29/11/2006

Boys Band ou Geração de Ouro?

Assim, tal e qual. Tirem a bola e a camisola da nossa selecção da foto, e esqueçam as inúmeras páginas de jornal que estes senhores encheram (e ainda enchem) com a sua classe. Estariamos ou não perante uma boys band ao estilo de Take That ou Backstreet Boys?

Não é para quem quer, é para quem pode!

Esta Geração de Ouro tem muito que se lhe diga...

19/11/2006

Desporto Jovem: formar ou ganhar?

A minha equipa, Infantis do J. D. Monchiquense, perdeu 2 - 10, depois de termos feito uma primeira parte de bom nível. Ao intervalo o resultado era 1 - 1 e o C. F. Esperança de Lagos apenas empatou a 2 minutos do descanço.

Perguntam vocês: como é possível isso acontecer?
Na verdade, até a mim me custa a acreditar. A equipa tem assimilado bem os conteúdos táctico-técnicos do modelo de jogo, treina regularmente com bons índices de empenho e tem qualidade. Ao invés, apercebi-me que tenho um trabalho gigantesco pela frente em termos psicológicos, senão vejamos: a) alguns jogadores influentes desistem perante resultados desfavoráveis; b) quase todos eles vêm de uma época no Futsal, onde obtiveram bastantes vitórias por resultados desnivelados; c) o nível competitivo no Futebol 7 é superior ao Futsal.

Estamos na presença de um processo de transição, no qual a aprendizagem tem que ser bem gerida. Não frustar, sem desresponsabilizar!

O interessante é que... o Futebol é isto mesmo, até nas camadas jovens: uma busca constante do sucesso face às adversidades com que nos deparamos. Sucesso, para mim, é a formação dos "meus putos", como costumo chamar, e as adversidades são a unidade orgânica de alta complexidade que cada jovem representa e a necessidade de compatibilizá-la com outras unidades altamente complexas que definem o conceito de equipa. Este é o nosso fim: formar jogadores de Futebol e, sobretudo, cidadãos saudáveis e responsáveis perante a sua própria existência e a dos outros.

O desafio é enorme, mas quero assumi-lo. Venham os próximos treinos.

10/11/2006

Os treinadores não saem, são despedidos!

Frase: "Da Naval 1º de Maio os treinadores não saiem, são despedidos!" (Aprígio Santos - presidente do clube - a propósito da presumível saída do técnico Rogério Gonçalves para o SC Braga).

É mau demais para ser verdade. O pior é que quase todos são assim... broncos!
Será que a Naval teria dificuldade em arranjar um treinador que desse continuidade ao seu projecto para o futebol profissional? Com um pouco de esforço arranjariam melhor, mas enfim, trabalhar custa!

04/11/2006

À conquista da Europa.

Três vitórias e um empate foi o saldo português na recente jornada europeia. Longe vai o tempo em que era um martírio para conseguirmos alcançar estes resultados, especialmente fora de casa.

O campeão - FC Porto - venceu convincentemente o Hamburgo. Mostrou que tem uma equipa personalizada, ofensiva e capaz de proporcionar grandes momentos aos adeptos do futebol. Saliente-se o golaço do Lucho: obra de arte!
O Sporting CP, também a jogar na Alemanha, fez estremecer o público bávaro. Apesar das inúmeras ausências do Bayern, o conjunto português fez questão de demonstrar que a juventude pode muito bem dar conta do recado.
O meu SL Benfica jogou "à Benfica": de forma ofensiva, com o apoio dos laterais (o Nélson esteve excelente), a defesa segura, muita mobilidade entre os jogadores da frente e situações bem delineadas do ponto do ponto de vista táctico. Grande resultado!
O SC Braga após dois jogos menos conseguidos, goleou o Slovan Liberec e deu um passo importante na passagem à fase seguinte. Não vi o jogo nem o resumo, mas do que pude ler, os jogadores utilizados portaram-se à altura do seu real valor.

