22/02/2011

Um Dia de Sorte!

Um aluno do 4º Ano chegou à minha aula de natação e disparou triunfante:
 
- Professor, hoje é o meu dia da sorte!
 
- Sim? Porquê? - questionei curioso.
 
- Ainda há pouco estava a jogar Basquetebol na aula de "ginástica", marquei um "golo" de longe e roubei a bola a dois colegas. O professor disse-me que foi muito bom - acrescentou.
 
- Mas isso é tudo sorte?
 
- A sorte não é por isso, professor - baralhou-me todo.
 
- Hum? Então?
 
- Foi porque toquei no umbigo de manhã. Dizem que tocar no umbigo dá sorte.
 
Parei e fitei-o com cara de parvo, enquanto partia sorridente no seu esparguete para 64 metros em batimento de pernas "Costas".

15/02/2011

Lucrar em Alta com um Povo em Baixa

Numa reportagem recente foram anunciados os lucros da GALP em 2010, lucros esses superiores 43% (!) em relação ao ano transacto. Um dos administradores da empresa esclareceu, sem rodeios, que tais resultados se devem ao aumento do preço dos combustíveis.

Ora, longe de ser um "expert" na matéria, facilmente constato que a diferença entre o preço de compra e o de venda pela empresa aumentou imenso. Como na sociedade contemporânea o carro representa para muitos um bem de primeira necessidade (para ir para o trabalho ou levar os filhos à escola, etc.), questiono até que ponto não deveria haver um controlo ou uma regulação dos exurbitantes preços praticados em Portugal? Faz sentido que empresas como a GALP, BP, Repsol e afins lucrem de maneira tão evidente com a desgraça de todos nós?

Fonte: http://raim.blogspot.com

Sempre que vou abastecer - em cada duas ou três semanas - fico estarrecido com o preço do gasóleo uns cêntimos mais caro, o que, portanto, reverte para a percentagem absurda de lucro das gasolineiras. Já que nenhuma autoridade competente mexe palha, porque parece que também lhes convém, vou deixar que a estação da chuva e do frio passe para mudar de meio de transporte.

O pior é, como diz o povo, que tempo é dinheiro e este, infelizmente, não estica nem dá para tudo. E voltamos nós para o automóvel.

08/02/2011

O Modelo LTAD, com especial referência aos Jogos Desportivos Colectivos


O modelo LTAD (Long-Term Athlete Development) foi proposto por Stafford (2005), baseando-se nos trabalhos de Balyi, e engloba as seguintes etapas: 1) fundamental, 2) aprender a treinar, 3) treinar para treinar, 4) treinar para competir, 5) treinar para ganhar e 6) retenção. É um modelo que não consagra somente etapas de formação do jovem atleta, mas para toda a vida. Os seus intentos primam por maximizar o potencial individual de cada atleta, como também, e para a maioria que não atinge níveis de elite, promover os benefícios de um envolvimento de longa duração no desporto (fig. 1).



Fig. 1. Etapas do Modelo LTAD (adaptado de Stafford, 2005)
Como podemos observar, a primeira etapa é a FUNdamental, cujos desígnios assentam na prescrição de exercícios e movimentos de cariz multilateral, divertidos e que promovam aprendizagem motora. Implica uma formação básica universal, de preferência praticando um vasto leque de actividades físicas e desportivas, podendo durar pelo menos dois anos. O autor faz a distinção entre rapazes (6-8 anos) e raparigas (6-9 anos). O elemento diversão (“fun”) é essencial nesta primeira etapa. A progressão de habilidades motoras básicas em actividades ou jogos divertidos e bem estruturados vão lançar as bases para que as subsequentes habilidades e competências específicas de um desporto sejam desenvolvidas.

Posteriormente, surge a etapa aprender a treinar. Stafford (2005) associa esta etapa às idades 8-11 anos (raparigas) e 9-12 anos (rapazes). É uma fase dominada pela aprendizagem de habilidades motoras específicas das modalidades – as acções técnicas nas modalidades individuais ou acções táctico-técnicas nos JDC (jogos reduzidos/condicionados, princípios específicos do jogo) – porém, de igual modo, componentes coordenativas multilaterais, de forma a aperfeiçoar os pré-requisitos do rendimento psico-cognitivo e neuromuscular. É nesta etapa que devem ser introduzidas as habilidades motoras e as capacidades inerentes à(s) actividade(s) preferida(s), sucedendo em ambientes de prática que suscitem prazer e fomentem a descoberta guiada. Deve ser encarada como a principal etapa de aprendizagem, na medida em que engloba fases sensíveis, críticas mesmo, na qual ocorre uma acelerada adaptação ao processo de treino. Está, portanto, inerente a aquisição de habilidades motoras básicas e comuns a diversos desportos, ainda que, de acordo com Stafford (2005), se verifique uma redução do número de actividades/desportos praticados, sendo recomendada a prática de três actividades distintas. A ênfase deve situar-se no aprender a treinar e a praticar e não no resultado do desempenho da criança, ainda que o elemento “competição” também deva ser introduzido (rácio treino-competição de 80:20).

