08/09/2010

Futebol português: Futuro cose-se por linhas tortas

Face aos resultados recentes das nossas selecções e à política de aquisição de jogadores dos principais clubes portugueses, urge começar a repensar com que linhas se pretende coser o futuro do futebol português. Mourinho diz que um país, pequeno como o nosso, que já teve três "bolas de ouro" (Eusébio, Figo e Cristiano Ronaldo), tem condições para conquistar um título internacional.

Eu concordo com Mourinho, mas discordo totalmente com o modo como se está a preparar o futuro do nosso futebol. Os dirigentes dos mais diversos clubes nacionais preferem ir à América do Sul comprar "craques", em vez de aproveitar os talentos que, durante anos, vão sendo lapidados nos escalões de formação. O SL Benfica, por exemplo, prefere dar 6 milhões de Euros por um talento espanhol, para em seguida emprestá-lo a um clube inglês. Raramente se observa a transição de jogadores júniores para o plantel sénior. Tudo bem que as exigências competitivas são distintas, porém não deixa de constituir um claro atestado de incompetência ao árduo trabalho desenvolvimento no processo de formação.

As oportunidades concedidas a jogadores estrangeiros são exponecialmente superiores às atribuídas aos jovens portugueses que, aqui e acolá, manifestam competência para realizar performances de qualidade no mais alto nível de desempenho. Questiono quem são as grandes "promessas" do futebol português. Escasseiam nomes e as selecções vão ficando afastadas das principais competições internacionais na categoria (os Sub-21 são exemplo disso). Inclusivamente, nos escalões de formação já observamos clubes a irem buscar estrangeiros para, supostamente, possuírem melhores argumentos para lutar pelo título nacional. Estamos a desvirtuar a formação de futebolistas portugueses e o próprio futebol português.

Foto: A "promessa" Ukra a representar os Sub-21.

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) tem uma palavra a dizer sobre esta problemática que assola a actualidade desportiva no país. Não é só o prof. Carlos Queiroz o vilão do filme. Infelizmente, o enredo ultrapassa em larga escala o que se passou no controlo anti-dopagem da Covilhã. Posto isto, é fulcral que a estrutura directiva e técnica da FPF procurem soluções para corrigir um futuro que se sugere dramático para as gerações vindouras da Selecção Nacional "A".

Oxalá esteja enganado.

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