Os meus parabéns a estes clubes, aos respectivos técnicos e jogadores.
O futebol português agradece!

22/10/2006

Linguagem e corpo: a rapariga de azul.

Entrámos na Disco às 4h da manhã. Na verdade, a minha vontade não era muita, mas... em nome da amizade, fui solidário. Consumo mínimo, blá, blá, blá... passei pela pista de dança e estabeleci-me no balcão a mirar os corpos que se expressavam no centro daquele pequeno universo.
Varri a sala de lado a lado com o olhar e notei algumas expressões faciais de deleite nos meus parceiros de género, orientadas para um ponto atrás do pilar do lado oposto onde me encontrava. Fiquei curioso. Saí do meu posto, atravessei a pista de dança aos sobressaltos por entre corpos energicamente balanceados pelo ritmo da música e procurei pelo “epicentro” daquela atenção.
Logo, apenas vi grupos de pessoas em pleno acto de comunicação, contudo, havia algo que destoava dos restantes corpos, simplesmente, normais. Por momentos passei os olhos pelo chão cintilante, a luz era tão intensa que me ofuscou. Mas não, não era a luz das “psicadélicas”, era a luz de um corpo cuja profundidade das formas vulgarizava qualquer movimento efectuado naquela altura, naquele lugar. O “epicentro” daquele sismo de emoções era uma rapariga vestida de azul, um poder tremendo, um campo gravitacional fortíssimo que fixava a visão da maioria dos presentes, masculinos ou femininos.
Perguntei-me como seria possível um corpo mexer com tanto fenómeno fisiológico alheio sem fazer nada de mais, apenas por ser e estar. Na ânsia de responder a tal questão, dei por mim a vaguear em diferenças culturais, expressões corporais, processos psicológicos, genéticos... enfim, tanto raciocínio para nada. Enchi o peito de ar e decidi remeter a resposta a essa mesma questão para a “rainha da noite”.

No meu caminho, os meus passos soavam humildemente e eu ficava cada vez mais pequeno e dominado qual meteorito atraído por um planeta gigante. Quando estava a meio metro da rapariga, tremendo como varas verdes, tentei articular um “boa noite” tímido que não saiu. Inspirei fundo, a fim de baixar a frequência cardíaca, e disparei:

- Olá! Como consegues submeter tantos seres à tua presença sem fazeres algo de realmente importante para eles?

Soou-me a ridículo, absurdo e a estúpido. O que acabara de dizer? Ela olhou para o lado, bastante admirada e encolheu os ombros. Imediatamente, uma amiga aproximou-se e disse:

- Desculpa, mas a minha amiga Luísa é surda-muda, não percebeu o que disseste.
Recuei dois passos, completamente em choque e perfeitamente incapaz de saber o que fazer.
- Ah... ok! – murmurei, virando cobardemente as costas, e afastei-me.

Desde então que me questiono acerca da minha capacidade de comunicar. Porque não aprender linguagem gestual? Porque não tirar um curso de boas maneiras? Sim, porque a minha atitude naquela noite foi deplorável, vergonhosa e lastimável. Revelei-me um autêntico deficiente e detesto empregar esta palavra macabra. Deficiente em termos de atitude e em termos de comunicação. De que me serviu tirar um curso de Comunicação Social durante 5 anos? Afinal de contas, sou jornalista!

Resumindo, foi a noite mais marcante da minha vida. Experimentei n tipos de sensações (satisfação, admiração, receio, coragem, incapacidade, vergonha e pena), pus em causa o meu trabalho, a minha formação... o MEU CORPO, e o mais importante, aprendi que a palavra deficiente cabe apenas àqueles que agem como eu agi, porque os outros – surdos-mudos, cegos ou atrasados mentais – são planetas gigantes circulando num mundo onde somente alguns meteoritos acabam por se aproximar.

P.S. - O texto acima é pura ficção e resultou de um trabalho que realizei no 4º ano da faculdade para a cadeira de Epistemologia da Motricidade Humana.