaciais, em períodos de esforço curtos). 

5. Facilitar a diversidade de movimentos e multiplicidade de oportunidades de ação: os treinadores devem explorar a diversidade de movimentos e multiplicidade de oportunidades de ação (affordances) por meio da manipulação das características estruturais da tarefa. Alterações simples do jogo em termos espaciais, numéricos, temporais, materiais ou regulamentares podem ter um impacto considerável nos esforços físicos produzidos e nas habilidades tático-técnicas executadas.

 

Conclusão

O inquérito realizado permitiu caracterizar a aplicação de jogos reduzidos por treinadores portugueses e brasileiros, procurando compreender os “quandos”, os “comos” e os “porquês” da utilização destas atividades de treino. Os treinadores preferem realizar jogos reduzidos duas a 3 vezes por semana, com uma duração média de 16 a 30 minutos por sessão. Os jogos são principalmente utilizados para estimular a aptidão aeróbica, mudanças de direção, habilidades técnicas e comportamentos táticos. Os formatos mais reduzidos (1v1 a 4v4) são mais selecionados para potenciar a aptidão aeróbia e as capacidades neuromusculares e técnicas, embora os treinadores ajustem os constrangimentos da tarefa conforme necessário. No geral, os treinadores consideram os jogos reduzidos altamente importantes para aprimorar a aptidão aeróbica, as habilidades técnicas e os comportamentos táticos. As evidências contribuem para uma compreensão mais profunda de como os treinadores incorporam os jogos reduzidos no processo de treino, fornecendo inúmeras perspetivas sobre como otimizar o planeamento e diversificar as práticas no contexto do futebol.

 

P.S.:

1-  As ideias que constam neste texto foram originalmente escritas pelos autores do artigo e, presentemente, traduzidas para a língua portuguesa;

2-  Para melhor compreender as ideias acima referidas, recomenda-se a leitura integral do artigo em questão;

3-  As citações efetuadas nesta rúbrica foram utilizadas pelos autores do artigo, podendo o leitor encontrar as devidas referências na versão original publicada na revista Biology of Sport.