Segundo Stafford (2005), a próxima etapa (aprender a treinar) sucede nos rapazes entre os 12 e os 16 anos e nas raparigas entre os 11 e os 15 anos. O autor alega que esta etapa cobre um período peculiarmente sensível para o desenvolvimento físico e de habilidades técnicas e tácticas. Para além disso, esta pode ser considerada a principal fase para o desenvolvimento da condição física, nomeadamente da resistência aeróbia e da força, sendo o Pico de Velocidade em Altura (PVA) um ponto de referência a tomar sempre em consideração. Nos JDC, é nesta etapa que o conteúdo do treino se centra no desenvolvimento e consolidação de acções técnicas ou habilidades específicas de um desporto, constituindo também a etapa inicial de preparação táctica, naturalmente, em níveis básicos e intermédios. Stafford (2005) admite que esta etapa possa durar entre três a cinco anos, ocorrendo um aumento progressivo do treino específico em relação ao treino geral e da importância relativa da competição no processo de formação da criança/jovem (rácio treino-competição de 60:40).

O modelo LTAD contempla, seguidamente, a etapa treinar para competir, envolvendo rapazes entre os 16 e os 18 anos e raparigas entre os 15 e os 17 anos de idade. Trata-se de uma etapa que deve fornecer aos potenciais atletas oportunidades de se prepararem conveniente para a situação de competição. A monitorização dos efeitos do treino e da competição afigura-se como indispensável, pois é determinante identificar qualidades e limitações individuais que proporcionam, em última instância, a optimização do desenvolvimento do atleta. No âmbito dos JDC, é incluída a preparação técnica, táctica e física específica do desporto, implicando a preparação táctica numa posição específica (especialização), a aplicação dos princípios específicos e gerais dos processos ofensivos e defensivos, o planeamento e avaliação da competição e a observação e adaptação às equipas adversárias. É nesta etapa que a competição começa a ganhar preponderância no processo de formação, com um rácio treino-competição de 40:60 (Stafford, 2005).

O modelo LTAD engloba ainda uma etapa final em relação à preparação de atleta com capacidade para atingir níveis elevados de rendimento: a etapa treinar para ganhar. Embora seja variável de modalidade para modalidade, Stafford (2005) sugere que ocorre a partir dos 18 anos para rapazes e a partir dos 17 anos para raparigas. No cômputo geral, procura-se maximizar a performance, “picos” de forma, assumindo que as capacidades relevantes para o desempenho já foram desenvolvidas. No que concerne aos JDC verifica-se, ao nível da táctica, um desenvolvimento efectivo de estratégias competitivas, o “jogar” em função dos pontos fortes e fracos do adversário, e a modelação dos aspectos de performance em situação de treino.

Por último, a etapa de retenção, cujo principal objectivo passa por reter atletas em fim de carreira na esfera desportiva, atribuindo-lhes papéis distintos (dirigentes, treinadores, funcionários, sócios, etc.). Apesar de todas as etapas que constituem o modelo LTAD serem relevantes, as três primeiras são de vital importância na globalidade do processo, daí serem consideradas como as etapas de formação de base.

Especialmente nos JDC, o desenvolvimento da tomada de decisão inerente ao acto táctico, ou seja, à resolução dos problemas situacionais do jogo, não pode ser deixado ao acaso. Pelo contrário, deve ser uma parte integrante e permanente de todo o processo de formação do jovem, sendo a parcela do treino da táctica, no tempo total de treino, determinada pela importância relativa desta componente na estrutura de rendimento do jogo. Importa ainda ressalvar que todos os programas de treino, competição e recuperação devem ser delineados em função do desenvolvimento individual e não, como é comum, relativamente à idade cronológica dos atletas (Stafford, 2005).

Referências:

Almeida, C. H. (2009). O microciclo padrão típico da periodização táctica no treino de jovens futebolistas do género masculino, dos escalões Escolas (Sub-11) e Infantis (Sub-13): Factores condicionantes e eventuais soluções. Trabalho não publicado de Planeamento do Treino do VI Mestrado em Treino do Jovem Atleta. Lisboa: Faculdade de Motricidade Humana.
Stafford, I. (2005). Coaching for long-term athlete development: To improve participation and performance in sport. Leeds: Sports Coach UK.