É com satisfação que partilho mais uma publicação
científica para a qual tive a oportunidade de dar um singelo contributo. O
artigo “Physical demands and patterns of Portuguese football referees: a casestudy” foi recentemente publicado online na revista científica Motricidade (Q4;
Impact Factor 2024: 0,41; CiteScore 2025: 0,7; Figura 1), embora a respetiva
versão final se encontre ainda em produção, estando atualmente disponível
apenas o draft do artigo.
Figura 1.
Informações editoriais do artigo publicado na revista Motricidade.
O trabalho é da autoria de Pedro Miguel (Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes – ISMAT, Universidade Lusófona), Vítor Carvalho (Universidade Lusófona), Carlos H. Almeida (Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes – ISMAT, Universidade Lusófona; CIDEFES), Alberto Pompeo (CIDEFES), Marcos Prandi (Universidade Lusófona), Pedro Viana (Universidade Lusófona), Paulo Paixão (Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes – ISMAT, Universidade Lusófona; Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Beja; SPRINT) e Filipe Casanova (CIDEFES).
Este trabalho nasceu de um projeto iniciado em setembro de 2024, sob a liderança do Prof. Doutor Filipe Casanova, no âmbito de uma colaboração entre a Universidade Lusófona e a Associação de Futebol de Aveiro, com o propósito de aprofundar o conhecimento sobre as exigências físicas e fisiológicas associadas à arbitragem no futebol português.
Ainda que o meu envolvimento tenha sido mais limitado do que o de alguns dos restantes coautores, é estimulante ver o trabalho colaborativo desenvolvido ao longo dos últimos 2 anos materializar-se numa publicação científica com potencial para contribuir para um melhor conhecimento das exigências e da preparação física dos árbitros de futebol.
O estudo procurou caracterizar as exigências físicas externas e internas e os padrões de atividade de árbitros principais e árbitros assistentes, bem como compreender de que forma estas exigências variam em função do papel desempenhado em campo e da categoria competitiva. Para o efeito, foram monitorizados 8 árbitros principais e 7 árbitros assistentes, num total de 98 observações em jogos oficiais, com recurso a dispositivos GPS, monitorização da frequência cardíaca e perceção subjetiva de esforço.
Os resultados evidenciaram perfis de exigência distintos entre as duas funções. Os árbitros principais percorreram maiores distâncias totais e relativas e acumularam maior distância em corrida de média velocidade, enquanto os árbitros assistentes atingiram velocidades máximas superiores e realizaram mais esforços de corrida a alta velocidade e um maior número de desacelerações. Estes últimos apresentaram também valores superiores de perceção subjetiva de esforço, variável que revelou associações positivas fortes com o número de acelerações e desacelerações.
Estes resultados reforçam a importância de adequar a preparação física às exigências específicas de cada função. Os árbitros principais necessitam de sustentar maiores volumes de deslocamento em todo o terreno de jogo. Já a preparação dos árbitros assistentes deverá conferir particular atenção aos esforços curtos de alta velocidade e às acelerações e desacelerações frequentes. A conjugação de indicadores de carga externa e interna poderá ainda contribuir para uma melhor individualização do treino, monitorização da carga e gestão dos processos de recuperação.
Concluo, deixando-vos o resumo original e a referência do
trabalho. Espero que vos seja útil:
Abstract
This study quantified the
match-related external and internal physical demands and activity patterns of
Portuguese Football field referees (FRs) and assistant referees (ARs) across
different categories. A total of 8 FRs and 7 ARs were monitored during 98 official
competitions using GPS with embedded heart rate sensors, and post-match rate of
perceived exertion (RPE) was collected. Descriptive statistics and
between-group comparisons were applied to examine differences between roles,
and the interrelationship between external and internal loads was explored
using Pearson’s correlation. FRs covered substantially more total distance and
distance per minute than ARs (7.49 ± 2.47 vs 5.64 ± 1.25 km; 78.68 ± 14.56 vs
55.88 ± 7.78 m·min⁻¹;
both p < .001), and accumulated more medium-velocity running, whereas
ARs reached higher maximal speeds and performed more high-speed running bouts
and decelerations (p ≤ .031). ARs also reported higher perceived
exertion than FRs (6.80 ± 0.68 vs 4.23 ± 1.65, p < .001), and RPE
showed strong positive correlations with accelerations (r = 0.674, p
< .001) and decelerations (r = 0.686, p < .001). Heart rate data
from FRs showed most match time spent in low-to-moderate intensity zones, with
minimal exposure to very high intensities. The referees were exposed to
substantial, role-dependent external and internal loads even in a
non-professional regional setting. The distinct demands of FRs and ARs support
the need for role- and category-specific conditioning, monitoring and recovery
strategies. These findings provide practical benchmarks to inform training
prescription, load management and development pathways for football referees.
Keywords: Referee role; External load; GPS; Internal load;
Rating of perceived exertion.
Reference
Miguel, P., Carvalho, V., Almeida, C. H., Pompeo, A.,
Prandi, M., Viana, P., Paixão, P., & Casanova, F. (2026). Physical demands and patterns of Portuguese football
referees: a case study. Motricidade, 22, e40534. https://doi.org/10.6063/motricidade.40534
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