25/10/2012

The Open Sports Sciences Journal (Vol. 5)

Após cerca de 15 meses que compreenderam a elaboração do projeto, definição do design experimental, seleção e recrutamento da amostra, recolha e tratamento dos dados, escrita, correções, revisões e mais correções e revisões, eis que é finalmente publicado o produto final.
 
O artigo Manipulating task constraints in small-sided soccer games: Performance analysis and practical implications, em que contei com o inestimável e precioso apoio dos professores António Paulo Ferreira e Anna Volossovitch (FMH – UTL), compõe a edição especial “Training Control and Performance Assessment in Sport” do The Open Sports Sciences Journal (Volume 5).
 
Foto: Perspetiva dos jogos reduzidos (Gr+3v3+Gr).
 
Aqui no Linha de Passe registo com enorme satisfação a ocasião, disponibilizando o respetivo resumo (abstract) e o link onde poderão aceder, gratuitamente, a este e a outros artigos científicos da autoria ou coautoria de investigadores nacionais e internacionais conceituados na área das Ciências do Desporto, em particular na análise do desempenho e no desenvolvimento da excelência no desporto (Ricardo J. Fernandes, Júlio Garganta, José Maia, Isabel Mesquita, Maria Teresa Anguera, Carlos Lago-Peñas ou Mark Williams).
 
Abstract
Since an awareness of key task constraints can be extremely beneficial for coaches, the lack of scientific background about the effects of altered game rules/conditions on individual or team performances during soccer practice is surprising. The aim of the present study was to analyze the influence of different small-sided game (SSG) playing rules (“free-form”, “two touches” and “four passes to score”) on the offensive performance of young soccer players. Eight U-13 male soccer players were divided into two balanced teams. The experimental protocol consisted of three testing sessions separated by one-week intervals. In each session, teams faced each other in the three SSG conditions (3vs.3+goalkeepers) during periods of ten minutes interspersed with five minutes of passive recovery. Simple (i.e. Duration of ball possession, Players involved, Ball Touches, Passes, Shots, and Result of the Offensive Sequence) and composite (i.e. Players involved/ Duration, Ball Touches/Duration, Passes/Duration, Ball Touches/Players involved, Passes/Players involved, Passes/Ball Touches, and Goal/Shots) performance indicators were used to characterize the offensive performance of both teams. Results revealed that the factor “playing rule” had a significant effect on simple and composite indicators (p < 0.05). It was concluded that manipulating task constraints, such as game rules, can direct practitioners towards intended behaviors, and consequently promote skill acquisition and improve performance in youth soccer. Further research is needed to extend the knowledge about the modification of playing rules in team sports practice.
 
Keywords: Constraints-led approach, performance, rules modifications, small-sided games, technical component, youth soccer.

 
 
Aproveito ainda o ensejo para, mais uma vez, agradecer à direção do clube Juventude Desportiva Monchiquense, na pessoa do atual presidente, e a todos os jovens que, a título de jogador ou colaborador, tornaram este trabalho possível.

18/10/2012

A ausência de um “10” na seleção portuguesa

Para quem, nos anos mais recentes, viu Rui Costa ou Deco a jogar pela seleção portuguesa, de imediato reconhecerá a falta que faz um jogador com características de um “10” no meio-campo de Portugal.
 
Foto: Rui Costa a atuar por Portugal (retirado de www.google.pt).

Até ao momento, as quatro jornadas da qualificação para o Mundial 2014 – isto sem esquecer o magnífico Euro 2012 realizado pela seleção – demonstraram que, por muita qualidade que possam ter João Moutinho, Raúl Meireles e Miguel Veloso (os habituais titulares), nenhum deles é verdadeiramente um “10”.
Destaco, acima de tudo, predicados como a criatividade, a espontaneidade e a inteligência de jogo que distinguem os grandes craques que envergam ou envergaram a camisola “10”. Em conjunto, estes atributos possibilitam que um “10” saiba encontrar (e concretizar eficazmente) soluções para problemas contextuais do jogo que poucos (ou nenhum) companheiros de equipa conseguiriam discernir e executar. São estes jogadores que jogam e fazem jogar uma equipa; contagiam um jogador menos evoluído, técnica ou taticamente, a praticar um futebol vistoso e, simultaneamente, objetivo. São estes jogadores que melhor entendem os ritmos de jogo: quando é preciso circular mais a bola para recuperar ou pacientemente conduzir a equipa adversária a entrar em desequilíbrios defensivos; ou quando é necessário acelerar processos para aproveitar desequilíbrios já presentes na estrutura defensiva oponente (ataque rápido ou contra-ataque). São estes jogadores que só sabem jogar bem!
Sem desprimor para qualquer um dos excelentes médios que figuram nas opções iniciais de Paulo Bento, não temos um “10” em Portugal. A ausência das ideias de um “10” ficou por demais evidente diante da Rússia e da Irlanda do Norte. E que jeito daria um Rui Costa ou um Deco a Cristiano Ronaldo e a Nani nas alas. As cotações (leia-se, performances) destes jogadores na seleção subiriam em flecha.
Por último, não posso deixar de fazer figas para que as gerações futuras do futebol português sejam mais prendadas que esta no que toca à matéria de um “10”: uma espécie em vias de extinção que urge preservar e… saber formar.

03/10/2012

Treino de guarda-redes: A metodologia no Deportivo

É na posição de guarda-redes (GR) que encontramos um vasto leque de ações que se distingue bastante dos comportamentos específicos dos designados "jogadores de campo". Por conseguinte, é lógico que o processo de treino corresponda às particularidades do rendimento dos indivíduos que atuam nesta posição peculiar.
 
Através do jornal Record - edição online - tive a feliz oportunidade de conhecer a metodologia de treino que José Sambade Carreira - treinador de GR - utiliza no clube mais português da Liga BBVA: o RC Deportivo de La Coruña.
 


Neste caso, o objetivo é trabalhar a velocidade específica dos GR que, como José Sambade explica, deve surgir, dentro do microciclo semanal, na penúltima ou última sessão de treino antes da situação competitiva (i.e., jogo). O racional, a diversidade e os materiais empregues suscitou a minha atenção pela sua adequabilidade e criatividade. Isto é treinar em especificidade e com qualidade. As diversas formas de manifestação da velocidade - sobretudo, os tempos de reação simples e complexo e a velocidade de execução - solicitados em inúmeros contextos passíveis de ocorrem em competição.

De um ponto de vista mais teórico, trata-se da Abordagem Baseada nos Constrangimentos efetivamente aplicada. Um exemplo excelente de como o treinador desportivo deve manipular a tarefa, com criatividade e engenho, no intuito de estabelecer uma estreita correspondência entre os fatores de treino a desenvolver/aperfeiçoar e o perfil de rendimento do(s) jogador(es) em competição. Creio que é por aí que passa grande parte da capacidade de evolução dos treinadores de futebol que, antes de pensarem nas suas estruturas de planeamento, deveriam colocar de parte os exercícios estanques e estéreis que tantos livros técnicos recomendam.